sexta-feira, 30 de maio de 2014

Os judeus na Amazônia

Família de judeus marroquinos em Santarém, no Pará.

Os judeus começaram a chegar à Amazônia por volta de 1810, oriundos das cidades de Tetuan e Tânger, no norte do Marrocos, África. Vários foram os motivos que fizeram os judeus penetrarem na região: perseguições, fome, discriminação, etc; e fatores políticos do Brasil na época, como a Abertura dos Portos , Tratados de Aliança e Amizade, fim da inquisição, liberdade de culto (de forma discreta, em locais que não se assemelhassem a templos) e a Abertura do Rio Amazonas à navegação estrangeira. 

No período que vai de 1810 a 1910, cerca de 1.000 famílias de imigrantes, tanto sefaraditas-marroquinas, como de outros grupos culturais judeus da Europa e do Oriente Médio, vieram fazer a Amazônia, um pouco antes e durante o boom do ciclo da borracha (BENCHIMOL, 1999, p. 225).

A Constituição de 1891 aboliu a união da Igreja com o Estado e instituiu o princípio da plena liberdade de culto. Esse foi um grande incentivo para que os judeus continuassem emigrando para a região, pois a nova constituição permitiu que as sinagogas saíssem da clandestinidade para se organizarem (BENCHIMOL, 1999, p. 264).

Os judeus que vieram para a Amazônia são classificados em cinco grupos: os sefaraditas expulsos de Portugal, Espanha e Marrocos, que falavam português, espanhol e haquitia; os forasteiros nativos de Marrocos, que falavam arbia e haquitia; os serfatitas de Alsácia e Lorena, de fala francesa e alemã; os askenazitas da Alemanha, Polônia e dos países da Europa Central, que falavam alemão e ídiche; os foinquinitas do Oriente Médio, que falavam ladino e árabe. Essas famílias estavam distribuídas em: 650 para o Pará, 200 para o Amazonas, e 150 para Iquitos (BENCHIMOL, 1999, p. 277).

Chegando à imensa região, os judeus aportavam em Belém, no Pará, onde eram recebidos por famílias como os Nahon, Serfatty, Israel e Roffé, já estabelecidas na região e que tinham negócios com empresas inglesas e francesas. Muitos eram encaminhados para trabalhar em casas aviadoras, ou viravam regatões, uma espécie de caixeiro-viajante fluvial.

Na Amazônia, os judeus tiveram quatro gerações: A primeira, se estabeleceu no interior, como empregados, balconistas e vendedores, contratados por firmas de Belém e Manaus; a segunda geração é dos que prosperaram durante o apogeu gomífero, de 1850 à 1910; a terceira geração é a da Grande crise, quando a economia da borracha amazônica já não gerava tanto lucro como antigamente e, com isso, fazia que os judeus das vilas e povoados do interior fossem procurar melhores condições de vida em Belém e Manaus; a  quarta geração é a dos doutores e profissionais, dos anos 1950 e 1970, quando as famílias mandavam os filhos mais talentosos estudarem fora, na Bahia ou no Rio de Janeiro.

O pioneiro da industrialização da Amazônia foi um judeu: Isaac Benayon Sabbá, construiu a Refinaria de Petróleo em Manaus, inaugurada em janeiro de 1957 e, durante a sua vida, formou um império de 41 empresas e estabelecimentos industriais (BENCHIMOL, 1999, p. 319).

Locais importantes em Manaus

Cemitério Israelita: Cemitério Israelita está localizado em uma ala separada do Cemitério São João Batista. Foi inaugurado em 1928, e conta com cerca de 90 sepulturas, algumas datadas do final do século XIX.

Sinagoga Beit Yaacov-Rabi Meyr: Construída em 1962, está localizada na Av. Leonardo Malcher, no Centro. No últimos anos, a única mudança que sofreu foi o aumento do muro. É a fusão das sinagogas Beit Yaacov, fundada em 1925; e a Rabi Meyr, fundada em 1937.

Os judeus, com uma presença de mais de 200 anos na região, vieram, à duras penas, reconstruir suas vidas em um mundo vasto e de oportunidades e, mesmo com inúmeras crises, nunca desanimaram, contribuindo na formação cultural e social da Amazônia.



FONTES: BENCHIMOL, Samuel. Amazônia - Formação Social e Cultural. Manaus: Editora Valer/Editora da Universidade do Amazonas, 1999.

