quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Fotografia Chega ao Brasil

Segundo pesquisas realizadas pelo fotógrafo e estudioso de fotografia Boris Kossoy,o francês Hércules Florence (1804-1879),que morava no Brasil,já vinha fazendo,desde 1833,alguns avanços na técnica de registrar imagens,com o objetivo de imprimir rótulos de produtos farmacêuticos e diplomas maçônicos.

"Pátria da luz,morada do sol,o Brasil conheceu muito cedo a invenção de Daguerre,poucos meses depois do anúncio oficial de sua invenção,feito em Paris a 19 de agosto de 1839.Com efeito,já em 17 de janeiro de 1840 o abade francês Louis Compte,capelão da fragata L'Orientale,tirou os primeiros daguerreótipos em território brasileiro.
[...] Sensível ao prodígio do novo meio de expressão apesar de sua pouca idade (fizera 14 anos no dia 2 de dezembro do ano anterior),um rapazola carioca tornou-se o primeiro brasileiro a adquirir e utilizar um equipamento de daguerreotipia,em março daquele mesmo ano de 1840: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança e Habsburgo."

(VASQUEZ,Pedro.A fotografia no império.Rio de Janeiro: Jorge Zahar,2002.p.8-9.Coleção Descobrindo o Brasil)



(Hércules Florence)


Entretanto,oficialmente,consideram-se o ano de 1839 e os trabalhos de Daguerre como ponto de partida da fotografia.Oficialmente também o invento de Daguerre chegou ao Brasil em 1840,trazido pelo abade Compte.



(Louis Daguerre)


Como o daguerreótipo consistia numa peça única e o processo para sua obtenção era caro,a burguesia viu nele a possibilidade de perpetuar a sua imagem,assim como os nobres faziam ao contratar os pintores para fazer seus retratos.

Mas nas décadas de 1850 e 1860,com o aprimoramento dos recursos técnicos,houve um barateamento dos custos de um retrato,o que o tornou acessível a um grande número de pessoas e apressou a divulgação da fotografia entre nós.

O passo seguinte foi o documentário fotográfico.Nesse campo destacaram-se Marc Ferrez (1804-1879) e Militão Augusto de Azevedo (1837-1905).Marc Ferrez preocupava-se não apenas em registrar um fato mas também em compor com arte uma cena.



(Marc Ferrez,1876)


Militão Augusto de Azevedo tem como obra importante o Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo,em que mostra mais de uma foto dos mesmos locais;tiradas dos mesmos ângulos mas em ocasiões diferentes,apresentando assim as transformações urbanas que a cidade sofreu entre os anos de 1862 e 1887.



(Igreja de N.Sa.dos Remédios e Largo da Cadeia em 1862)


(Igreja N.Sa.dos Remédios e Largo da Cadeia em 1887)



A fotografia brasileira desenvolveu-se muito na passagem do século XIX e esteve presente em exposições internacionais,tal como a Exposição de St.Louis,nos Estados Unidos,em 1904.Dessa mostra participou,entre outros,o fotógrafo brasileiro Valério Vieira (1862-1941),que apresentou a interessante fotomontagem Os Trinta Valérios,em que aparecem trinta figuras numa sala,todas com o rosto do próprio fotógrafo.


(Os Trinta Valérios,1890)


Quatro anos depois,em 1908,Valério ganhou o prêmio na Exposição Nacional do Rio de Janeiro com uma foto de doze metros de extensão - Panorama da Cidade de São Paulo.


FONTE: PROENÇA, Graça. História da Arte. 2005.
        
BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História, das cavernas ao terceiro milênio: Da conquista da América ao século 19. 2010.




terça-feira, 30 de julho de 2013

O Significado da Arte Rupestre



"Embora certas pinturas rupestres talvez tenham sido realizadas já no período anterior,a maioria dos grafismos encontrados nos abrigos data provavelmente dos últimos seis milênios antes da era cristã.Com certeza não eram obras de "arte" no sentido que damos hoje a palavra.É claro que durante todos esses milênios e em tantos lugares,algumas pessoas podem ter deixado simples graffiti,e outros desenhos talvez fossem feitos para fins decorativos.No entanto o mais provável é que a maioria dos grafismos tenha sido feita como afirmação de etnicidade,expressão de uma crença,ato mágico,proclamação política de status,trato,posse."

(PROUS,André.O Brasil antes dos brasileiros: a Pré-História do nosso país.Rio de Janeiro: Jorge Zahar,2006.p.72-73.)

O Criacionismo

As civilizações mais antigas já elaboravam explicações sobre o surgimento do homem,seu lugar no mundo e suas relações com outras espécies.

Muitos povos criavam histórias sobre a criação,ligadas a mitos ou a crenças religiosas.Para os antigos egípcios,por exemplo,os homens foram originados das lágrimas do deus Sol Rá.Já os maias acreditavam que os homens foram feitos a partir de uma massa de milho.

Os mitos e as lendas sobre a origem do homem,que têm como ponto comum a crença de que a humanidade foi criada por um ser superior,fazem parte de uma corrente de pensamento chamada Criacionismo.

O criacionismo no mundo Ocidental é fundamentado na tradição judaico-cristã.Nesse caso,defende-se a ideia de que Deus é o criador de tudo aquilo que existe e que,depois de ter criado a Terra e todos os seres vivos,teria criado Adão e Eva,dos quais toda a humanidade,até os dias de hoje,descenderia.Os fundamentos dessa interpretação criacionista encontram-se no Livro do Gênesis,no Antigo Testamento da Bíblia.


