sexta-feira, 28 de março de 2014

Esse "leite da moça"

Detalhe do rótulo de 1925.


Texto interessante sobre a origem da marca "Leite Moça". Tudo começa com a dificuldade de pronunciar o nome inglês 'Milkmaid', tradução de 'La Laitière', que significa 'vendedora de leite'.


" A jovem com trajes típicos que aparece no rótulo da embalagem é uma camponesa suíça do século 19. Naquela época, o leite condensado mais popular da Suíça tinha a marca 'La Laitière', que significa 'vendedora de leite'. Quando esse leite foi exportado para outros países, procurou-se um nome equivalente na língua de cada região para onde o produto foi levado [...]. No Brasil, quando o produto começou a ser importado, em 1890, adotou-se inicialmente, por falta de um equivalente adequado em português, o nome inglês 'Milkmaid', tradução de 'La Laitière'. Mas as pessoas tinham dificuldade para pronunciar esse nome e passaram a chamar o produto de 'esse leite da moça', referindo-se à ilustração da camponesa. Assim, quando a Nestlé iniciou a produção do leite condensado no país, em 1921, optou pela solução lógica de utilizar uma designação criada espontaneamente pelos consumidores. Foi assim que surgiu a tradicional marca Leite Moça. "

Museu virtual história da propaganda. Disponível em: www.memoriadapropaganda.org.br. Acesso em: 28/02/2014.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.leitecondensado.com/

quinta-feira, 27 de março de 2014

Descaso com a cultura Amazonense

Arlindo Porto fará conferência sobre o antropólogo e ex-bispo do Amazonas D. Frederico Costa.

"Ontem foi um dia para ser esquecido na Academia Amazonense de Letras. 

Por falta de pagamento - neste ano, nem estado nem município repassaram as verbas de manutenção da AAL -, a Manaus Energia, cujos dirigentes e gerentes não devem ter a mínima noção do que seja a Casa de Adriano Jorge, cortou o fornecimento de energia elétrica.

O bravo presidente Armando de Menezes está fazendo o impossível para reverter a situação.

Mas, se até a hora da palestra de Arlindo Porto, ex-presidente da Casa, a situação não estiver normalizada, a palestra acontecerá mesmo assim: com as janelas abertas e o vozeirão de Arlindo a ecoar no salão do Pensamento Amazônico."

Texto e Imagem por: Palavra do Fingidor, ensaios contos & outras prosas.


Vergonha. Os governantes cada vez mais renegando a própria cultura. Que venha a Copa, onde vamos financiar o divertimento de poucos por um curto período de tempo. Voltamos ao período da Colônia ? República Velha, talvez ?

quarta-feira, 26 de março de 2014

O Despotismo Esclarecido

"Frederico II, o Grande", de Antoine Pesne.

Podemos entender o Despotismo Esclarecido como a união de princípios filosóficos com o regime absolutista.

No século 18, estimulados por filósofos iluministas, reis e príncipes tentaram governar de acordo com a razão, segundo os interesses da população e de seus Estados, mas claro, sem perder seus postos de Absolutistas. Portanto, era um absolutismo "maquiado".

Os principais déspotas esclarecidos foram o rei da Prússia, Frederico II, a czarina Catarina II, o imperador da Áustria José II e os ministros Pombal e Aranda, de Portugal e Espanha.

Na Prússia, Frederico II, rei filósofo e discípulo de Voltaire, indiferente à religião, deu liberdade de culto. Estimulou o ensino básico, tendo ele mesmo baixado o princípio de instrução primária obrigatória para todos. Apesar da expulsão de quase todos os países da Europa e de suas colônias, pelas suas ligações com o papado, atraiu-os para a Prússia por causa de suas qualidades como educadores. A tortura foi abolida  e um novo código de justiça foi organizado. Exigia obediência total às ordens mas permitia liberdade de expressão e de culto. Procurou estimular a economia da Prússia, adotando medidas protecionistas, contrárias, aliás, às idéias iluministas. No entanto, preservou a ordem social existente. A Prússia permaneceu um Estado Feudal, com servos sujeitos à classe dominante dos proprietários, chamados Junkers.

"Catarina II, a Grande", de Fyodor Rokotov.

