sábado, 9 de janeiro de 2016

Documento Histórico - História da Paróquia São Lázaro

São Lázaro de Betânia.

Quando comecei minhas pesquisas sobre a História do bairro, em 2011, tive acesso ao arquivo da Paróquia que, aliás, encontra-se muito bem preservado. Entre vários documentos, encontrei um bem interessante. Um texto, com o título História da Paróquia São Lázaro, de autor desconhecido, cobre, em 6 páginas, a evolução da paróquia do ano de 1956 até 1991.

Não se sabe o nome do autor, mas provavelmente pode ser uma ou mais pessoas ligadas à instituição Católica. Em linguagem simples, temos, no início do texto, uma apresentação sobre as origens do bairro, com a chegada dos primeiros moradores em 1956, e, de forma abrupta, passamos para a “História Paroquial” da comunidade. O autor (es) descreve detalhadamente os nomes dos primeiros moradores, datas e etapas de construção da Igreja no bairro e a relação da comunidade com outras que começavam a surgir nas imediações

Reproduzo o documento na íntegra, sem fazer maiores alterações, apenas algumas correções ortográficas:


HISTÓRIA DA PARÓQUIA SÃO LÁZARO


No ano de 1956, um pequeno grupo de pessoas, formando um povoado de mais ou menos dez casas de madeira e taipa, que viviam com um pequeno salário da venda de capim para casas de colchão, criaram a comunidade do Barro Vermelho, tendo à frente: Dona Maria Andrade (conhecida como D. Mariquinha); Dona Nair; Dona Antônia; Sr. José; Sr. Evilázio; Dona Raimunda; Sr. Hermógenes (de 70 anos, ainda morador do bairro), e outros.

Com a chegada de Carlos Viana, jovem idealista, fortificam-se os passos da caminhada da Igreja no bairro; e no dia 03 de maio de 1958, Pe. Paulino Lammeier celebra a primeira missa num tronco de marizeiro (onde hoje é o Seminário Cristo Sacerdote). Neste lugar fizeram uma capelinha coberta de palha, e depois construíram uma outra pequena e de madeira. No dia 09 de maio deste ano foram criados o grupo Apostolado da Oração, a Congregação Mariana e o grupo Filhas de Maria; e no dia 09 de novembro, funda-se o Clube da Boa Ação. No dia 11 de fevereiro de 1959, realizou-se a primeira Procissão de São Lázaro. Neste mesmo ano, no dia 31 de maio, inaugurou-se a 3° capela de São Lázaro, esta sendo maior que a anterior. A partir de 1960, a Igreja promovia concursos e arraiais para a animação da comunidade.

Em março de 1964, a pedido de D. João de Souza e Lima, vem as Irmãs do Colégio Santa Dorotéia: Irmã Maria do Carmo Peixoto; Irmã Souza; Irmã Rodrigues; Irmã Montenegro; Irmã Jovita (Peixotinho); e Irmã Macário; que vinham nos fins de semana com as meninas do colégio e catequizavam aos domingos no grupo escolar Antóvila Mourão Vieira; e com elas havia uma jovem catequista chamada Helena, moradora da comunidade. Elas vinham com Pe. Alcides, para celebrar a missa. Para melhor trabalhar, Irmã Peixoto, com a ajuda do SESI, das alunas e do grupo de jovens local, fez um levantamento das crianças da comunidade. Nesta época foi construída uma nova capela, em alvenaria; e deram início à construção de um barracão, feito em mutirão nos fins de semana e à noite, sendo todo o material doado. Nele era feito o trabalho prático do curso de pedreiro do SENAI, que realizava-se em São Lázaro. Sua inauguração foi no dia 01° de janeiro de 1966, com missa celebrada por D. João, e denominou-se Centro Social Educativo São Lázaro, onde formou-se um clube de mães, dava-se aulas e se faziam recreações. (Este barracão, hoje é a Igreja de São Lázaro). São Lázaro foi o primeiro serviço de mutirão e de trabalhos comunitários.