VELTMAN, Henrique. Sinagogas na floresta: judeus na Amazônia. Revista Aventuras na História. 01/02/2008.


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quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

Representação da 'Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão', por J. Jacques - François Le Barbier.

Após a tomada da Bastilha, a Assembleia Nacional acabou com os privilégios feudais e, logo depois, em 26 de agosto de 1789, instituiu a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, documento que declarava solenemente os direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem: igualdade perante a lei, direito à liberdade e a defesa da propriedade:

Art. 1º. Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.

Art. 2º. A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade a segurança e a resistência à opressão.

Art. 3º. O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhuma operação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.

Art. 4º. A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo. Assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.

Art. 5º. A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.

Art. 6º. A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.

Art. 7º. Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.

Art. 8º. A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.

Art. 9º. Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.

Art. 10º. Ninguém pode ser molestado por suas opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.

Art. 11º. A livre comunicação das idéias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem. Todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.

Art. 12º. A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública. Esta força é, pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.

Art. 13º. Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.

Art. 14º. Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.

Art. 15º. A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.
Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.

Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização.


FONTE: Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão - 1789. USP - Biblioteca Virtual de Direitos Humanos. Disponível em: http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Documentos-anteriores-%C3%A0-cria%C3%A7%C3%A3o-da-Sociedade-das-Na%C3%A7%C3%B5es-at%C3%A9-1919/declaracao-de-direitos-do-homem-e-do-cidadao-1789.html Acesso em: 29/05/2014.


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A Medicina grega

Hipócrates: "o pai da medicina"

No início, a Medicina grega era ligada à visão religiosa e empírica, tanto que as divindades dessa ciência eram: Asclepius, deus da medicina; Hygieia, a Saúde e Panacea, a cura. Com o surgimento da Filosofia, e, logicamente, dos filósofos, a Medicina torna-se científica, por meio da observação e da experimentação.

" Também a medicina grega iniciou-se com os filósofos. Um de seus pioneiros foi Empédocles [...]. Descobriu que o sangue flui do coração e volta a ele, e que os poros da pele suplementam o trabalho das trocas respiratórias. Mais importantes foram os trabalhos de Hipócrates de Cós, nos séculos V e IV [a. C.]. Por consenso geral, ele é tido como pai da Medicina. Martelava nos ouvidos de seus discípulos a doutrina de que 'toda doença tem uma causa natural e sem causas naturais nada acontece'. Além disso, [...] lançou os fundamentos da clínica médica. Descobriu o fenômeno da crise na moléstia e fez progredir a prática da cirurgia. Embora tivesse um largo conhecimento das drogas, confiava muito mais no valor terapêutico da dieta e do repouso ".

(BURNS, Edward M. História da civilização ocidental. 44. ed. Porto Alegre: Globo, 2005. p. 112).


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segunda-feira, 26 de maio de 2014

As cidades italianas durante a Renascença

Florença, na Itália, foi o berço do Renascimento.

Durante o Renascimento, as cidades italianas foram grandes núcleos intelectuais e artísticos. Pinturas, esculturas, literatura e ciência, foram mais tarde disseminadas em outros lugares da Europa Ocidental. Os principais fatores que motivaram essa condição foram: o desenvolvimento urbano, comercial e burguês, a transição do Feudalismo para o Capitalismo e uma visão de mundo baseada no Antropocentrismo. Florença, Gênova e Veneza foram algumas das principais cidades italianas renascentistas. Outro ponto importante, foi o Mecenato, no qual os comerciantes patrocinavam a produção dos artistas e intelectuais. Os maiores mecenas do Renascimento foram os Medici, a poderosa família de banqueiros florentinos.

" Por volta do século XIV, através dos lucros acumulados do comércio e da indústria, as cidades italianas haviam-se tornado luxuosas protetoras das artes. Florença, por exemplo, começara a construir sua enorme catedral, Santa Maria del Fiore. Nem mesmo um período de depressão , agravado pela Peste Negra - a terrível praga que devastou a Europa na metade do século XIV - conseguiu deter a torrente de obras que se sucediam. Quando os lucros caíram, os comerciantes e banqueiros italianos aprenderam a ser mais eficientes em seus métodos de trabalho. Os italianos foram pioneiros em muito do que mais tarde se tornaria prática comum entre os capitalistas: acordos de sociedade, 'holdings', seguros marítimos, transferência de crédito, aplicação do sistema ativo e passivo na contabilidade de empresa. E, à proporção que a depressão se acentuava, os homens de negócios italianos começaram a investir em cultura, como uma forma de conservar valor, exatamente como os homens de negócios de hoje compram obras de arte.