"Deus disse: ’Façamos o homem a nossa imagem,segundo a nossa semelhança,e que ele submeta os peixes do mar,os pássaros do céu,os animais grandes,toda a terra e todos os animais pequenos que rastejam sobre a terra!’
Deus criou o homem a sua imagem,a imagem de Deus ele o criou;criou-os macho e fêmea.
Deus os abençoou e lhes disse: ’sede fecundos e prolíficos,enchei a terra e dominai-a.Submetei os peixes do mar,os pássaros do céu e todo animal que rasteja sobre a terra!’ [...]
Deus viu tudo o que havia feito.Eis que era muito bom.Houve uma tarde,houve uma manhã: sexto dia.
O céu,a terra e todos os seus elementos foram terminados.
Deus terminou no sétimo dia a obra que havia feito.
Ele cessou no sétimo dia toda a obra que fazia.
Deus abençoou o sétimo dia e o consagrou,pois tinha cessado,neste dia,toda a obra que ele,Deus,havia criado pela sua ação.
Este é o nascimento do céu e da terra quando da sua criação."

(Gênesis 1,26 - 2,4.Bíblia: tradução ecumênica.São Paulo: Loyola,1994.p.25-26.)


Até o século XVII,a visão criacionista era dominante no mundo ocidental.Existiam até mesmo cálculos que estabeleciam a data "precisa" em que Deus teria criado o homem,como a datação estabelecida pelo teólogo irlandês James Usher,em 1650.Segundo Usher,a criação do mundo ocorreu em 23 de outubro de 4004 a.C.,um domingo,e Adão e Eva,os primeiros humanos,foram criados em 28 de outubro de 4004 a.C.,uma sexta-feira.



domingo, 28 de julho de 2013

A Diversidade de Ofícios no Engenho

A Palavra engenho possui dois significados: o local específico onde a cana era moída,cujo caldo era utilizado na produção do açúcar;e,em um sentido mais amplo,toda a propriedade açucareira,que comportava não apenas a moenda,mas também os fornos,as casas de purgar o açúcar,galpões de estoque,as senzalas (moradias dos escravos),a casa-grande (moradia do senho e de sua família),capela,pastos e roças.As vezes,todo esse conjunto incluía o canavial,onde a cana era plantada e colhida,mas nem sempre,pois também havia canaviais afastados dos engenhos.

O engenho que utilizava moinhos cuja força motriz era hidráulica era conhecido como Real,enquanto o que era movido por animais era chamado de Trapiche.

A manufatura do açúcar era trabalho de grande complexidade,envolvendo várias tarefas específicas: o plantio e o corte da cana,seu transporte até a moenda,a trituração da cana,o aquecimento do caldo até a solidificação,a purga do açúcar,seu encaixotamento e distribuição.Também havia a necessidade de organizar os turnos de trabalho,cuidar dos animais (usados como meio de transporte e,eventualmente,na tração da moenda),controlar os trabalhadores e punir os escravos fugitivos e faltosos.



(Engenho,pintura de Frans Post,1640.São visíveis três elementos característicos do engenho: a casa-grande,a capela e o engenho propriamente dito)



"A empresa do açúcar não envolvia apenas senhores e escravos.Ela abrigava um grupo diversificado de trabalhadores especializados e agregados,que orbitavam em suas franjas,prestando ao senhor de terras seus serviços.Eram mestres de açúcar,purgadores,caixeiros,calafates,caldeireiros,carpinteiros,pedreiros,barqueiros,entre outros.A eles juntavam-se outros grupos a animar a vida econômica e social das áreas litorâneas: mercadores,roceiros,artesãos,lavradores de roças de subsistência e de cana e,até mesmo,desocupados compunham uma complexa fragmentação de pequenos ou grandes proprietários.O número de escravos que possuíam (de dois a dezenas) permitia inferir a diversidade de origens sociais e de situações econômicas.No século XVIII,com o declínio da atividade e o aumento das alforrias,alguns libertos tornaram-se,também,proprietários de partidos de cana."


DEL PRIORE,Mary; VENÂNCIO,Renato Pinto.O Livro de Ouro da História do Brasil.Rio de Janeiro: Ediouro,2001.p.60.


FONTE: Conexões com a História.Volume 2,da colonização da América ao século XIX.Alexandre Alves e Letícia Fagundes de Oliveira.




sábado, 27 de julho de 2013

O Fardo do Homem Branco





Todos sabem que,em fins do século XIX e início do XX,os europeus,me desculpem a expressão,ferraram com a África e a Ásia. Destruíram culturas milenares e exploraram de forma intensa as riquezas dos dois continentes.Tudo com justificativas políticas,emocionais e ideológicas.O homem branco tinha o "dever" de retirar os povos africanos e asiáticos da suposta "barbárie",que,a grosso modo,significa selvageria.



Onde quero chegar ? Todos sabem que,em pleno século 21,o preconceito contra povos oriundos da Ásia,da África e de outros continentes ainda existe. Esse preconceito parte de vários lados, pode ser da América, Ásia, África, Oceania e Europa. Mas vou me ater ao Velho Mundo. O preconceito existente na Europa é algo que chega a assombrar.Vários países do continente tem o grande e "civilizado" sentimento de repúdio a outros povos.