Em 1967, também em mutirão, construíram uma casa para acolher as irmãs nos fins de semana, e onde funcionava um pequeno ambulatório, para facilitar o trabalho das irmãs. Em 1968, Irmã Maria, Irmã Rodrigues e Irmã Gobites iniciam trabalhos de catequese no Crespo, iniciando assim a comunidade Bom Pastor. Lá, ficavam debaixo de uma figueira, conseguindo logo depois uma casa de madeira, onde celebravam com os padres salesianos, aos domingos após a catequese; celebravam também casamentos e batizados. Em dezembro de 1971, as irmãs Dorotéias foram morar na Betânia, e Pe. João Carlos Stefani assumiu as duas comunidades – São Lázaro e Betânia – que faziam parte da Paróquia Santa Luzia. Este ficou aí até o início de 1974.

Após dois anos de trabalho na comunidade Bom Pastor, chega o movimento industrial, e é desapropriada a casa. Nesta época veio como vigário Pe. José Montecone, que logo comprou um outro terreno e construiu uma capela ampla, inaugurada no dia 01° de janeiro de 1972, com celebração de missa – e neste mesmo ano, no dia 11 de abril, festejou-se o padroeiro Bom Pastor e a 1° Eucaristia de 25 crianças, além de alguns adultos. Por motivo de mal entendido foi demolida a capela e construída no lugar a escola Dorval Porto; logo foi conseguido um outro terreno e construída uma capela, inaugurada no dia 01° de julho de 1973. Nela havia missas aos domingos, confissão, batizados, assistência aos enfermos. Por um pequeno período, junto ao Pe. José, deu assistência ao Pe. José Fumagalle; depois, Pe. Dalbem, enquanto esperava-se um novo sacerdote; mas a comunidade ia crescendo como Igreja.

Neste mesmo ano, 1973, sentiu-se a necessidade de formar uma nova comunidade, na Lagoa Verde: Um senhor chamado Raimundo F. Da Costa falou com as irmãs Dorotéias, e estas começaram a incentivar nos círculos bíblicos da comunidade. Uma jovem chamada Clarinha rezava o terço na parte alta do bairro. Juntaram-se todos e construíram um salão, onde Pe. José Montecone celebrava missas. Com o tempo, a comunidade da Lagoa Verde foi crescendo e organizaram sua primeira Diretoria, a qual falou com D. João e ele comprou um galpão de madeira, que depois foi ampliado e transformado em um centro social, que mais tarde foi vendido, e logo comprado um outro, onde até hoje está a Igreja Cristo Rei. Dom Milton* gostou muito do local, e hospedou-se por três dias como visita pastoral.

No início de 1974, assumiu como vigário auxiliar, Pe. Durvalino Condicelle, que criou o grupo de jovens (OJAC), e organizou a diretoria como membros de Pastoral na comunidade Bom Pastor. Em 1976, Pe. Franco Picolly assumiu as comunidades e procurou dinamizar as pastorais existentes – em São Lázaro, implantou o dízimo e a Pastoral Familiar com o Grupo de Casais Amigos e incentivou a participar do CLC (Curso de Liderança Cristã) e do Congresso de Leigos do Amazonas. Organizou o catecumenato para o Batismo e a Crisma, reativou o Apostolado da Oração e criou o Conselho Comunitário de Pastoral; e no Bom Pastor, reforçou a Catequese com cursos, formando novos catequistas. Em fevereiro de 1977, para a comunidade Bom Pastor, vem Pe. Sabino Mariga, que dá continuação aos trabalhos já iniciados, e ainda fez um levantamento das famílias, visitando cada uma e falando sobre o dízimo, que com o auxílio de Frei Laurindo, pároco de Santa Rita, foi criado o Dízimo Paroquial nas duas comunidades. Pe. Sabino, auxiliado por seu sucessor, Pe. Carillo, deu início à ampliação da igreja, inaugurando no dia 09 de dezembro de 1979, com presença de Dom Milton Corrêa Pereira, Pe. Sabino e Pe. Carillo, que no ato recebeu o cargo de vigário destas comunidades – São Lázaro, Bom Pastor e Cristo Rei. Em 1980, Pe. Franco e Pe. Mário o auxiliaram nas comunidades; e o último doou para a comunidade Bom Pastor um belíssimo sacrário de metal como recordação da Igreja Mãe, Santa Luzia.