Dinheiro, contudo, não pode comprar cultura: só seus produtos. A cultura é mantida à custa de dinheiro, mas sua essência é muito mais ampla. Durante a Renascença, enriquecer e continuar requeria um grau relativamente alto de educação. Em primeiro lugar, e principalmente, essa educação era utilitarista; um homem não podia ser bem sucedido no comércio e na indústria sem saber ler e escrever e dominar bem os números. Mas os caminhos do mundo renascentista pediam alguma coisa além disso. Mas negócios queriam dizer mais acordos de participação, testamentos mais complicados, mais escrituras - em suma, mais leis. Os estudos legais proliferaram com abundância durante a Renascença, atraindo maior número de pessoas nas universidades e fazendo com que os professores de direito fossem os mais bem pagos entre os mestre universitários. E, à proporção que as cidades-estados iam crescendo, a administração estatal tornava-se cada vez mais complicada, criando uma procura por um secretariado competente internamente e por diplomatas que soubessem falar com eloquência e persuasão no exterior.

Havia, então, uma crescente pressão por um tipo de educação mais prática que a fornecida pelos estudos teológicos da Idade Média. Precisava-se de especialização profissional - e de atitudes mais mundanas. O programa humanístico de estudos encarregou-se de fornecê-las. Esse programa envolvia a leitura de autores antigos e o estudo de assuntos como gramática, retórica, história e filosofia moral. No século XV esse tipo de estudos já era conhecido como 'studia humanitatis', ou 'humanidades'; e os homens que levavam a cabo tais estudos eram conhecidos como humanistas."

(HALE, John R. Renascença. Rio de Janeiro, José Olympio, 1971, p. 14 - 5)


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sábado, 24 de maio de 2014

A Europa dos anos 20

Metropolis, por Otto Dix, 1928.

A Europa dos anos 20 deixou de ser a dona do mundo. Quem diria, que o poderoso continente, detentor de vastos impérios coloniais, estaria tão abalado moral e economicamente. As antigas crenças na perfeição humana, nas bênçãos da ciência e no progresso pareciam agora uma expressão de ingênuo otimismo (CAMPOS e CLARO, 2010, p. 29). Mesmo com esses problemas, a Europa ainda tinha algum "fagulha" de alegria, mas não a tradicional: Moda, artistas e suas vanguardas, romperam com os valores clássicos, agora postos em dúvida.

Os Estados Unidos foram os grandes beneficiados entre o início e o fim da Guerra, e tornaram-se os protagonistas mundiais, passando a influenciar todos os campos da vida. Durante o conflito, o país foi o maior exportador mundial de armas, equipamentos militares, remédios, alimentos, bens de consumo e capitais. Os países abalados ou destruídos, contraíram empréstimos de bancos norte-americanos para pagar o que importavam dos Estados Unidos (BRAICK e MOTA, 2010, p. 64). 


" Nos diversos países da Europa ocidental, os astros dos salões da alta sociedade não eram mais os duques das antigas estirpes, nem os emproados acadêmicos, mas sim os milionários americanos, psiquiatras vienenses, poetas surrealistas ou pintores cubistas. A moda americana a tudo invadiu:  o xerez e a champanha cederam lugar aos coquetéis e ao uísque; os conjuntos de jazz estavam por toda a parte; a valsa e o boston foram eclipsados pelo fox trot e pelo blues. Havia inúmeros clubes noturnos, muitos dirigidos por emigrados russos, onde se dançava até alta madrugada ao som de nostálgicas orquestras. Após quatro anos de longos anos de austeridade, de sofrimento e de luto por tantos mortos, irrompe uma verdadeira explosão de despreocupada alegria. [...]

O modo de vida da classe média mudara menos que o das classes altas. A inflação e o aumento de impostos haviam restringido consideravelmente seu poder aquisitivo. Por essa razão, os jovens sentiam-se cada vez mais dispostos a escolher uma carreira lucrativa. As fortunas familiares contavam então muito menos que a renda. Na França, em particular, o dote - outrora vital para qualquer moça casadoira - perdeu bastante a sua importância. Em Londres, como em Paris, muitas mansões senhoriais estavam à venda. Em quase toda parte, o número de empregados domésticos foi reduzido.