Eu retirei um trecho de uma notícia do site noticias.terra.com.br.Acho que todos sabem dos atos de intolerância sofridos por uma ministra negra,Cécile Kyenge,de origem congolesa:




"Após ser comparada com um orangotango pelo vice-presidente do Senado, Roberto Calderoli, a ministra de Integração da Itália, Cécile Kyenge, de origem congolesa, foi alvo de outro ato de intolerância e desprezo na noite de ontem, quando foi atingida por duas bananas lançadas por militantes do movimento Força Nova, da extrema-direita".





O preconceito,não só na Itália,mas sim em toda a Europa,é algo assombroso.A mentalidade do europeu continua a de séculos atrás.É a "boa" e velha mentalidade dos séculos de imperialismo.A ideia de que o homem branco continua sendo superior aos demais povos está a todo o vapor.O homem branco ainda carrega a ideia de que é superior,segundo eles,aos povos selvagens.Continente Desenvolvido, mas infelizmente com uma mentalidade imperialista. Deixando bem claro que, nem todos os europeus são assim (não vamos generalizar a situação). A Europa não é "um mundo perfeito", isso é pura ilusão, assim como outros lugares, que possuem prós e contras.



sexta-feira, 26 de julho de 2013

A Belle Époque argentina

A grande maioria dos países latino-americanos alcançaram suas   independências na primeira metade do século 19, e, logo depois, atravessaram períodos conflituosos de formação e de consolidação de seus Estados nacionais.

Em fins do século 19, os grupos sociais e políticos dominantes em cada um desses estados buscavam acelerar o crescimento econômico do país e expandir sua participação no mercado internacional.



(Av.Del Mayo,Buenos Aires,final do século XIX)

A Argentina foi o país latino-americano que mais se desenvolveu no final do século 19 e início do 20. A Argentina vivenciou um surto de progresso econômico jamais antes visto.

A partir da década de 1880, as exportações de carnes e de grãos aumentaram significativamente. A carne e os grãos eram exportados para o Brasil e para a Europa. As exportações aumentaram tanto, que, em 1920,o país já era responsável por 50% da carne exportada no mundo. A Argentina passou a importar produtos industrializados ingleses.



(Paseo Colón,Buenos Aires,1900)

A agricultura foi modernizada e o país conquistou, logo após a Primeira Guerra Mundial,a  liderança no mercado internacional de linho e milho.

Nesse período de expansão econômica, as principais cidades argentinas foram reurbanizadas. Buenos Aires, por exemplo, passou por amplo processo de modernização com a implantação de serviços urbanos, como linhas de bonde e de metrô, telefone e luz elétrica.

Toda essa prosperidade estimulou os europeus a emigrarem para a Argentina. Milhões de italianos e espanhóis se instalaram no país, dedicando-se a agricultura e as profissões urbanas (tornaram-se artesãos, pequenos negociantes, operários, empregados do comércio). Os imigrantes garantiram mão de obra farta e barata para o crescimento industrial e também constituíam um grande mercado consumidor. Em 1895, pouco mais de um quarto da população da Argentina era constituída por imigrantes, sobretudo italianos. Por esse motivo, quase toda a população atual da Argentina descende apenas de europeus.



(família europeia em Buenos Aires,início do século XX)

Os governantes procuravam aproximar a cidade das grandes metrópoles europeias, especialmente Paris. Buenos Aires ganhou teatros de ópera, praças e avenidas arborizadas, com elegantes lojas, cafés, teatros e livrarias.




(Confeitaria Pasteur,Buenos Aires,1907)

Os burgueses enriquecidos com o comércio de exportação começaram então a investir em outros negócios. No final do século 19, surgiram as primeiras fábricas e nasceu uma nova classe social: o proletariado. As fábricas, porém, ainda eram poucas. A maior parte do capital estava investido no setor mais lucrativo: a exportação de trigo, carne, lã, milho e linho.




(Congreso de la nácion Argentina,1910)

A impressionante Belle Époque argentina teve, porém, conflitos internos. O movimento operário tornou-se mais combativo com a presença dos imigrantes, que,em geral, eram bastante politizados, e a sociedade civil passou a exigir maior participação nos assuntos políticos.




FONTE (S): BRAICK, Patrícia Ramos. Estudar História - Das origens do homem a era digital. São Paulo: Moderna, 2009.

SCHMIDT, Mario Furley. Coleção Nova História Crítica.

NOGUEIRA, Fausto Henrique Gomes; CAPELLARI, Marcos Alexandre. História.



quarta-feira, 24 de julho de 2013

Cada um com seu ponto de vista

Essa é a minha opinião.Talvez alguns de vocês já devem ter pensado sobre isso...ou não.







A História desde já deve deixar de ser apresentada de forma tradicionalista para os nossos jovens.É o que ocorre com a História do Brasil.Uma região se sobressai sobre a outra,outras regiões são meras coadjuvantes no cenário nacional.É como se não tivessem uma identidade cultural.Sempre fomos condicionados a focar somente para a região Sudeste e o Nordeste açucareiro.Outras regiões não "existem" ou não valem a pena ser estudadas.O mesmo ocorre quando são levados somente em conta eventos ocorridos na Europa e Nos Estados Unidos.O mundo é muito mais do que isso.

Esse caráter determinado pelo tradicionalismo leva o aluno a limitar o seu conhecimento aos grandes acontecimentos das histórias políticas e aos feitos heroicos. Esse tipo de ensino faz com que o aluno não se interesse por criar questionamentos e nem debater os conteúdos estudados em sala de aula, evitando dessa forma, um posicionamento crítico.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Análise Crítica sobre o fime Happy Feet: O Pinguim

Geralmente assistimos a um filme somente pelo simples fato de assistir (um tanto óbvio e estranho).Muitas vezes nem percebemos as mensagens que ele pode nos passar.Por mais que o filme seja chato,sem graça ou entediante,de qualquer forma,ele vem carregado com uma mensagem.O interessante é quando nós captamos essa mensagem...