Na Rússia, muitas propagandas foram feitas, mas poucos mudanças ocorreram. Catarina II atraiu os filósofos franceses à sua corte e mantinha com eles correspondência regular. Muito se prometeu, mas pouco se realizou. É verdade que deu liberdade religiosa e preocupou-se em desenvolver a educação das altas classes. Mas o necessário piorou. A servidão não foi abolida e os direitos dos proprietários sobre os servos da terra foram aumentados, inclusive os de condenar à morte. Melhorou a administração e estimulou a colonização da Rússia Meridional, na Ucrânia e no Volga. A mudança mais radical foi o afrancesamento dos costumes da alta sociedade russa.

"Kaiser José II", de Georg Decker.


Talvez o monarca que mais botou em prática o Despotismo esclarecido tenha sido José II, da Áustria. Aboliu a escravidão. Deu igualdade a todos perante a lei e os impostos. Uniformizou a administração de todo o Império. Deu liberdade de culto e direito de emprego aos católicos. Houve reações às suas reformas na Hungria e um levante dos belgas nos Países Baixos.


"Pedro Pablo Abarca de Bolea y Jiménez de Urrea, 10° Conde de Aranda", de José María Galván.

Na Espanha, Pedro Pablo, 10° Conde de Aranda, pôs em execução uma série de reformas. O comércio interno foi liberado. A indústria de luxo e tecidos de algodão foi estimulada. A administração foi dinamizada, com a criação de intendentes que fortaleceram o poder do rei Carlos III.


"Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal", de Louis Michel van Loo e Claude Joseph Vernet.

As mudanças feitas pelo Marquês de Pombal, no século 18, conhecidas como Reformas Pombalinas, mudaram Portugal e suas colônias nos aspectos econômicos, administrativos e sociais. Incentivou a indústria naval, de vinho, peixes, diamantes, seda e chapéus. No controle econômico, criou companhias de comércio, que detinham o monopólio nas colônias. Pombal perseguiu a nobreza e, principalmente, o Clero, cujo maior exemplo que temos é a expulsão dos Jesuítas tanto de Portugal quanto de suas colônias. Tais reformas visavam transformar Portugal em uma metrópole capitalista, seguindo o exemplo da Inglaterra.



FONTES: História Contemporânea. (Coleção Objetivo, Sistema de Métodos de Aprendizagem). Livro 29. [s.d].

Marquês de Pombal e a Reforma Educacional Brasileira. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/periodo_pombalino_intro.html Acesso em: 27/02/2014.


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sábado, 22 de março de 2014

A Inquisição Protestante

"Martinho Lutero", de Lucas Cranach.

Nos locais onde o Protestantismo era dominante, foram usadas estratégias de controle de fé. Perseguições por crimes de adultério, discordância de dogmas dos protestantes e bruxaria foram realizadas em nome da nova religião, nascida de uma Reforma.

Na Alemanha, o líder protestante Martinho Lutero exigiu perseguições aos anabatistas, grupo cristão mais radical da Reforma, porque, entre outras questões, eles não aceitavam as regras da Igreja Evangélica e divergiam sobre o batismo.  A decisão causou a expulsão, o encarceramento, a tortura e a execução de milhares de pessoas. Lutero também divulgou textos com críticas aos judeus - embora sem maiores repercussões na época, estes escritos foram utilizados mais tarde na Alemanha Nazista.

João Calvino.

Em Genebra, um dos berços da Reforma Protestante e onde ela se mostrou bastante radical, funcionou uma verdadeira “polícia da fé”. João Calvino (1509-1564), devido à sua autoridade sobre os protestantes suíços, era conhecido como o “papa de Genebra”. Ao organizar a Igreja Presbiteriana, instaurou comissões compostas de religiosos e leigos: a Venerável Companhia, responsável pelo magistério, e o Consistério, que zelava pela disciplina religiosa. Para isso, promovia confissões, denúncias, espionagens e visitas às residências, levando muitos à prisão, à tortura, ao julgamento e, em alguns casos, à morte.
A população era proibida de cultivar certos hábitos, como jogar, dançar e representar. Alguns pensadores foram perseguidos, como o médico e humanista espanhol Miguel Servet Griza. Ele foi preso, condenado e queimado em efígie – representado por um boneco. Fugiu em direção à Itália, mas acabou preso em Genebra, onde foi processado pelo Conselho presidido por Calvino e queimado por causa de proposições vistas como antibíblicas e heréticas, entre outras culpas.
Na Inglaterra, uma verdadeira caça às bruxas levou à morte centenas de mulheres acusadas de feitiçaria. A experiência persecutória inglesa foi ainda “exportada” para as colônias na América do Norte, como no famoso episódio das “bruxas de Salem”, ocorrido em Massachusetts, em fins do século XVII, em que várias adolescentes foram mortas, acusadas de promover reuniões em torno de uma fogueira nas quais, supostamente, invocavam espíritos.