No dia 14 de outubro de 1980, D. Milton celebrou missa na Igreja São Lázaro, com presença das comunidades Bom Pastor e Cristo Rei, com a finalidade de apresentar Pe. Bernardino Micce, e advertir o povo de suas responsabilidades como Paróquia. No dia 04 de novembro houve reunião geral com as comunidades e neste mesmo dia, Pe. Bernardino celebrou sua 1° missa e continuou como pároco até 16 de agosto de 1981. No dia 19 de agosto do mesmo ano, D. Milton e D. Bêda concelebraram e apresentaram Pe. Ernesto Rodrigues à Paróquia, o qual celebrou sua primeira missa no dia 23 de agosto, mostrando suas perspectivas, e dar continuidade nas obras já idealizadas. Ele iniciou as construções de casas paroquiais em São Lázaro e Bom Pastor, e construiu novos altares nas mesmas; celebrou sua última missa no dia 11 de novembro de 1982. No dia 12 de novembro Frei Ricardo celebrou sua primeira missa. Ele criou vários grupos de Legião de Maria na Paróquia, tanto de adultos como juvenis; reviu os grupos existentes. Em 1984, para ajudá-lo, veio Pe. Elimar, celebrando sua primeira missa no dia 05 de fevereiro na comunidade Bom Pastor, e que muito colaborou na catequese desta comunidade, promovendo cursos, que depois se estendeu na Paróquia; ajudou muito a comunidade Cristo Rei; ficou aí até julho de 198, sendo um verdadeiro missionário.

Com a vinda de Pe. Edimar, Frei Ricardo teve mais tempo disponível e, em maio de 1984, fez visitas a algumas famílias e juntos começaram a fazer círculos bíblicos e cultos dominicais, com o objetivo de organizar as CEB'S, conscientizando de seu valor, com a ajuda de José Moura, que em 18 de outubro convidou Sr. Alexandre para ajudá-lo nos encontros; e este, depois, tomou à frente o trabalho. Em dezembro do mesmo ano, fizeram a novena Natal em Família, com agradável receptividade, e estes encontros decidiram o local para a construção da casa comunitária. Em abril de 1985, realizou-se o 1° curso para pais e padrinhos para o batismo de 11 crianças. No dia 08 de maio, reuniram-se para escolher uma comissão administrativa para iniciar a construção da casa – também escolheram São Joaquim como padroeiro, pois tudo iniciou na Rua São Joaquim. Neste mesmo ano, do dia 26 de julho, dia de São Joaquim, houve celebração Eucarística no local da casa, com participação de 72 pessoas. No dia 11 de agosto teve início a construção e concluíram-na com doações e muitas promoções.

No final de novembro de 1985, a comunidade Bom Pastor junto do Frei Ricardo, organizou a novena Natal em Família na área do Igarapé do Quarenta, e as famílias mostraram-se interessadas em reunir-se como Igreja; e deram início a uma nova CEB, pela qual ficou responsável a Sr° Albanízia, membro do grupo Casais Amigos, da comunidade Bom Pastor; logo reuniram-se para decidir o padroeiro, sendo escolhido Menino Jesus, por estar perto do Natal. Nos encontros, a maioria dos presentes eram crianças. Para construir a capelinha, conseguiram muitas doações, e vários grupos foram formados: Catequese, Grupo de Jovens, Congregação Mariana; e havia missas ou cultos dominicais.

Em 1986, iniciou-se os trabalhos de Catequese em São Joaquim, feitos nas casas de algumas famílias, e formou-se um grupo de jovens, ajudados por pessoas das comunidades São Lázaro e Bom Pastor. Neste mesmo ano, um jovem da Paróquia, Gélio Oliveira Barbosa, entrou para o Seminário São José, da Arquidiocese, e dá muito impulso aos jovens da comunidade. Em 1987, Frei Ricardo nomeou uma Diretoria na comunidade Menino Jesus, a qual organizou a primeira Festa do padroeiro e depois disto organizou o Dízimo na comunidade. Frei Ricardo, ainda, promoveu o Planejamento Natural da Família; organizou cultos ecumênicos, cursos de noivas, cursos bíblicos e outros. Ele ficou na Paróquia até 30 de junho de 1987.