Muitos habitantes do interior mudaram-se para os grandes centros industriais. Na década de 20, os operários e os demais trabalhadores recebiam, em geral, melhores salários [...] e trabalhavam menos horas do que antes da guerra. [...]

Um ponto comum praticamente a todas as classes sociais foi a nova importância assumida pelas mulheres. No decorrer da guerra, elas haviam substituído os homens nas fábricas, nos escritórios e nos campos, adquirindo, assim, um independência à qual não tinham nenhuma intenção de renunciar. [...]

Por outro lado, muitas das restrições sociais impostas às mulheres haviam desaparecido. Elas deixaram de lado os espartilhos, usavam saias curtas e, às vezes, até mesmo calças compridas, e cortavam os cabelos bem curtos. Mesmo na França e na Itália, as moças de classe média saíam sozinhas e ficavam noivas sem prévio consentimento dos pais. Na Grã-Bretanha, foi a época das garotas emancipadas. [...] havia uma nova indulgência para com certos tipos de conduta outrora inaceitáveis. Nos círculos bem informados, falava-se muito sobre a psicanálise de Freud, que se espalharam da Áustria até os Estados Unidos, onde o puritanismo sofreu grande abalo. [...]

Este período não proporcionou nenhuma solução para a instabilidade econômica do Ocidente, perigosamente dependente do capital americano. Deixou, porém, a lembrança de uma intensa alegria superficial, que antecederia à nova Depressão e à ruína. "

CHASTENET, Jacques. A Europa dos anos 20. In: História do século XX: 1919-1934. São Paulo, Abril Cultural, 1968.


Portanto, os anos 20 na Europa, mesmo que tenham sido de uma rápida "euforia", de maior direito às mulheres e de florescimento de vanguardas artísticas, não contribuiu em nada para a recuperação do continente, que continuava dependente dos Estados Unidos. A humilhação pela Guerra e a dependência econômica, fez surgir Doutrinas totalitárias como o Nazismo e o Fascismo, assim como as causas da Segunda Guera. O American Way of Life invadia o mundo, só sendo abalado durante a Grande Depressão de 1929.



FONTES: CAMPOS, Flávio de ; CLARO, Regina. A escrita da História 3. 1.ed. São Paulo: Escala Educacional, 2010.

BRAICK, Patrícia Ramos ; MOTA, Myriam Becho. História - Das cavernas ao terceiro milênio. 2. ed. - São Paulo: Moderna, 2010.

História do século XX: 1919 - 1934. São Paulo: Abril Cultural, 1968.


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quarta-feira, 21 de maio de 2014

As verdades da razão


"Raciocinar não é algo que aprendemos em solidão, mas algo que inventamos ao nos comunicar e nos confrontar com os semelhantes: toda razão é fundamentalmente conversação. 'Conversar' não é o mesmo que ouvir sermões ou atender a vozes de comando. Só se conversa - sobretudo só se discute - entre iguais. Por isso o hábito filosófico de raciocinar nasce na Grécia, junto com as instituições políticas da democracia. Ninguém pode discutir com Assurbanipal ou com Nero, e ninguém pode conversar abertamente em uma sociedade em que existem castas sociais inamovíveis. [...] Afinal de contas, a disposição a filosofar consiste em decidir-se a tratar os outro como se também fossem filósofos: oferecendo-lhes razões, ouvindo as deles e construindo a verdade, sempre em dúvida, a partir do encontro entre umas e outras.

[...] A democracia se baseia na suposição de que não há homens que nascem para mandar nem outros que nascem para obedecer, mas todos nós nascemos com a capacidade de pensar e, portanto, com o direito político de intervir na gestão da comunidade de que fazemos parte. No entanto, para que os cidadãos possam ser politicamente iguais, é imprescindível que, por outro lado, nem todas as suas opiniões o sejam: deve haver algum meio de hierarquizar as ideias na sociedade não hierárquica, potencializando as mais adequadas e descartando as errôneas ou daninhas. Em resumo, buscando a verdade. Essa é justamente a missão da razão cujo uso todos nós compartilhamos [...]. Na sociedade democrática, as opiniões de cada um não fortalezas ou castelos para que neles nos encerremos como forma de autoafirmação pessoal: 'ter' uma opinião não é 'ter' uma propriedade que ninguém tem o direito de nos arrebatar. Oferecemos nossa opinião aos outros para que a debatam e por sua vez a aceitem ou refutem, não simplesmente para que saibam 'onde estamos e quem somos'. E é claro que nem todas as opiniões são igualmente válidas: valem mais as que têm melhores argumentos a seu favor e as que melhor resistem à prova de fogo do debate com as objeções que lhe sejam colocadas.