FONTE: ASSIS, Angelo Adriano Faria de. Inquisição Protestante. Revista de História da Biblioteca Nacional. 27/10/2011.

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sexta-feira, 21 de março de 2014

Rousseau e o discurso sobre a Desigualdade

Jean - Jacques Rousseau, 1753, de Maurice Quentin de La Tour.

Rousseau, um dos mais importantes filósofos do Iluminismo, defendia a liberdade e a igualdade entre os homens. Expressa por meio desse discurso, os dois tipos de desigualdades existentes (natural e moral) e como elas surgiram. Além disso, afirmava que o poder político repousava sobre o povo (somos os verdadeiros soberanos).

" Concebo, na espécie humana, dois tipos de desigualdade: uma que chamo natural ou física, por ser estabelecida pela natureza e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito e da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção e que é estabelecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens. Esta consiste nos vários privilégios de que gozam alguns em prejuízo dos outros, como serem mais ricos, mais poderosos e homenageados do que estes, ou ainda por fazerem-se obedecer por eles.

Não se pode perguntar qual a fonte da desigualdade natural, porque a resposta estaria enunciada na simples definição da palavra. Pode-se, ainda menos, procurar a existência de qualquer ligação essencial entre essas duas desigualdades, pois, em outras palavras, seria perguntar se aqueles que mandam valem necessariamente mais do que os que obedecem, se a força do corpo ou do espírito, a sabedoria e a virtude sempre se encontram, nos mesmos indivíduos, na proporção do poder ou da riqueza: tal seria uma boa questão para discutir entre escravos ouvidos por seus senhores, mas que não convém a homens razoáveis e livres, que procuram a verdade.

(...) O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: defendei-vos de ouvir este impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém! ".


Coleção Os Pensadores, Editora Abril, Livro 24. Pgs. 241 e 265.


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A Origem da palavra "Baitola"

Francis Reginald Hull, popularmente conhecido como Mister Hull.

No dicionário, a palavra "baitola" (um termo chulo) refere-se ao homossexual. A origem da expressão remonta ao final do século 19 e início do 20, quando estava ocorrendo a construção de uma linha férrea no Nordeste do Brasil.

Em 1913, chegou ao Ceará o inglês Francis Reginald Hull, conhecido como Mister Hull (pronuncia-se Ráu). Antes de chegar ao Ceará, Mister Hull já tinha, anteriormente, passado pelo Brasil. Sua primeira parada foi São Paulo, em 1892, onde, como Engenheiro Assistente da São Paulo Railway (Santos/Jundiaí), ficou encarregado dos levantamentos topográficos e da localização de dois terços do ramal ferroviário, no alto da Serra do Mar, onde após alguns meses foi promovido a Chefe da 3a Secção.

Regressa ao Brasil em 1895, desembarcando no Porto de Santos. Foi incumbido da construção de parte dos Novos Planos Inclinados da Serra do Mar. Entre as obras d’arte por ele executadas incluem-se: três túneis, três viadutos com  estrutura metálica, viadutos de pedra e cimento portland e trinta eclusas abobadadas.

A Origem

Bitola, no dicionário, significa a distância entre dois trilhos (em português europeu, trilhos são carris).

Pois bem. Mister Hull, que era homossexual assumido, quando ia pronunciar essa palavra, falava de forma anglófona, e exclamava "baitola". Quando Hull passava pelos trabalhadores da ferrovia, que não gostavam muito da forma como eram tratados (Mister Hull, mesmo sendo homossexual, fora criado em uma sociedade rígida, e, como chefe, era autoritário), eles diziam: "lá vem o baitola", "lá vem o baitola". Com isso, essa expressão virou sinônimo de homossexualismo. Vale lembrar que, o conhecimento que existe sobre a origem dessa palavra, possui pouca documentação. O que sabemos vem da história oral, a velha "sabedoria popular".