O filme que está sendo exibido neste exato momento no SBT,Happy Feet,pode ser fruto de uma análise interessante.

O filme Happy Feet conta a história de um pequeno pinguim (Mano) que é parte da espécie de pinguins imperadores que possuem a capacidade de cantar para se prepararem para o acasalamento.Até ai tudo bem...

Todos os pinguins do grupo,inclusive seus próprios pais,não aceitam o fato de que o pequeno pinguim não possua a habilidade do canto e que,no lugar disso,possua um grande talento para a dança.

O mais importante é que,Mano,mesmo não sendo aceito em seu próprio grupo,dançava e era feliz.Afastando-se dos outros pinguins,mano perguntava a si próprio se existia algum lugar em que ele poderia ser aceito do jeito que é.

O filme nos leva a nossa triste realidade,onde o diferente,seja ele portador ou não de alguma deficiência,é excluído da sociedade.O ser dito racional (humano) precisa se "tocar" que o fato de sermos diferentes uns dos outros é o que nos torna verdadeiramente humanos.



João Coelho de Miranda Leão (1869 - 1920)


(João Coelho de Miranda Leão)



João Coelho de Miranda Leão nasceu no município de Maués,antiga Luzéa,em 9 de janeiro de 1869,foram seus pais o capitão Rodrigo José Coelho de Miranda Leão e dona Olímpia Monteiro da Costa Leão.Destacou-se como sanitarista no combate de duas doenças que vitimaram centenas de pessoas em Manaus: a febre amarela e a gripe espanhola.


Miranda Leão iniciou o curso de medicina na Bahia,mas concluiu na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro,em 1899.A tese de conclusão tinha por tema "Secções cirúrgicas dos tendões e suas indicações".





(Aspecto da cidade de Manaus no início do século passado)




Ao chegar em Manaus,o médico assumiu o cargo de inspetor sanitário do Serviço Sanitário do Estado,sendo colaborador do sanitarista Alfredo da Matta.No ano de 1913,Leão tornou-se diretor do Serviço Sanitário e liderou o combate da febre amarela em Manaus,doença que foi extinta em dezembro do mesmo ano.O médico,desde 1909,já tinha apresentado um plano de combate a doença em Manaus.


Em outubro de 1918,Miranda Leão engajou-se na luta contra a gripe espanhola no Amazonas,preparando medidas preventivas contra a pandemia.A gripe atingiu quase 9 mil pessoas de 24 de outubro a 31 de dezembro de 1918,no Amazonas,sendo que 796 vieram a falecer.No primeiro trimestre de 1919 houve ainda 76 óbitos.



O médico deixou publicações sobre as verminoses no Amazonas e a sua terapêutica,sobre o plantio da seringueira e de alimentos da região,profilaxia da varíola,do tifo e da gripe.



No campo da política,foi superintendente do Município de Manaus e era afiliado ao Partido Republicano Amazonense.O médico também participou da fundação de instituições no Estado como a sociedade de Eugênia,o Instituto Geográfico Histórico do Amazonas,sociedade de Medicina e Cirurgia do Amazonas e Sociedade Amazonense de Agricultura.Foi membro também do Clube da Seringueira,que tinha como objetivo discutir e difundir os melhores cultivos da seringueira no Estado.O médico,que cometeu suicídio no dia 26 de junho de 1920,foi um exemplo de que a ciência e a política não são necessariamente excludentes.





A Rua


A rua Miranda Leão – que se inicia na Rua Marquês de Santa Cruz e termina no igarapé de Educandos – recebeu essa nomenclatura em 1920.



A Homenagem a Miranda Leão foi fruto de um projeto de lei criado pelo Intendente Dr.Fulgêncio Martins Vidal em 1920.


“Apresentando este projeto, devo uma explicação aos meus pares, bem assim ao povo deste Município. Proponho a mudança do nome da antiga Rua dos Remédios depois Marechal Hermes, para o nome do pranteado Dr. Miranda Leão, porque o nome do nosso estimado patrício e ínclito Marechal do nosso glorioso Exército já se acham assinalado em belo Grupo Escolar, sendo esta a razão porque pensei em substituir o nome da referida rua, sem querer de modo nenhum trazer a menor desconsideração ao nosso ilustrado Marechal”.
O projeto foi aprovado na reunião do dia 17 de julho de 1920 passando a ser Lei nº 1040.

FONTE (S): Bittencourt, Agnello. Dicionário amazonense de biografias: vultos do passado. Rio de Janeiro. Conquista, 1973. Pág. 359-361.
             www.bauvelho.com.br
           Revista Amazonas faz Ciência                                                                   (texto Júlio Cesar  Schweickhardt)                                                                                                                                                                   



sábado, 20 de julho de 2013

Vale a pena assistir: Mauá e a Industrialização no Brasil

Mauá,o Imperador e o Rei


País: Brasil

Direção: Sérgio Rezende

Ano: 1999

Duração: 135 min




Esse filme é incrível.Assisti ontem.E como diz o título da postagem...vale a pena assistir (mas cada um com a sua opinião).O filme mostra a infância,o enriquecimento e a falência de Irineu Evangelista de Sousa (Paulo Betti),um empreendedor gaúcho que é mais conhecido como Barão de Mauá.Sem dúvidas o primeiro grande empresário brasileiro,autor de uma série de iniciativas modernizadoras para a economia de nosso país no século XIX.Mauá,um visionário da época,destemido em sua luta pela industrialização do Brasil,tanto era bem recebido,como também era desprezado pelo Imperador Dom Pedro II.No decorrer do filme,percebemos vários aspectos do Rio de Janeiro do século XIX: o comércio de escravos,a presença de ingleses,o Rio em processo de urbanização e até a uma cena interessante em que os sinos da igreja começam a badalar e moradores gritam: nasceu o filho do Imperador,Dom Pedro já tem um herdeiro !!! (referiam-se ao nascimento de Dom Pedro II).


