segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O que diferencia nós, homens, dos animais?


Talvez você, em algum momento, tenha se perguntado: o que nos diferencia dos outros animais? Rapidamente, pensamos em nossa habilidade de raciocinar e questionar o mundo à nossa volta. Um autor que, ao meu ver, responde essa questão de forma primorosa, é o arqueólogo e filólogo australiano Vere Gordon Childe. Tive contato com suas obras ainda no ensino médio, durante as aulas de Filosofia e Sociologia. Agora, no curso de História, analisamos seus escritos sobre História Antiga, nas áreas da Revolução Neolítica e Revolução Urbana. A resposta se encontra abaixo, em algumas páginas do livro A Evolução Cultural do Homem (Rio de Janeiro, Zahar, 1971).

O ser humano pode ajustar-se a um número maior de ambientes do que qualquer outra criatura, multiplicar-se infinitamente mais depressa do que qualquer mamífero superior, e derrotar o urso polar, a lebre, o gavião e o tigre, em seus recursos especiais. Pelo controle do fogo e pela habilidade de fazer roupas e casas, o homem pode viver, e vive e viceja, desde os pólos da Terra até o equador. Nos trens e automóveis que constrói, pode superar a mais rápida lebre ou avestruz. Nos aviões e foguetes pode subir mais alto do que a águia, e, com os telescópios, ver mais longe do que o gavião. Com armas de fogo pode derrubar animais que nenhum tigre ousaria atacar.

Mas fogo, roupas, casas, trens, automóveis, aviões, telescópios e armas de fogo não são parte do corpo do homem. Eles não são herdados no sentido biológico. O conhecimento necessário para sua produção e uso é parte do nosso legado social. Resulta de uma tradição acumulada por muitas gerações e transmitida, não pelo sangue, mas através da linguagem (fala e escrita). A compensação que o homem tem pelos seus dotes corporais relativamente pobres é o cérebro grande e complexo, centro de um extenso e delicado sistema nervoso, que lhe permite desenvolver sua própria cultura.

CHILDE, Gordon. A Evolução Cultural do Homem. Rio de Janeiro, Zahar, 1971, p. 40-41.

Como podemos ver, o homem não nasce com a força de animais de grande porte como o urso ou o tigre, a habilidade de voar e a visão aguçada da águia e do falcão, nem da velocidade da lebre e do avestruz. Mas, maior que tudo isso, o homem possui um cérebro desenvolvido, que permitiu que, ao longo de sua caminhada, dominasse, através da observação e da experiência, técnicas de sobrevivência e de domínio, capazes de lhe garantir a supremacia em quase qualquer ambiente ou parte do globo.



CRÉDITO DA IMAGEM:

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