[...] A razão não está situada como um árbitro semidivino acima de nós para resolver nossas disputas; ela funciona dentro de nós e entre nós. Não só temos que ser capazes de exercer a razão em nossas argumentações como também - e isso é muito importante e, talvez, mais difícil ainda - devemos desenvolver a capacidade de ser convencidos pelas melhores razões, venham de quem vierem. [...] A partir da perspectiva racionalista, a verdade buscada é sempre resultado, não ponto de partida: e essa busca inclui a conversação entre iguais, a polêmica, o debate, a controvérsia. Não como afirmação da própria subjetividade, mas como caminho para alcançar uma verdade objetiva através das múltiplas subjetividades."


FONTE: SAVATER, Fernando. "As verdades da razão". Em: As perguntas da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 43-44.


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segunda-feira, 19 de maio de 2014

A solução para a crise: o New Deal

Bóton da campanha política de Franklin D. Roosevelt, 1932.

A Grande Depressão de 1929 trouxe efeitos devastadores para as economias capitalistas. Os países que foram atingidos, em maior ou menor grau, buscaram diferentes programas para amenizar os efeitos da crise.

Nos Estados Unidos, a solução ocorreu por meio do programa New Deal (novo acordo ou transação). O programa começou a funcionar no período de 1933 a 1945, durante o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt. Franklin inovou com esse programa, pois deu fim ao Liberalismo e implementou a era do capitalismo monopolista. As principais medidas tomadas pelo presidente foram:

- Iniciar um amplo programa de obras públicas (prédios, estradas e hidrelétricas) para dar emprego aos 12 milhões de desempregados;

-  Pagamento de indenizações para fazendeiros destruírem parte da produção, fazendo, assim, os preços subirem;

- Instituição do seguro desemprego (Social Security Act) para diminuir o número de desocupados.

- Instituição do ato para recuperação das indústrias (National Industrial Recovery Act), que previa o aumento de salários e diminuição de horas de trabalho por semana, fazendo com que o poder aquisitivo popular aumentasse e restaurasse as compras.

Além desse programa, o governo de Roosevelt cuidou da política externa, mantendo boas relações com países da Europa e da Ásia, implementando uma política de abertura e colaboração internacional.

O "fantasma" da Grande Crise deixa de assombrar os Estados Unidos com a Eclosão da Segunda Guerra Mundial, pois o país, mais uma vez, sai como um dos maiores beneficiados do conflito, retomando o crescimento industrial. O programa, que fez sucesso nos EUA, foi copiado por outros países, como Inglaterra e França.


FONTES: PEDRO, Antônio; CÁCERES, Florival. História Geral. São Paulo: Ed. Moderna, 1982.

BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. HISTÓRIA das cavernas ao terceiro milênio - Do avanço imperialista no século XIX aos dias atuais. São Paulo: Moderna, 2010.


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sábado, 17 de maio de 2014

A Manaus dos anos 40

Vista aérea de Manaus, 1940. Foto de Hart Preston.

Em meados de 1940, Manaus era um modesto aglomerado urbano, de pouco mais de 100 mil habitantes, com todas as características de uma típica capital de província. A vida fluía sem pressa e sem sobressaltos, num ritmo ditado pelas condições físicas, econômicas e culturais de uma comunidade pequena, com três décadas de estagnação e obediente a valores tradicionais.

As dimensões da cidade não eram pequenas apenas em termos demográficos, mas também espaciais, alcançando a leste os bairros de Educandos e Cachoeirinha; ao norte, a Vila Municipal (hoje Adrianópolis), e a oeste, São Raimundo. Mas esses eram subúrbios relativamente distantes. A rigor, a área urbana compreendia o espaço delimitado por esses bairros, nervo e coração da cidade, onde se concentrava o comércio, as repartições públicas, centros culturais e mundanos e onde residia maciçamente a classe média. E quando se fala em classe média, compreendendo todos os seus segmentos, fala-se da classe que, pela sua presença em todos os setores da atividade, imprimia à cidade sua feição característica.