Contexto Histórico



(Irineu Evangelista de Sousa,o Barão de Mauá,1813-1889)


O grande pioneiro na história da indústria no Brasil foi o empresário Irineu Evangelista de Sousa (1813-1889),mais conhecido como Barão de Mauá (em 1874 recebe o título de Visconde de Mauá).De família humilde,ele atuou nos mais variados ramos de negócio.Em 1846,ele adquiriu uma pequena fundição em Niterói,que transformou em estaleiro naval,onde chegou a construir mais de setenta navios a vapor e a vela.Mais tarde,participou do projeto de implantação das primeiras estradas de ferro do país,investiu em companhias de água,luz e bondes,reabriu o banco do Brasil (1851) e instalou cabos submarinos ligando telegraficamente o Brasil a Europa,antes de falir,em 1875,e perder todos os seus bens.O Barão de Mauá também criou a Companhia de Navegação e Comércio do Amazonas,cujas linhas regulares foram iniciadas em 1852,com três pequenos vapores,intensificando assim o comércio da região.


Entretanto,apesar dessa ação pioneira,a industrialização no Brasil só ganharia impulso a partir da década de 1880.Em 1881,havia cerca de duzentas fábricas no país;em 1890,esse número havia saltado para 636 estabelecimentos industriais,nos quais trabalhavam cerca de 54 mil funcionários.




Faça o Download do filme pelo site Filmes Épicos : http://www.filmesepicos.com/





quinta-feira, 18 de julho de 2013

O Culto de Mitra

O Deus persa do sol,Mitra,alcançou a posição de ser cultuado com o exército romano,que divulgou sua adoração por toda a sociedade e império romano.Como criador e controlador do cosmos,Mitra era retratado matando um touro,simbolizando a vitória do homem sobre sua natureza animal,da mesma forma que acontecia com o poder político de Roma sobre seus inimigos.

Mitra era adorado em templos subterrâneos onde acontecia o Taurobolium (sacrifício ritual de um touro) e os iniciantes do culto eram batizados com seu sangue.As vezes Mitra era retratado envolvido pelo círculo do zodíaco,possivelmente aludindo ao fim da era de Touro e o início da era de Áries pertinente a época.




No antigo Império Romano,o culto de Mitra era aberto somente aos homens.Esta escultura acima descreve o deus matando um touro,simbolizando a força do sexo masculino e o poder em sua forma mais pura.

Algumas peculiaridades do mitraísmo foram agregadas a outras religiões, como o cristianismo. Por exemplo, desde a antiguidade, o nascimento de Mitra era celebrado em 25 de dezembro.

O mitraísmo entrou em decadência a partir da adoção do cristianismo como religião oficial do Império Romano.A principal razão para a decadência do mitraísmo frente ao cristianismo, foi o mitraísmo não ser tão inclusivo quanto a religião cristã. O culto a Mitra era permitido apenas aos homens, e ainda assim apenas aos homens iniciados em um ritual que acontecia somente em algumas épocas do ano.

FONTE: Almanaque Ilustrado dos Símbolos.Mark O'Connell e Raje Airey.

A Ascensão do Totalitarismo

Entre o fim da Primeira Guerra Mundial (1918) e o começo da Segunda (1939),a Europa viveu uma das mais graves crises de sua história,cuja marca mais terrível foi o surgimento de uma nova forma de poder político e de organização do Estado: o totalitarismo.


O que é Totalitarismo ?


De acordo com o Dicionário de Política,1993.v.2 totalitarismo pode ser definido como:

O totalitarismo é uma forma de organização do Estado na qual todo o poder se concentra nas mãos de um pequeno grupo de pessoas,organizadas sob a forma de partido único.Esse partido conta geralmente com uma base de massas,mas apenas seus dirigentes têm poder de decisão.Os líderes intermediários ocupam postos na hierarquia do governo,de tal forma que a máquina do partido se confunde com o aparelho do Estado.

Essa superposição entre a organização partidária e a administração do Estado só é possível porque o grupo no poder suprime todas as liberdades individuais e coletivas e instala um regime de terror total contra a nação.O Estado totalitário,portanto,é um Estado policial que exerce uma vigilância permanente sobre a vida cotidiana dos cidadãos,controlando até mesmo a vida pessoal e familiar dos indivíduos.Trata-se de um caso de extremo autoritarismo.

Uma de suas principais características é o grande uso dos meios de comunicação de massa para difundir a ideologia do regime,exaltar o governo e a figura do líder.O chefe de um regime totalitário é o depositário de toda a ideologia,sendo encarado como um indivíduo excepcional,dotado de qualidades quase sobrenaturais.

Os regimes totalitários se estabeleceram es diversos países europeus após a Primeira Guerra Mundial.Nesta postagem serão abordadas as três principais formas de manifestação do totalitarismo na Europa: o fascismo italiano,o nazismo alemão e o stalinismo soviético.