Era um profundo conhecedor da meteorologia, da climatografia nas suas variadas manifestações no Ceará.

Mr. Hull desembarca pela terceira vez no Brasil, desta vez em Ilhéus-Bahia. No dia 5 de abril de 1921 é designado Vice-Cônsul de Ilhéus e logo após, Superintendente Geral da The State of Bahia South Western Railway Company ,Limited. Desenvolveu um intenso trabalho no projeto e execução da construção da ferrovia unindo Ilhéus à Vitória da Conquista, que lhe valeu o reconhecimento público e participar em um romance de Jorge Amado no personagem do “coronel inglês”.

Retorna ao Ceará a 6 de maio de 1933, desta vez definitivamente, como Superintendente da The Ceará Tramway Light & Power Co. Ltd., dividindo seu  tempo com atividades de Vice-Cônsul do Governo Britânico no Ceará. Faleceu em 1951, no estado que sempre amou. Dá nome a uma importante avenida de Fortaleza.


FONTES: Mister Hull - Francis Reginald Hull. Disponível em: http://www.bairroantoniobezerra.com.br/BAB/modules/mastop_publish/?tac=Quem_foi_Mister_Hull%3F Acesso em: 21/03/2014.

A curiosa história do inglês "baitola". Revista Veja. 18/12/2013.

A origem da palavra "baitola". Disponível em: http://mais.uol.com.br/view/iuht4ucp3jku/a-origem-da-palavra-baitola-04024D9A3862C0994326?types=T& Acesso em: 21/03/2014.


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terça-feira, 18 de março de 2014

O caso de Felipa de Souza

Ilustração representando o julgamento de Felipa de Souza.

Por muito tempo, a privacidade foi algo praticamente inexistente no Brasil. Escândalos sexuais e "puladas" de cerca eram frequentes. Muitas pessoas, por causa de sua opção sexual, foram duramente punidas pelas autoridades da época. Veja só um caso do século 16, ocorrido na Bahia.

Felipa de Souza nasceu 1556, na cidade de Tavira-Algarve, Portugal. Não se sabe quando veio para o Brasil. Viúva, casou-se com o pedreiro Francisco Pires, em Salvador. Era alfabetizada, um fato extraordinário na época.

Felipa foi denunciada ao Santo Ofício e presa por práticas (relação sexual com pessoa do mesmo gênero), em 1591. Felipa confessou seus relacionamentos, envolvendo mais 6 mulheres, residentes em Salvador. Quem lhe denunciou foi Paula Siqueira, uma cristã-velha, acusada de possuir um livro proibido em sua casa, revelou seu romance com Felipa. Ela afirmou que

"... estando ela confessante em sua casa nesta cidade, veio a ela a dita e ambas tiveram ajuntamento carnal uma com a outra por diante e ajuntando seus vasos naturais um com o outro, tendo deleitação e consumando com efeito o cumprimento natural de ambas as partes como se propriamente foram homem com mulher ".

No final do século 16, 29 mulheres foram condenadas na Capitania da Bahia por manterem romances com pessoas do mesmo sexo. Felipa foi a que teve a punição mais severa.

" foi obrigada a ouvir sua sentença na igreja da Sé, em pé, com uma vela acesa na mão e trajando uma veste de linho cru áspero usada para identificar os heréticos, enquanto seus pecados e crimes eram declamados em voz alta ".  

Depois disso, foi açoitada em praça pública (no pelourinho), e expulsa da Capitania da Bahia. A denunciante, Paula, possivelmente por ser mulher do Provedor da Fazenda, teve uma pena mais leve. Foi condenada a 6 dias de prisão, ao pagamento de 50 cruzados, duas aparições públicas como ré e algumas penalidades espirituais.

O caso de Felipa foi dos piores no que diz respeito a violência contra a mulher e a opção sexual.


FONTES: Felipa de Souza (1556 - 1600). Disponível em: http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/FelipaSz.html Acesso em: 18/03/2014.