No dia 13 de março de 1988, chegam as Irmãs da Divina Providência, para trabalhar na Paróquia, estabelecendo-se na casa da comunidade Bom Pastor, que, com a saída de Frei Ricardo, tomam à frente da Paróquia. Em celebração Eucarística, no dia 03 de julho, Dom Clóvis Frainer apresentou Pe. Danival como pároco, e Irmã Nelcy como coordenadora Paroquial – e ainda Frei Plácido, Pe. Pier Paulo e Pe. Carillo, que celebrarão missas e atenderão os enfermos. Inicialmente foi organizado o Conselho Paroquial, para organizar uma Pastoral de conjunto. No dia 05 de julho, reuniu-se pela primeira vez a coordenação paroquial de catequese. No dia 06 de julho, fundou-se a Pastoral Operária na Paróquia. No dia 11 de julho iniciaram os encontros paroquiais de liturgia. No dia 15 de julho reuniu-se pela primeira vez a Pastoral do Dízimo da Paróquia. No dia 16 de julho reuniram-se os agentes da Pastoral do Batismo para se conhecer e reorganizar-se. No dia 17 de julho houve assembléia paroquial com todos os agentes de pastoral para estudar o objetivo e as diretrizes da Igreja de Manaus, para haver realmente uma Pastoral de conjunto na Paróquia; Neste encontro esteve presente Frei Xavier. Ainda, foram feitas assembleias comunitárias para uma melhor caminhada. No dia 03 de agosto, houve encontro dos Ministros da Eucaristia dos Enfermos e marcado um encontro para reciclagem de estudos. Em agosto, houve curso bíblico na paróquia, promovido pela Coordenação Paroquial da Pastoral de Juventude. Foi criado, em setembro, um grupo vocacional paroquial. Foram promovidos cursos, e em todas as comunidades, seus tradicionais arraiais e outras promoções. Foi criada a Pastoral da Criança. Houve retiro para alguns grupos: Catequese, Casais Amigos e Crismados. Em 1989, a partir de março, iniciou a Escola Catequética mensal para os catequistas. Também foi trocado o telhado da Igreja de São Lázaro. Neste mesmo ano, houve cursos da Pastoral Operária, de CEB'S, de Noivos e outros; e ainda, feitas assembleias de avaliação da II APA e preparação da III APA. Neste ano a Paróquia teve ajuda de seis seminaristas do Seminário Diocesano São José; e a alegria de mais um jovem, Luiz Mauro Alencar, sendo admitido no Seminário.

Neste ano de 1989, no dia 1° de julho, começou a construção do Seminário de Filosofia Cristo Sacerdote no terreno da Comunidade Paroquial. Dom Clóvis é o grande idealizador da obra e construiu para que os jovens tivessem um lugar adequado e decente, onde pudessem viver a vida fraterna, de estudos, de trabalhos e oração, e pudessem também servir às paróquias vizinhas. As obras foram concluídas em 15 de fevereiro de 1990 com a presença de D. Clóvis, os padres do Conselho Presbiteral, os Vigários Episcopais e todos os seminaristas dos Seminários Diocesanos.

No ano de 1990, no dia 11 de fevereiro, tomou posse o novo pároco, Pe. Mauro Cleto, que assumiu toda a Paróquia de São Lázaro e mais o Seminário Cristo Sacerdote. A pastoral Paroquial já estava em andamento, o pároco só continuou dando incentivos às pastorais, mas reprogramando para o ano de 1991, toda a estrutura pastoral paroquial.


*Milton Corrêa Pereira (Cametá, PA, 18 de novembro de 1919 – Manaus, AM, 23 de maio de 1984). Recebeu a ordenação presbiteral no dia 29 de junho de 1943, em Belém. Foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém do Pará pelo Papa João XXIII, no dia 23 de agosto de 1962. Exerceu a função de 1962 a 1967. Em 4 de agosto de 1967, o Papa Paulo VI o nomeou bispo da Diocese de Garanhuns, no Pernambuco. Em 25 de abril de 1973 recebe a função de Arcebispo Coadjutor de Manaus. Foi Administrador Apostólico da arquidiocese entre 21 de abril de 1980 e 5 de março de 1981, quando foi nomeado pelo Papa João Paulo II para ser Arcebispo Metropolitano de Manaus. Faleceu em 23 de maio de 1984.

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