Manaus era cidade de pequenos-burgueses. Praticamente inexistia uma alta burguesia dominante, uma vez que ainda não havia surgido um empresariado industrial, e os grandes proprietários rurais, empobrecidos e decadentes, não tinham maior expressão social, apenas exercendo relativa influência política, graças ao controle de uns poucos currais eleitorais no interior. O que poderia chamar de burguesia era constituída por algumas dezenas de comerciantes, agrupados na Associação Comercial, que estavam longe de constituir uma plutocracia opulenta e não se distinguia da classe média sequer pelo estilo de vida que adotavam. Quanto ao proletariado, era um conjunto amorfo, disperso em pequenas fábricas e oficinas ou subempregado em mil e uma atividades, sem consciência de classe e sem organização sindical, desprovido das mínimas condições para se fazer ouvir como grupo reivindicante.

Toda a vida política, administrativa, mundana, intelectual e boêmia era tocada por integrantes dos vários estratos da classe média, constituída basicamente por funcionários públicos, profissionais liberais e comerciantes. Eles eram governadores, secretários de Estado, senadores e deputados; dirigiam órgãos de imprensa, as entidades literárias e os clubes importantes; enfim, ocupavam todos os postos de expressão na comunidade.


FONTE: PÉRES J. Jefferson Carpinteiro. Evocação de Manaus: Como eu a vi ou Sonhei. Manaus: Valer, 2002, p. 21 e 22.


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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Barco de Colombo pode ter sido encontrado 500 anos depois

Pintura "A visão de Colombo" durante viagem em busca da rota ao continente indiano que acabou o trazendo às Américas.

Mais de cinco séculos depois  embarcação “Santa Maria” de Cristóvão Colombo pode ter sido encontrada naufragada no mar do Caribe. É o que acreditam arqueólogos investigadores após descobrirem restos muito antigos, na costa norte do Haiti. As informações são do The Independent.

“Todas as evidências geográficas, topográficas e arqueológicas nos sugerem que os restos naufragados são mesmo do famoso navio Santa Maria de Cristóvão Colombo”, disse o líder das expedição e um dos principais nomes da arqueologia subaquática, Barry Clifford.

Ainda de acordo com o cientista, o governo do Haiti tem ajudado nos trabalhos de escavação e exploração – que tem sido feitos de forma bastante cuidadosa e não-invasiva, por meio de fotos e análise de relatos históricos.

A equipe de cientistas tem usado descrições do diário de Cristóvão Colombo para melhor referência. Uma das evidências apontadas, por exemplo, é a presença de um canhão característico da época de Colombo.

Cristóvão Colombo foi um navegador e explorador genovês, responsável por liderar a frota que chegou ao continente americano no século XV (1492), sob ordens dos reis católicos da Espanha.

Colombo viajava no navio Santa Maria, juntamente com mais dois navios - Pinta e Niña -, na expedição que procurava a rota de comércio curta para a Índia, mas terminou por descobrir a América em 1492. O navio teria afundado após colidir com um recife em dezembro de 1492. 

Cristóvão Colombo era genovês e viajou com o Santa Maria no século XV.



FONTE: Barco naufragado "Santa Maria" de Colombo é encontrado 500 anos depois. Disponível em: http://noticias.terra.com.br/ciencia/barco-de-colombo-pode-ter-sido-encontrado-500-anos-depois,1738a236985f5410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html Acesso em: 14/05/2014.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Os zoológicos humanos: Exposições a serviço do Imperialismo

O apresentador italiano Guillermo Antonio Farini posa com alguns pigmeus. Londres, 1888.

Os zoológicos humanos ou exposições etnológicas, fizeram sucesso na Europa entre os séculos 19 e 20. Essas exibições serviam para "entreter" os espectadores ocidentais, curiosos e ávidos por conhecimento. Os povos que as compunham eram considerados exóticos e selvagens, e vinham de diferentes regiões: índios norte americanos e Botocudos do Brasil; Pigmeus, senegaleses e Daomeanos da África; aborígenes australianos e javaneses da Indonésia.

Os empresários, para tentar deixar o espetáculo mais próximo da realidade, construíam paisagens artificiais, como desertos e aldeias iorubás.  Em uma época de surgimento de "Teorias raciais", esses eventos serviam para legitimar a campanha imperialista das grandes potências, que mostravam que era dever do mais forte civilizar os "selvagens". Por incrível que pareça, a última exposição humana ocorreu em 1958, na cidade de Bruxelas. Estima-se que, de 1800 à 1958, cerca de 1 bilhão pessoas as visitaram.