Textos da Inquisição revelam origens da sexualidade liberal dos brasileiros. Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/05/textos-da-inquisicao-revelam-origens-de-sexualidade-liberal-dos-brasileiros.html Acesso em: 18/03/2014.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://g1.globo.com/




domingo, 16 de março de 2014

O Banho durante a Idade Média

"Cena em recinto de banhos públicos", gravura de Virgil Solis.

O banho no Ocidente era uma herança dos antigos gregos. Quem herdou esse hábito foram os romanos. É interessante o fato de que, esse hábito era praticado por três motivos: higiene, espiritualidade e esporte. Este último, era originário da natação, um dos três pilares da educação dos jovens, como comprovam várias representações em vasos de cerâmica pintados naquele período.

As termas, grandes balneários públicos, eram os locais onde se tomava banho. As maiores de Roma eram as de Caracala, inauguradas em 217, e as de Diocleciano, do ano 305. Nos banhos, a deusa das artes e da sabedoria, Minerva, era adorada.

Durante a Idade Média, a Cristandade varreu as termas da Europa, isso porque era um local onde as pessoas se expunham demais. Nas palavras do Papa Gregório I o "corpo é a abominável vestimenta da alma", ou seja, a fonte de todos os pecados. Para piorar a situação, homens e mulheres passaram a se prostituir no interior das termas. Com isso, o banho passou a ser visto como um ato de Luxúria.

lavar somente as mãos e o rosto, ou um banho por ano, era o recomendável. Nas famílias menos abastadas, uma única tina abastecia todos os membros. O primeiro a banhar-se era o chefe da família. Logo depois vinham outros homens da casa, por ordem de idade, a seguir as mulheres, também por idade e depois as crianças. Por último vinham os bebês. Na sua vez, a água, que não era trocada, já estava bastante suja. Quando a água estava em falta, a limpeza era feita esfregando um pano úmido.

Muita maquiagem, perfumes e uma limpeza no cabelo. Era assim que os nobres, que só tomavam banho a cada dois dias, amenizavam os fortes odores que exalavam.

A falta de higiene favoreceu o surgimento de epidemias devastadoras. A pior delas foi a Grande Peste, que dizimou cerca de 200 milhões de pessoas na Idade Média. Outra questão interessante foi o massacre contra os judeus nessa época. A Igreja começou a notar que eles dificilmente contraiam a doença, e com isso a Inquisição os condenava por bruxaria. Mas porque os judeus não adoeciam ? Por duas simples práticas: Lavar as mãos antes das refeições e tomar banho pelo o menos uma vez na semana.

Depois de séculos, os europeus voltaram a deliciar-se em banhos. Nas guerras religiosas travadas entre os séculos 11 e 13, os cavaleiros cristãos enviados ao Oriente levaram para a Europa o Banho Turco. Nele estavam inclusos a depilação, massagem, branqueamento dos dentes e maquiagem. O medo foi desaparecendo aos poucos, e algumas casas de banho reabriram suas portas.

"O banho turco", de Ingres.


FONTES: FEIJÓ, Bruno Vieira. As águas do tempo: a história do banho. Revista Aventuras na História. 01/03/2007.

TOSSERI, Olivier. Não havia higiene na Idade Média?. Revista História Viva. (s.d).Disponível.em: http://www2.uol.com.br/historiaviva/artigos/nao_havia_higiene_na_idade_media_.html Acesso em: 16/03/2014.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://viticodevagamundo.blogspot.com.br/
                                   http://historiahoje.com/






quarta-feira, 12 de março de 2014

Fotografias Post Mortem

Após a invenção do Daguerreótipo, as formas de guardar lembranças de entes queridos mudaram. A fotografia era mais acessível e mais realista que as pinturas. As pinturas de pessoas foram comuns durante vários séculos, e nenhuma surpresa que, durante a Era Vitoriana (1837-1901), as fotografias Post Mortem (pós morte) fizeram sucesso, chegando também na América.

Nos século 19 e 20 a taxa de mortalidade infantil era muito alta. Portanto, a fotografia de um bebê ou criança falecida era a única imagem que a família teria dessa pessoa. A maioria do que se tem escrito em sites de pesquisa diz que o costume começou quando a rainha Vitória mandou fotografar o cadáver de um familiar.

