quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Tudo está na raiz


No curto período em que trabalhei em um Sebo (loja de livros usados), de 24/08 a 26/10, coloquei minha cabeça em reflexão sobre a História da humanidade até os dias de hoje. Há três sextas-feiras atrás, um senhor, cujo nome a memória impede que eu lembre, entrou no recinto atrás de livros de História. Peguei alguns, e ele lia e relia, avaliando quais levaria. Começamos a conversar sobre essa ciência. Uma simples exclamação desse senhor, fez eu pensar bastante sobre a origem de todas nossas realizações e males: “tudo está na raiz, na essência do homem”.

Somos seres incríveis, mas com grande tendência a cometer erros. O homem que lascava pedras evoluiu, passou a poli-las, dominou os metais, criando instrumentos mais resistentes. Da observação das plantas, inventou a Agricultura. Dos excedentes de produção surgiu o escambo, antecessor do comércio. Do convívio com os animais, passou a domesticá-los. O nomadismo deu lugar ao sedentarismo, e as comunidades lugar às cidades.

Os membros mais fortes das antigas comunidades tornaram-se chefes políticos das urbes, que iam surgindo ao redor de lugares férteis, geralmente à margem dos rios. O crescimento dessas cidades, a demanda de espaço e de alimento, fez com que surgisse o expansionismo. Era a guerra, que em pouco tempo, devastava ambos os lados combatentes. Desses conflitos surgiram impérios poderosos. Para sustentá-los, foram criados impostos, taxas que se pagam para realizar atividades ou usufruir de alguns benefícios.

O desconhecido, que no passado movia os homens, tornou-se um dos instrumentos de dominação por parte dos líderes imperiais. Foi dado o nome de religião. Budismo, Cristianismo, Islamismo e Hinduísmo. Além de garantir o conforto espiritual, algumas pessoas viram nas diferentes religiões uma maneira de controle emocional e político. O que existia além dos limites antigamente estabelecidos? O homem ficou curioso e foi atrás de respostas. Em pouco tempo, encontrou novos territórios, novos produtos, novas pessoas. Destruiu civilizações, tradições e aniquilou vidas. Já não se trocavam excedentes, pois foram criadas as moedas, que tinham valor estabelecido.

Revoluções, contra a tirania dos governantes, começaram a estourar em vários lugares. Sob as bandeiras de liberdade, igualdade e fraternidade, foram derrubados antigos governos, mas a forma de governar continuou a mesma. Ideologias utópicas surgiram. O Comunismo, a maior representante, almejava uma sociedade igualitária, sem divisão de classes (coisa que não ocorreu nos países em que foi “implantado”). Situação irreversível, pois há milênios o homem se tornou um ser individual, criou classes sociais, a propriedade privada e as divisões de trabalho. São esses os sólidos alicerces de nossa sociedade.

No final do século 19 e boa parte do 20, a genialidade humana deu um salto imenso. Inventamos a luz elétrica, o cinema, o telefone, o automóvel, o rádio, encontramos novas matérias-primas, perfuramos o primeiro poço de petróleo. Criamos armas poderosas, capazes de abater o inimigo mais rápido: revólver, metralhadora, granadas, morteiro e lança-chamas. Em pouco tempo, estaríamos novamente invadindo territórios que já tinham donos, só que dessa vez estávamos atrás de mercados consumidores e matérias-primas.

Essa disputa comercial e territorial foi a responsável por uma Grande Guera, que envolveu nações do mundo todo. Os ressentimentos guardados desse conflito culminaram em outro, que viria a estourar anos mais tarde. Da guerra emergiram os países que controlariam os outros, política e economicamente: Estados Unidos, representando o capitalismo e União Soviética (Rússia) representando o comunismo. O homem foi à lua, criou computadores, novos alimentos e formas de comunicação. Em mais de 40 décadas de polarização, o Comunismo definhou e o Capitalismo se mostrou o sistema “triunfante”.

Nesse século que vai passando rapidamente, estamos sendo bombardeados a cada segundo por informações. Novas tecnologias, com incrível poder de alcance, descobertas de novas espécies, a invasão de territórios, novos embates entre Esquerda e Direita, e novamente, se percebe a ascensão da Direita, crises humanitárias e a descoberta de novos planetas. O que me pareceu uma simples exclamação, citada no início do texto, fez eu perceber que, um simples lascar de pedras em tempos remotos, foi a fagulha do nascimento uma civilização que até hoje caminha entre os erros e os acertos. Humanos, inventivos, por necessidade de sobrevivência. Destruidores, por falta de consciência. Nossa essência é inventiva e destruidora.


CRÉDITO DA IMAGEM: seuhistory.com

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