Assistam abaixo o documentário francês "Zoos Humains"



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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Arqueólogos encontram túmulo de 5.600 anos no Egito

Fotos divulgadas pelo Ministério da Antiguidade do Egito mostram estátua de marfim de homem barbado em tumba de 5.600 anos (Foto: Ministério da Antiguidade do Egito/AFP)

O túmulo foi encontrado na região de Kom al-Ahmar, entre Luxor e Assuã. Bom estado de conservação vai ajudar a estudar rituais funerários.

Arqueólogos encontraram no sul do Egito um túmulo e uma múmia bem conservados de 5.600 anos, anunciou nesta quarta-feira (7) o ministério de Antiguidades do país. O túmulo é anterior ao reinado de Narmer, fundador da Primeira Dinastia, que unificou o Alto e o Baixo Egito no século 31 a.C., declarou o ministério em um comunicado.
O túmulo foi encontrado na região de Kom al-Ahmar, entre Luxor e Assuã, onde se localizava Hierakonpolis, a principal cidade e capital do reino do Alto Egito. Os arqueólogos encontraram a estátua de um homem com barba, feita com marfim, e a múmia, que parecia ter morrido na adolescência, segundo o ministério.
O bom estado de conservação do restos mortais permitirá obter informações sobre os rituais funerários pré-dinásticos, destacou Renee Friedman, à frente da equipe arqueológica multinacional que realizou as escavações.
Na cidade de Hierakonpolis foram encontrados há anos os túmulos dos reis Narmer e Ra, um faraó pré-dinástico que facilitou a unificação do Egito.

FONTE: Arqueólogos encontram túmulo de 5.600 anos no Egito. Disponível em: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/05/arqueologos-encontram-tumulo-de-5600-anos-no-egito.html Acesso em: 09/05/2014.



quarta-feira, 7 de maio de 2014

O historiador e as fontes históricas


O historiador é o profissional que, por meio de pesquisas, constrói interpretações sobre o passado humano.  Dizemos que ele está produzindo Historiografia, tendo em vista que o conhecimento produzido é uma interpretação realizada a partir de uma metodologia científica.

Buscando interpretar o passado, o historiador utiliza diversos tipos de fontes. Primeiro, a definição de fonte histórica varia com o tempo. Antigamente, nos séculos 18 e 19, acreditava-se que a verdade só era encontrada nos documentos escritos. Seguindo esse raciocínio, para os antigos historiadores, os povos sem escrita não tinham História.

A partir da Nova História, corrente historiográfica surgida nos anos de 1970, correspondente à terceira geração da Escola dos Annales, o conceito de Fonte (s) histórica (s) ganha novos contornos. A Nova História deixa claro que existem outras fontes para contribuir com a história, como a mentalidade, costumes, oralidade e artefatos. As fontes são classificadas em quatro tipos: Escritas, materiais, iconográficas e orais.

As fontes escritas, como visto no início, são as mais tradicionais. Livros, cartas, obituários, passaportes e registros de nascimento são fontes importantes de informação. Atualmente, a história do cotidiano, que não beneficia somente um setor da sociedade, faz com surjam novos tipos de fontes escritas, como diários e receitas culinárias.

Fontes materiais possibilitam a reconstrução do passado de sociedades que viveram antes da invenção da escrita. Instrumentos de trabalho, utensílios domésticos, vestes, moradias, monumentos, moedas e qualquer material produzido em outras épocas. 

De pinturas rupestres à Fotografia. As fontes iconográficas revelam vários aspectos das sociedades que a produziram. Pinturas rupestres, desenhos, esculturas e a fotografia, permitem que o historiador descubra como as pessoas do passado se expressavam. A iconografia é uma representação, em cada época, das ideias, das crenças e valores de uma sociedade.

Por último, temos as fontes orais. Também conhecidas como fontes imateriais, ela é assim como as outras, de total importância para o historiador. Muito do passado humano, chegou até nós graças a tradição oral, que vai passado de geração após geração. Músicas, orações, lendas e brincadeiras de crianças, que passam de pais para filhos à séculos, possibilitam que o historiador interprete o passado distante de um sociedade.

As Fontes orais não servem somente para grande períodos históricos. A oralidade permite o estudo de uma história mais recente. Tomemos como exemplo o Período da Ditadura Militar ou as Diretas Já. Pessoas que viveram nesse período estão vivas. Juntando as fontes escritas, materiais e iconográficas, o historiador pode entrevistar uma pessoa que viveu nesse período e desmembrar esses períodos históricos.