As fotografias eram feitas colocando armações de madeira nos corpos, por baixo da roupa ou atrás, para sustentá-los. Fotos de pessoas sentadas ou deitadas também eram uma opção. Cenários, como banquetes ou reuniões, eram criados para dar um tom natural para a ocasião. A aparência de vida era dada pela pintura dos olhos que eram feitas por cima das pálpebras e pela maquiagem que os corpos recebiam. Era um trabalho tão bem feito, que era quase impossível dizer que estavam mortos.

Algumas fotos da época

Pai e filho (ambos estão mortos).


Criança sentada (repare nos olhos pintados por cima das pálpebras e na maquiagem).

Irmã servindo de suporte para o seu irmão morto.

Bebê com os olhos pintados.


Senhor sentado. Foto de 1860.

Esquema de como era feito o suporte do corpo.



FONTE: The Strangest Tradition of Victorian Era: Post-Mortem Photography. (tradução minha) Disponível em: http://io9.com/the-strangest-tradition-of-the-victorian-era-post-mort-472772709 . Acesso em: 12/03/2014


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://jomariosoares.blogspot.com.br/
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Os Governos Gerais


Tomé de Sousa, o primeiro governador geral do Brasil. Gravura do século 19 representando sua chegada à Bahia.

Com o fracasso da maioria das capitanias hereditárias, o rei de Portugal, D. João III, decidiu tornar mais efetiva a presença portuguesa no Brasil. Em 1549, foi estabelecido o sistema de Governo Geral, que garantia ao rei de Portugal maior controle sobre a colônia e sobre os capitães donatários, que tinham em suas mãos muita autonomia de governo. Como primeiro governador-geral, o rei nomeou Tomé de Sousa, que fundou a primeira cidade do Brasil, Salvador, estabelecida como capital da colônia, condição pela qual ficou até o século 18.

O governador geral era nomeado diretamente pelo rei por um período de quatro anos e contava com o apoio de três auxiliares: O ouvidor-mor, que cuidava da justiça, o procurador-mor, responsável pela arrecadação de impostos para a Coroa e o capitão-mor, encarregado da defesa e da fiscalização do território. Vieram também padres jesuítas, comandados por Manuel de Nóbrega, encarregados de catequizar os índios, soldados e trabalhadores, como artesãos, carpinteiros e pedreiros.

O Regimento era um documento que definia os direitos e deveres dos governadores gerais. Como funções, os governadores fundavam vilas e cidades, pacificavam índios rebeldes, construíam fortes, combatiam os corsários e deveriam distribuir sesmarias entre os colonos. Ao todo, existiram três governos gerais: o governo de Tomé de Sousa (1549-1553), o governo de Duarte da costa (1553-1558) e o governo de Mem de Sá (1558-1572).

Cada governo teve uma característica. O governo de Tomé de Sousa incentivou a colonização e a construção de cidades, no caso, Salvador. Tomé de Sousa foi responsável por desenvolver a economia açucareira baseada na mão de obra escrava africana e do início da criação de gado. No seu governo foi instalado o primeiro Bispado do Brasil. 

O segundo governo, de Duarte da Costa, possibilitou entrada de jesuítas no interior da Capitania de São Vicente, iniciando a exploração das vilas de São Paulo e Santo André. Mas também foi uma administração tumultuada. Ao longo de seu governo, ocorreram conflitos entre colonos e jesuítas por causa da escravização de indígena, e ataques de corsários franceses, que resultaram, em 1555, no Rio de Janeiro, na criação da França Antártica, núcleo colonizador francês formado por protestantes que fugiam das perseguições dos católicos em sua terra natal.

O terceiro e último governador, Mem de Sá, teve uma administração decisiva no quesito político e econômico da colônia. Mem de Sá fortaleceu o sistema colonial, estimulou a produção para a exportação, garantiu o monopólio português e expulsou definitivamente os franceses da colônia. Sobre esse fato, a expulsão deles não foi fácil. Os franceses tinham o apoio dos índios tamoios, que resistiam à colonização portuguesa. Graças à intervenção dos jesuítas Manuel de Nóbrega e José de Anchieta, a aliança entre tamoios e franceses foi rompida. Estácio de Sá, sobrinho de Mem, enviou para a colônia reforços vindos da metrópole. O fator decisivo para a expulsão dos franceses do Brasil foi a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565, que garantiu definitivamente a posse portuguesa na baía de Guanabara.

