sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Da Amazônia veio a inspiração - Os 86 anos de Severiano Mário Porto



A Amazônia tem o poder de despertar a criatividade nos homens que nela vivem. Não é atoa que, em meio a uma terra em estado de pureza original, a força humana tenha dado origem às cidades de Belém e Manaus, metrópoles símbolo dessa parte do Brasil. Um dos nomes notáveis que tirou da região sua inspiração, mais especificamente do estado do Amazonas, foi o arquiteto e urbanista Severiano Mário Porto, que para cá veio no início dos anos 60, década marcada por inovações arquitetônicas a nível nacional.

Nascido em Uberlândia, Minas Gerais, em 19 de fevereiro de 1930, Severiano Mário Vieira de Magalhães Porto graduou-se na Faculdade Nacional de Arquitetura, da Universidade do Brasil (atual UFRJ), em 1954. A convite do então governador do Amazonas, Arthur Cezar Ferreira Reis, Severiano Porto vem para o Amazonas, em 1965, incumbido da reforma do Palácio do Governo e da criação do projeto da ALEAM.

Dotar a cidade de uma nova arquitetura fazia parte do projeto de “integração nacional” da Amazônia, que dois anos mais tarde se tornaria lar da Zona Franca de Manaus. No mesmo ano é iniciada a construção do Estádio Vivaldo Lima, concluído em 1970. Tanto a reforma do Palácio quanto o projeto da Assembleia Legislativa não foram concretizados. Tendo recebido outros projetos, o arquiteto se muda para a capital amazonense, em 1966, realizando o projeto da Companhia Amazonense de Telecomunicações.

Em um estado rico em matérias-primas como madeiras, palhas e fibras, Severiano, observando as práticas dos habitantes da região, teve a oportunidade de criar uma arquitetura regionalista e sustentável, que respeitava as particulares de uma região de clima equatorial. Sua própria residência, construída em 1971, utilizou diversas madeiras e fibras nativas. Dentre as obras mais famosas e premiadas pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil estão: O Restaurante Chapéu de Palha (1967-demolido); a sede da SUFRAMA (1974); a Casa Robert Schuster (1978); Pousada de Guanavenas (1982); o campus da UFAM e Centro de Proteção Ambiental de Balbina (1987).

Foram 36 anos vivendo em Manaus. Nessas mais de três décadas, Severiano renovou a arquitetura amazonense, sem maior expressão até 1960, aproveitou as fartas matérias-primas da região, valorizando o local. De 1972 a 1998, lecionou Arquitetura e Urbanismo na Faculdade de Tecnologia da UFAM, mudando-se em 2000 para Niterói, Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Recebe, na UFRJ, o título de professor Honoris Causa. Severiano Porto, sem dúvida, está no hall de grandes homens que, mesmo sem laços sanguíneos com Amazônia, dedicaram a maior parte de suas vidas para entendê-la e transformá-la em um local próspero para seus habitantes e para aqueles que nela decidiram se aventurar.


CRÉDITO DA IMAGEM:


pedrinhoaguiar.wordpress.com




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