O Fascismo Italiano


A Itália foi o primeiro país ocidental onde se instalou um regime totalitário.

Aliados das nações vencedoras da Primeira Guerra Mundial,os italianos ficaram insatisfeitos com os resultados do conflito.Além das perdas materiais e humanas sofridas (cerca de 670 mil mortos e 1 milhão de feridos)os italianos receberam bem menos do que fora prometido pelos aliados: obtiveram apenas alguns territórios alpinos antes pertencentes a Áustria e regiões balcânicas de população eslovena e croata.

Nessas circunstâncias,difundiu-se entre a população da Itália um profundo ressentimento contra as grandes potências democráticos-liberais da Europa,ao qual vinha somar-se uma crescente insatisfação social em razão da inflação,da carestia e do desemprego decorrentes da Guerra.

Entre 1919 e 1920,cerca de 3 milhões de trabalhadores urbanos,animados com o exemplo russo,promoviam greves e rebeliões armadas,que incluíam a tomada de fábricas e de fazendas.Com isso,cresceu o receio da alta burguesia e das classes médias de uma insurreição operária.

Em meio a essas condições,em 1919 um ex-combatente chamado Benito Mussolini (1883-1944) fundou um grupo nacionalista de extrema direita conhecido como Fascio de Combattimento.Seu símbolo,um feixe de varas (fascio) atado à lâmina de um machado,havia sido também um dos emblemas do Império Romano.Com ele,Mussolini queria dizer que era preciso reconquistar o antigo poderio de Roma.



(Símbolo do Fascismo)



Os Fasci de Combattimento espalharam-se pela Itália divulgando suas idéias ultranacionalistas,anticomunistas e antiliberais.Eles lutavam pela instauração de um governo forte e autoritário capaz de destruir os grupos de esquerda (comunistas e socialistas) e de pôr um fim às greves e manifestações operárias,vistas por Mussolini como desordem.

Com mais de 300 mil adeptos no início dos anos 1920,os Fasci de Combattimento contavam com milícias armadas e uniformizadas com camisas negras,que espalhavam o terror pelo país.Os integrantes dessas milícias,conhecidos como camisas-negras,assassinavam militantes de esquerda,dissolviam manifestações operárias e intimidavam políticos de orientação democrática,tudo sob os olhares complacentes do governo.

Em 1921 os Fasci di Combattimento se unificaram em torno da autoridade de Mussolini e se constituíram em Partido Nacional Fascista.Sua base de apoio era formada sobretudo por desempregados,ex-combatentes,pessoas das classes médias,além de industriais e proprietários de terra temerosos de que a Itália se transformasse em palco de uma revolução comunista.Nas eleições para parlamentares de 1921,35 fascistas foram eleitos deputados.Entre eles,Mussolini.

Em 1922,numa demonstração de força,cerca de 30 mil camisas-negras,sob a chefia de Mussolini,invadiram a capital italiana,ocupando prédios públicos e estações ferroviárias.O episódio ficou conhecido como Marcha sobre Roma.Dois dias depois,o rei Vitor Emanuel III convidou Mussolini para ocupar o cargo de primeiro-ministro.O fascismo chegava ao poder.



(Marcha sobre Roma)


Entre 1922 e 1925 Mussolini governou juntamente com outras forças políticas.Gradativamente,porém,ampliou seus poderes e se impôs como verdadeiro ditador.O Parlamento perdeu sua autoridade e os partidos políticos,com exceção do Partido Nacional Fascista,foram extintos.Os prefeitos e chefes locais perderam seus cargos e foram substituídos por seguidores de Mussolini.

Foi criada uma polícia política secreta para perseguir opositores do regime,o que levou 300 mil pessoas a se refugiarem no exterior;o governo implantou forte censura aos meios de comunicação e suprimiu o direito de greve.Todas as organizações que não fossem fascistas tornaram-se ilegais.No início dos anos 1930,o duce (guia),como era conhecido Mussolini,já centralizava todo o poder.


A Itália Dominada



(Mussolini saúda o povo em Pádua,Itália,em setembro de 1938)

Os fascistas acreditavam se fundamental doutrinar as crianças e os jovens.Nas escolas e universidades os professores eram obrigados a exaltar as realizações do regime e aspectos da vida do duce.Também foram criadas organizações que promoviam festas,competições,acampamentos,atividades ao ar livre e que transmitiam aos jovens a ideologia fascista.

Mussolini valeu-se dos meios de comunicação de massa para conquistar o apoio da população.Para tanto,utilizou amplamente jornais,rádios e documentários que divulgavam os feitos de seu governo e cultuavam sua figura,divulgada como a de um homem enérgico,atlético e trabalhador (políticos em época de candidatura ? sim ou claro ?).

Dois outros aspectos da política fascista contribuíram para sua consolidação entre a população italiana.O primeiro foi a intervenção maciça do Estado nas atividades econômicas.Isso ocorreu principalmente após o crash da Bolsa de Nova York,em 1929.Para debelar a crise,o Estado fascista lançou um amplo programa de obras públicas (estradas,pontes,etc.) e incentivou a produção de armas.Essa medidas fizeram baixar o desemprego.

O segundo aspecto dessa política foi a instituição,em 1927,da Carta del Lavoro (Carta do Trabalho),na qual se combinavam concessões aos trabalhadores com medidas de controle policial sobre eles.A carta estabelecia,por exemplo,o seguro contra acidentes de trabalho e a jornada de oito horas,mas proibia as greves e extinguia os sindicatos.