Estácio de Sá morreu em 1572, vítima de uma flechada indígena. Com isso, a Coroa decidiu dividir a administração da colônia entre dois governadores: D. Luís de Brito ficou em Salvador, capital do Norte, e D. Antônio Salema, no Rio de Janeiro, capital do governo do Sul. Em 1578, a administração do Brasil foi unificada, seguida de nova tentativa de divisão, em 1608, mas não deu certo. A administração voltou a ser dividida em 1621.


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quinta-feira, 6 de março de 2014

Quilombo dos Palmares: um símbolo da resistência

"Zumbi", pintura de Antônio Parreiras. Data desconhecida.

Os negros mostraram-se resistentes à escravidão. Alguns se suicidavam, roubavam pertences de seus senhores, assassinavam feitores e familiares dos seus donos, sabotavam o trabalho e fugiam. A fuga foi a melhor forma de resistência, pois ela significava o fim dos castigos, das humilhações, do trabalho forçado e da submissão.

Aqueles que conseguiam fugir embrenhavam-se nos matos e formavam quilombos, aldeias de negros fugidos. Vale lembrar que os quilombos também abrigavam índios e fugitivos da justiça. O mais importante foi o Quilombo de Palmares, formado na Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. Palmares é uma referência ao grande número de palmeiras que formam a vegetação da região.

Inicialmente, o quilombo de Palmares era liderado por Ganga Zumba, um descendente da linhagem de um reino tribal da Angola. Zumba recebia e organizava os recém chegados ao quilombo, que vinham principalmente das capitanias de Pernambuco e Bahia. Aqueles que procuravam o quilombo espontaneamente eram considerados livres. Os capturados em assaltos contra engenhos e povoações eram escravizados no quilombo.

O quilombo teve seu ápice durante o período das invasões holandesas. Enquanto os senhores de engenho voltavam suas atenções para os invasores, os escravos aproveitavam para fugir.

Considerado uma ameaça pelos proprietários de terra, senhores de engenho e fazendeiros, o quilombo foi duramente reprimido. De 1602 até 1694, diversas expedições foram enviadas na tentativa de destruir o núcleo de escravos, tanto pelos portugueses como também pelos holandeses. Essas expedições foram derrotadas pelos quilombolas.

Em 1678, a colônia propôs um acordo de trégua com os quilombolas, prometendo liberdade para os nascidos em Palmares e proibindo a entrada de novos fugitivos no quilombo. O líder aceita os termos. Essa decisão dividiu Palmares. Zumbi, seu sobrinho, assumiu a liderança de um grupo mais radical e resistente ao acordo. Ganga Zumba foi morto por envenenamento. Zumbi assume a liderança do quilombo e se opõe a aceitar os termos impostos pela colônia.

Depois de várias batalhas travadas, uma expedição de 9 mil homens, liderados pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, deu fim ao quilombo dos Palmares. Zumbi e alguns quilombolas conseguiram fugir, mas no ano seguinte, Zumbi foi capturado pelos bandeirantes, que o degolaram e expuseram sua cabeça na cidade de Recife, para que servisse como um aviso para aqueles que quisessem se rebelar.


Palmares foi o maior símbolo da resistência contra os escravocratas. Até hoje, no dia 20 de novembro, mesma data da morte de Zumbi, é comemorado o Dia da Consciência Negra.


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terça-feira, 4 de março de 2014

Os Jesuítas e as Missões

Ruínas da igreja de São Miguel.

A Companhia de Jesus foi fundada por Inácio de Loyola, em Paris, em 1534. Ela tinha objetivos catequéticos, e foi uma das respostas a Reforma Protestante e a expansão do Luteranismo na Europa.

Em 1549, vindo catequizar os índios, chegaram ao Brasil os primeiros padres jesuítas. Além das dificuldades de locomoção, o maior obstáculo foi a oposição dos colonizadores, que eram favoráveis à escravização dos índios. Muitas lutas foram travadas entre jesuítas e colonos.

Os jesuítas procuravam converter o maior número de nativos à fé cristã. Primeiro se estabeleceram na capitania da Baía de Todos os Santos, onde construíram uma igreja a sede da Companhia de Jesus. Nos anos seguintes, novos padres vieram para a colônia, penetrando nas demais regiões.

