terça-feira, 8 de março de 2016

Comentários sobre a História das Mulheres e suas personagens


Nesses 03 anos escrevendo no História Inteligente, o texto que mais recebeu acessos, cerca de 22.568, foi um que aborda A Participação das Mulheres na Primeira Guerra Mundial, uma adaptação do texto de Patrícia Ramos Braick e Miriam Becho Mota. Esse grande número de acessos, a meu ver, se refere ao fato de que a Historiografia das mulheres, em comparação com uma historiografia tradicional, é algo novo, e desperta a curiosidade em leitores das mais variadas idades e níveis de ensino.

Desde a Antiguidade, as mulheres têm um papel crucial no curso da História. Como não lembrar da bela Taís, amante de um dos generais de Alexandre o Grande, que, aproveitando-se do estado de embriaguez deste imperador, sugeriu, como um ato de vingança contra os persas, que este ateasse fogo ao Palácio de Dario, um dos mais cobiçados da época. Hipácia de Alexandria, matemática, astrônoma e filósofa, última grande intelectual dessa cidade que irradiava cultura nos tempos helenísticos, foi acusada de bruxaria e brutalmente assassinada aos 45 anos de idade.

Nascida no período final das guerras entre a França e a Inglaterra, Joana D' Arc, uma personagem ainda envolta de lendas, afirmando receber mensagens de santos, investe contra os ingleses utilizando um exército de 7 mil homens, libertando várias cidades francesas. Ao ser capturada, foi condenada por bruxaria e heresia, e queimada viva na fogueira, em Rouen. Em 1920, Joana foi canonizada, por uma série de milagres a ela atribuídos no século XIX.

O Amor é uma forma de resistência, seja ele tradicional ou não. Felipa de Souza, portuguesa de Tavira-Algarve, estabelecida em Salvador, Bahia, foi um dos primeiros exemplos de condenação em terras brasileiras por causa de relacionamentos entre iguais. Uma de suas parceiras, Paula Siqueira, a denunciou ao Santo Ofício. Paula recebeu penas leves, enquanto Felipa, que anteriormente já tinha confessado seus atos, foi açoitada no Pelourinho, aos olhos dos moradores de Salvador, e expulsa da Capitania da Bahia.

Catarina, a Grande, administrou com mãos de ferro o Império Russo, que se expandiu significativamente durante seu reinado. Além da eficaz administração interna e externa, com vitórias contra inimigos como os turcos, essa imperatriz russa patrocinou grandes obras de arte, dando início, através de sua coleção privada, ao que viria a ser séculos mais tarde o Museu Hermitage.

As guerras de Independência da América Espanhola tiveram a participação de mulheres que, sozinhas ou acompanhadas de seus maridos nos embates contra as forças espanholas. Manuela Pedraza e seu marido enfrentaram as investidas inglesas em Buenos Aires; Juana A. de Padilla e seu marido lideravam um exército de guerrilheiros em Sucre, na Bolívia; e Cornelia Olivares fazia discursos inflamados no Chile.

A vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil abriu as portas para vários pesquisadores europeus em busca informações sobre botânica, antropologia, biologia e história. A maioria dos cientistas que para cá vieram era de homens, mas, destacando-se, estava a inglesa Maria Graham, que permaneceu no Brasil de 1823 a 1826. Graham, em seus relatos, também descreveu uma grande personagem feminina da história brasileira: Maria Quitéria, que durante as lutas de independência lutou contra os portugueses em apoio ao príncipe D. Pedro I.

Tseu-Hi, concubina chinesa que ascendeu ao posto de imperatriz em 1861, governou a China até 1908, empreendendo esforços e recursos para combater a corrupção de seu império e expulsar os estrangeiros que exploravam o país.

No início do século 20, a polonesa Marie Curie ganhou 5 prêmios Nobel, em decorrência de seu pioneirismo científico em pesquisas sobre radiação, e na descoberta dos elementos rádio e polônio. Enquanto os homens iam para os campos de batalha durante a Primeira Guerra, as mulheres foram trabalhar no campo, nas indústrias bélicas, nos serviços públicos e nas empresas, enquanto outras acompanhavam os combatentes servindo de enfermeiras, cozinheiras e motoristas de ambulância. 

A experiência destas mulheres permitiu o ganho de espaços antes reservados apenas aos homens. Poderia citar outros grandes nomes à nível internacional e nacional: Cleópatra; Princesa Isabel; Valentina Tereshkova; Cora Coralina; Carolina de Jesus; Teresa de Benguela; Virgem Maria etc; mas são apenas breves comentários e observações que visam mostrar a importância dessa nova abordagem historiográfica, que retira das sombras do esquecimento personagens e feitos ignorados ou pouco abordados nas academias e outras instituições. Uma autora que recomendo é a historiadora Mary Del Priore, professora da Universidade Salgado de Oliveira – UNIVERSO/NITERÓI.


CRÉDITO DA IMAGEM:

http://www.sindicatoceramistas.com.br/

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