Mussolini aproximou-se da Igreja Católica e,em 1929,firmou o Tratado de Latrão com o papa Pio XI.O tratado regularizava o território dos Estados Pontifícios,reduzidos ao Vaticano,encerrando uma disputa que datava da conquista de Roma,no processo de reunificação italiana.

Na década de 1930 a Itália aproximou-se da Alemanha Nazista.Em 1935 Mussolini ordenou a invasão da Etiópia,único país africano,ao lado da Libéria,ainda não dominado pelos europeus.

E quando se pensa que não poderia ficar pior...Eis que,em 1933,o nazismo chegou ao poder na Alemanha.


O Nazismo na Alemanha


Ao terminar a Primeira Guerra Mundial,a Alemanha entrou em uma crise de grandes proporções.Estimulados pela consolidação da Revolução Russa de 1917,os trabalhadores alemães saíam às ruas,os soldados se amotinavam.Com a abdicação do imperador Guilherme II,dois dias antes do armistício que pôs fim ao confronto mundial,Líderes da oposição proclamaram a República e constituíram um governo provisório liderado pelo Partido Social-Democrata (socialista moderado).

Em janeiro de 1919,operários,soldados e marinheiros tentaram tomar o poder por meio de uma insurreição armada.À frente da rebelião colocaram-se os socialistas da Liga Espartaquista,liderados por Rosa Luxemburgo (1871-1919) e Karl Liebknecht (1871-1919).A revolta fracassou e os dois líderes foram presos e executados.Nesse mesmo ano realizaram-se eleições para uma Assembléia Constituinte,reunida na cidade de Weimar.Nascia,assim,a chamada República de Weimar (1919-1933),primeira experiência democrática da história da Alemanha.

Os anos iniciais da nova República foram difíceis.O país não tinha dinheiro para pagar as indenizações de guerra e sofria uma das maiores inflações de todos os tempos.O preço das mercadorias subia várias vezes no mesmo dia.Em abril de 1922,por exemplo,um dólar valia mil marcos;em setembro do ano seguinte,era equivalente a 350 milhões de marcos.

A economia alemã só voltou a se estabilizar a partir de 1924,graças a investimentos de capitais norte-americanos.Entretanto,a população continuou insatisfeita com os termos dos tratados de Paz que puseram fim à Primeira Guerra Mundial.Esse sentimento de orgulho nacional ferido estimulou a formação de grupos ultranacionalistas que tinham em mente a instauração de um governo forte,capaz de unificar os alemães e lutar pela recuperação da grandeza nacional.





Um desses grupos era o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (que,em alemão fica Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei,daria origem a expressão nazista),formado em 1919.Liderado pelo austríaco Adolf Hitler (1889-1945),suas fileiras eram compostas por comerciantes falidos pela crise,desempregados,ex-militares,etc.Da mesma forma que os fascistas italianos,os nazistas alemães também se organizavam em grupos paramilitares.Suas milícias eram conhecidas como SA,sigla em alemão para "tropas de assalto".Além de reprimir violentamente os comunistas e os socialistas,as SA faziam a segurança dos comícios nazistas.

Em 1923,influenciado pela Marcha sobre Roma de Mussolini,Hitler tentou dar um golpe de Estado na cidade de Munique.A tentativa - Putsch de Munique,como ficou conhecida - fracassou e Hitler foi preso.Permanecendo por um ano na cadeia,Hitler escreveu o livro Mein Kampf (Minha Luta),no qual sistematizou a ideologia nazista.




(Mein Kampf)



No livro,Adolf defendia a superioridade dos povos arianos - considerados puros pelos nazistas e dos quais descenderiam os alemães - sobre judeus,eslavos,ciganos,negros e outros grupos humanos.Para Adolf,os judeus seriam,juntamente com os comunistas,causadores de quase todos os males do mundo.Mein Kampf defendia ainda o direito dos alemães a um "espaço vital",ou seja,um território na Europa que agrupasse os povos germânicos num só império.

No início de toda essa loucura,o apoio a Adolf era pequeno.A partir de 1930,porém,a Grande Depressão iniciada com o crash da Bolsa de Nova York arruinou as classes médias e causou o desemprego de milhões trabalhadores alemães.A crise serviu para aumentar ainda mais o sentimento de humilhação que atingia a população alemã desde 1918.Muitas pessoas passaram a desejar o aparecimento de um líder carismático capaz de resgatar a "honra nacional" e de colocar a Alemanha outra vez entre as grandes potências.Com sua exaltação da "raça ariana",Hitler parecia a muitos ser esse líder predestinado.O Partido Nazista passou,então,a crescer cada vez mais.

Entre 1930 e 1932,o número de deputados nazistas no Parlamento Alemão aumentou de 170 para 230.No ano seguinte,o presidente da Alemanha,marechal Paul von Hindenburg,convidou Hitler para ocupar o cargo de chanceler (primeiro-ministro) de seu governo.




(Adolf Hitler)


Com a morte de Hindenburg em agosto de 1933,Hitler o substitui no cargo de presidente e assume o título de Fuhrer (chefe),dando início ao Terceiro Reich Alemão (o Primeiro Reich foi o Sacro Império Romano-Germânico;e o Segundo,o da unificação alemã conquistada por Bismarck em 1870).