Para evangelizar os índios, os jesuítas aprofundaram os estudos sobre o tupi-guarani. Como o idioma não era uniforme, eles o padronizaram, eliminando dialetos. Era, assim, criada a língua Nheengatu (língua geral). O padre José de Anchieta foi um grande estudioso dos costumes, das crenças e da língua indígena, tendo escrito uma gramática tupi.

Como já foi dito, os interesses dos jesuítas e dos colonos eram diferentes: de um lado, os colonos que tinham o interesse de utilizar os índios como escravos. Do outro, os jesuítas, que queria converter os índios a fé cristã e eram contra a escravidão. Buscando uma solução contra a exploração dos nativos, os jesuítas construíram no interior da colônia as missões, também conhecidas como reduções. Nas missões, além de serem convertidos, os índios trabalhavam na agricultura e no artesanato. O trabalho indígena construiu a riqueza dos jesuítas, que criaram um “Estado dentro do Estado”.

Procurando formar missionários, os jesuítas construíram escolas e colégios. Neles, além da educação cristã, estudava-se gramática latina, filosofia, humanidades e retórica. Lembrando que, foi um colégio, construído na Capitania de São Vicente, que deu origem ao Povoado de São Paulo de Piratininga, atual São Paulo.



As missões reuniam tribos inimigas, o que frequentemente gerava conflitos. Outro problema foi que, o modo de vida nas missões era totalmente diferente da vida nas aldeias. Se por um lado, os índios eram seminômades, nos aldeamentos eles se tornaram agricultores sedentários. Isso facilitava a sua captura pelos colonos. Os índios também eram vitimados pelas doenças trazidas pelos portugueses.

Os jesuítas permaneceram no Brasil e em outras colônias portuguesas até 1759, quando foram expulsos pelo Marquês de Pombal, que os expulsou para evitar os conflitos contra os colonos. Além disso, a escravidão indígena foi proibida. Pombal queria utilizar a mão de obra indígena para colonizar outras partes do território.


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segunda-feira, 3 de março de 2014

O Contato com os povos da terra

"Dança dos tapuias", por Albert Eckhout, 1641.

Ao chegarem ao território que mais tarde seria o Brasil, em 1500, os portugueses encontraram uma terra exótica e povos de costumes diferentes dos que eles conheciam: as relações sociais, os credos, as formas de se vestir etc. Os índios que habitavam o litoral possuíam uma cultura homogênea e falavam a língua tupi-guarani. Os principais grupos eram: tupinambás, tamoios, tupiniquins, carijós e guaranis. Os primeiros contatos foram amistosos, mas não demorou muito para que os invasores revelassem sua real intenção: a conquista do território.

De um lado, católicos criados em uma sociedade tradicional com costumes rígidos. Do outro, povos que acreditavam nas forças da natureza e nos espíritos de seus antepassados. Homens brancos vestidos com trajes pesados ficavam impressionados com pessoas “pardas”, com arcos e setas, que andavam nuas e não cobriam suas “vergonhas”. O que mais causou espanto foi o costume dos índios de comer seus inimigos, ou seja, a antropofagia, que significa o ato de comer carne humana. Eles acreditavam que, comendo a carne do adversário, era possível adquirir suas qualidades, como força e bravura.

No início do reconhecimento das novas terras, os portugueses dependiam dos índios. A dependência ia desde o fornecimento de alimentos até a extração do pau-brasil. Em troca do trabalho, os índios recebiam objetos que lhes despertavam o interesse: espelhos, facas, machados, miçangas, pentes, etc. Esse tipo de comércio recebe o nome de escambo. Percebemos que as relações entre os dois povos eram amistosas.

Quando o comércio do pau-brasil começou a gerar lucros, que eram bem grandes, foi exigido mais “empenho” dos índios em sua extração. As relações deixaram de ser amigáveis e, aqueles que recebiam algo em troca do trabalho, passaram a ser obrigados a trabalhar. Os índios tentaram resistir, se unindo e guerreando contra os europeus ou fugindo para o interior das matas, mas pouco a pouco, foram destruídos, pela escravidão, doenças e pela fé cristã.


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