CRÉDITO DA IMAGEM: http: www.revistafantastica.com.br





domingo, 4 de maio de 2014

O Ciclo do algodão

Escravos colhendo algodão.

O ciclo do algodão, de total importância para a região Nordeste depois da derrocada do açúcar, faz parte de uma série de atividades que surgiram para a exportação ou subsistência da vida dos colonos. Juntava-se ao algodão o fumo, mandioca, aguardente e rapadura. O cultivo do algodão tirou o Maranhão da condição de região mais pobre da colônia.

No início, não se imaginava os lucros que o cultivo desse produto poderia trazer para a colônia e, logicamente, para a metrópole. O algodão era destinado para a produção de tecidos rústicos usados na confecção das roupas dos escravos (VICENTINO e DORIGO, 1997, p.123).

Desde o início da colonização, esse produto já era cultivado, pois este é natural da América. Era uma produção simples, pois enquanto grandes proprietários cultivavam cana-de-açúcar, os mais modestos trabalhavam com o algodão. Além de servir para a produção de tecidos para escravos, também foi utilizado como moeda, hábito que manteve-se até princípios do século 19 (PRADO JÚNIOR, 1997, p.148).

A primeira notícia que se tem da exportação de algodão data de 1760, proveniente do Maranhão, totalizando 651 arrobas. Mais tarde, por volta de 1778, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro também aparecem como exportadores, só que de forma menos expressiva (PRADO JÚNIOR, 1997, p.149). O principal consumidor do algodão maranhense era a Inglaterra.

Um conjuntura de fatores fizeram com que o algodão se tornasse uma das principais riquezas da região: Primeiro, vamos ter a Guerra de Independência dos Estados Unidos. Logo depois, se inicia a Industrialização da Inglaterra (FURTADO, 1997, P.91). Os Estados Unidos eram os maiores produtores de algodão na época, e a Europa a maior consumidora. Com a Guerra, a produção ficou prejudicada e a Europa sem o abastecimento do produto. A solução foi recorrer ao algodão brasileiro, em especial o do Maranhão.

Para garantir o monopólio do produto, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, criou em 1756 a Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão; empresa altamente capitalizada que financiava o desenvolvimento da região (FURTADO, 1997, p. 91). As mudanças logo foram aparecendo. A capitania, considerada a mais pobre da colônia, passou a receber um enorme fluxo de navios estrangeiros, que vinham à procura do algodão.

O algodão, mesmo trazendo bons lucros tanto para a colônia como para a metrópole, também gerava alguns problemas. A produção algodoeira absorvia toda a mão de obra, e as culturas alimentares, necessárias para o abastecimento, eram esquecidas, o que gerava a falta de gêneros alimentícios (PRADO JÚNIOR, 1997, p.165).

Em substituição da mão de obra indígena, a Companhia de Comércio financiou a compra de vários escravos africanos. Segundo Prado Júnior (1997, p.150), " modifica-se a feição étnica da região, até então composta na sua quase totalidade, salvo a minoria de colonos brancos, de índios e seus derivados mestiços. O algodão, apesar de branco, tornará preto o Maranhão". Furtado (1997, p.91), conclui que " a ajuda financeira da Companhia de Comércio permitiu a importação em grande escala da mão-de-obra africana, o que modificou totalmente a fisionomia étnica da região.

Com o fim da Companhia de Comércio, em 1777, o a produção maranhense é ultrapassada por Pernambuco e Bahia. Mesmo assim, o clima de euforia vai permanecer por um bom tempo. Após o fim das Guerras de Independência, os Estados Unidos voltam a ser os maiores produtores de algodão. Isso faz as regiões algodoeira brasileiras serem esquecidas. O algodão brasileiro tem uma rápida recuperação durante a Guerra de Secessão, que faz o comércio americano cair mais uma vez. Após o fim da Guerra, em 1865, os Estados do Sul, que são os produtores de algodão, se recompõem. 7 anos depois, a produção americana derruba a brasileira (PRADO JÚNIOR, 1997, p.149). As regiões algodoeiras, que tinham se tornado umas das mais prósperas, voltam à pobreza.



FONTES: VICENTINO, Cláudio; DORIGO, Gianpaolo. História do Brasil. São Paulo: Scipione, 1997.

PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil Contemporâneo - 23° ed. - São Paulo: Brasiliense, 1997.

FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil - 26° ed. - São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1997.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://linux.an.gov.br/