O Terror Nazista




Sendo um verdadeiro senhor absolutista,Hitler anulou a Constituição de 1919,instituiu a censura e suspendeu os direitos e garantias civis.Membros da Gestapo,a polícia secreta alemã,e da SS,tropa de elite nazista,passaram a perseguir,prender e torturar líderes religiosos,ciganos,homossexuais,judeus,líderes sindicais,comunistas e opositores em geral.Alcoólatras,doentes mentais e deficientes físicos eram internados a força e submetidos a cirurgias de esterilização.

Muitos intelectuais,cientistas e artistas contrários ao nazismo viram-se obrigados a exilar-se no exterior,como o físico Albert Einstein (1879-1955),o dramaturgo Bertolt Brecht (1898-1956),o escritor Thomas Mann (1875-1955),e muitos outros.Os que decidiam permanecer corriam o risco de ser enviados a campos de concentração.Em 1933,havia nesses campos 40 mil presos políticos.

A partir de 1934,o anti-semitismo tornou-se política oficial do Estado.Os judeus não podiam mais trabalhar em órgãos públicos,seus bens foram confiscados e eles ficaram proibidos de se casar com pessoas consideradas arianas.

Além do Terror,a propaganda sob o comando do ministro Joseph Goebbels (1897-1945),teve papel fundamental para a consolidação do nazismo.A ideologia nazista era difundida das mais variadas formas: documentários cinematográficos,programas de rádio,pôsteres e cartazes.Os comícios de Hitler,que reuniam milhares de pessoas,eram minuciosamente preparados para demonstrar o poder do Fuhrer e do povo alemão.

A divulgação da ideologia nazista também envolvia as crianças na sala de aula.Desde pequenas,elas eram ensinadas a ter orgulho de pertencer a raça ariana e a venerar e prestar obediência ao Fuhrer.





Com a recuperação econômica do país,a popularidade do regime cresceu.Essa recuperação foi obtida pela intervenção do Estado,que promoveu a realização de obras públicas,impulsionou a indústria de armamentos e estabeleceu formas de planejamento econômico.Grandes capitalistas internacionais e nacionais também ajudaram financeiramente o governo nazista.




Entusiasmado com o crescimento econômico,Hitler passou a transgredir as determinações do Tratado de Versalhes,que pôs fim a Primeira Guerra Mundial: remilitarizou a Alemanha e colocou em prática uma política expansionista.Abria caminho,assim,para a Segunda Guerra Mundial.


O Stalinismo Soviético




(Josef Stalin)


Em dezembro de 1925,pouco mais de um ano depois da morte de Lenin,Josef Stalin (1879-1953) assumiu oficialmente o comando da União Soviética.Com o pretexto de "construir o socialismo em um só país",o novo líder centralizou cada vez mais o poder,derrubou a vida democrática no interior dos soviéticos,suprimiu os direitos dos cidadãos (uma coroa e temos um rei absolutista.Isso vale para todos os totalitaristas citados nessa postagem),prendeu e eliminou seus opositores e criou um Estado totalitário de partido único,o Partido Comunista da União Soviética - PCUS,rígido e burocrático.








Para modernizar o país e fazê-lo crescer economicamente,o líder soviético pôs em ação,a partir de 1928,os chamados planos quinquenais,que consistiam em programas de desenvolvimento baseados na planificação econômica.A Nova Política Econômica (NEP) de Lenin foi deixada para trás e a economia soviética foi toda estatizada.

O governo investiu na Indústria pesada (máquinas e equipamentos) em detrimento da indústria de bens de consumo.Foram construídas siderurgias,indústrias químicas e petrolíferas,fábricas de tratores e de equipamentos agrícolas.Com isso,a produção de aço passou de 1,4 milhão de toneladas em 1922 para 38,1 milhões em 1953,ano em que morreu o ditador soviético.

No campo,o governo aplicou a política de coletivização forçada,com a estatização das propriedades rurais,transformadas em fazendas coletivas de grande porte (sovkhoses) e grandes cooperativas (kolkhoses).O governo promoveu uma reforma educacional que praticamente acabou com o analfabetismo no país.Os sistemas de transporte,habitação e saúde tornaram-se acessíveis a população.

Contudo,os direitos individuais e coletivos foram praticamente suprimidos,as greves proibidas e o terror de Estado transformado em um dos componentes da vida soviética.A polícia secreta perseguiu os opositores do regime e até mesmo antigos aliados.Entre 1936 e 1938 milhares de cidadãos foram detidos;muitos acabaram sendo executados.

Os camponeses que se rebelaram contra a coletivização forçada foram deslocados para outras regiões do país.Muitos foram enviados para os Gulags,campos de trabalhos forçados criados em todo o país para abrigar os opositores do regime.




(prisioneiros de um campo do Gulag no trabalho,1936-1937)


O Stalinismo também silenciou uma geração extremamente criativa de intelectuais e artistas,como o cineasta Sergei Eisenstein (1898-1948) e a poetisa Anna Akhmatova (1889-1966).Sem esperanças com o stalinismo e atormentados pela polícia secreta,muitos se suicidaram,como foi o caso do poeta Vladimir Maiakovski (1893-1930).

Dominada pelo governo,a imprensa tornou-se uma propagandista do regime.Graças a ela e aos departamentos de propaganda,Stalin era cultuado por meio de paradas militares e imensos retratos,em todas as regiões do país.O sonho de uma sociedade igualitária e democrática dos primeiros socialistas se transformou no pesadelo de um Estado policial ferreamente controlado pela liderança do Partido Comunista.


FONTE(S):  Dicionário de Política,1993.
                 História,volume único.Gislane e Reinaldo
                 Filosofando.Introdução a Filosofia.Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins.