segunda-feira, 30 de junho de 2014

A Guerra de Secessão



A Guerra de Secessão foi um guerra civil ocorrida nos Estados Unidos, entre 1861 e 1865. É um conflito importante na história do país, pois marca o nascimento da maior potência mundial.

Nesse período de 4 anos, os Estados Unidos ficaram divididos em Norte e Sul. As diferenças começam pelo clima. No Norte, o clima frio não permitia o cultivo de produtos agrícolas, fazendo com que a região se dedicasse a atividades mercantis e industriais, favorecidas pela mão de obra abundante dos milhares de imigrantes europeus. No Sul, o calor meridional permite que os sulinos dediquem-se às culturas intensivas de algodão, fumo e cana de açúcar, utilizando mão de obra escrava.

A sociedade nortista é a das negociações, do liberalismo, da indústria e do lucro. O sul é marcado por uma sociedade patriarcal e agrária, ociosa e marcada pela escravidão.

O Oeste americano estava na mira dessas duas regiões. A expansão do Norte sobre o Oeste visava a instalação de pequenas propriedades e indústrias com mão de obra livre e assalariada. O Sul pretendia expandir as propriedades agrícolas baseadas na mão de obra escrava. A "gota d´água" veio em 1860, com a vitória de Abraham Lincoln, um republicano contra a escravidão, nas eleições presidenciais. Os Estados do Sul, então, romperam com a União, criando em 1861 os 'Estados Confederados da América'.

Os combates tem início em 1861. De um lado, o Norte, com o apoio de 25 Estados e uma população de 22 milhões de habitantes. Do outro, o Sul, apoiado por 11 Estados e com uma população de 9 milhões de habitantes. A vitória do Norte era evidente, pois, além de superioridade numérica, a região era dotada de indústrias bélicas.

A batalha mais importante foi a de Gettysburg, em 1863, que garantiu a vitória do Norte. Abraham Lincoln decretou a abolição da escravidão, que só passou a vigorar no país em 1865, com a derrota do Sul. O cenário deixado pela guerra foi desolador. 970 mil pessoas foram mortas, das quais 620 mil eram soldados. Com a vitória do Norte, estava traçado o caminho dos Estados Unidos: Em poucas décadas surgiria a maior potência mundial, baseada no espírito capitalista. A liberdade para os escravos negros veio sem nenhuma garantia ou assistência, o que gerou, até hoje, em segregação racial e política.



FONTE: AMEUR, Farid. Guerra da Secessão, tradução: Denise Bottmann. Porto Alegre, RS: L&PM, 2013.



CRÉDITO DA IMAGEM: colegioweb.com.br



quinta-feira, 26 de junho de 2014

Casarões e Palacetes de Manaus, no Jornal do Commercio



Depois do sucesso do texto Casarões e Palacetes de Manaus, aqui no História Inteligente, ele foi reconhecido pela qualidade e parou no jornal. O jornalista Evaldo Ferreira, do Jornal do Commercio, o mais antigo de Manaus, publicou o texto como o primeiro de uma série de matérias sobre as casas históricas do Centro Histórico e dos bairros adjacentes. Esperamos, por meio dessas publicações, conscientizar as autoridades públicas e a sociedade sobre a importância dessas construções, tão importantes para a História não só da cidade, mas do país como um todo, pois representam o período em que a Amazônia era o Centro do comércio mundial de borracha.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

A mulher na sociedade da borracha

Prostituta polaca sendo negociada em Belém no início do século 20.

Durante o apogeu da borracha na Amazônia (1890 - 1920), existiam tipos de mulheres para diferentes "mundos". Nas ricas cidades de Manaus e Belém, os seringalistas, conhecidos como 'Coronéis de barranco', mantinham a fachada de uma sociedade patriarcal. Por baixo dos panos, existia um enorme tráfico de prostitutas de luxo, vindas de vários países da Europa. A beleza alva, da mulher europeia, enchia os ricos de desejo, fazendo com que as nativas fossem esquecidas. No seringal, onde os pobres seringueiros morriam para erguer a riqueza da região, as mulheres eram raras e, quando existiam, eram índias, velhas e doentes. A raridade as tornava "artigo de luxo".

" Os coronéis de barranco vibravam com as polacas e francesas, mas as senhoras de respeito eram guardadas nos palacetes, cercadas de criadas e ocupadas em afazeres mesquinhos, como em 1820.  Numa sociedade carente de mulheres, também o sexo seria um privilégio. A presença feminina no seringal era rara e quase sempre em sua mais lamentável versão. Para os seringueiros isolados na floresta e presos a um trabalho rotineiro, geralmente homens entre vinte e trinta anos, portanto, premidos pelas exigências de seu vigor, a contrapartida feminina chegava sob a forma degradante da prostituição. Mulheres velhas, doentes, em número tão pequeno que mal chegavam para todos os homens, eram comercializadas a preço aviltante. Enquanto o coronel podia contar com as perfumadas cocottes, além de suas esposas, o seringueiro era obrigado a optar pela sexualidade de homens confinados.

Essa penosa contradição legou uma mentalidade utilitarista em relação à mulher. Na sociedade tribal amazônica, a mulher estava integrada sob diversas formas de submissão. Com o extrativismo da borracha, em que a procura era maior que a oferta, ela seria transformada em bem de luxo, objeto de alto valor, um item precioso na lista de mercadorias, uma mobília.

A sociedade do látex torna-se ia uma sociedade falocrata, que daria à mulher uma utilização tão aberrante quanto a forma de explorar a força de trabalho do seringueiro. Adornaram sua terra exótica com a venerável cultura europeia, mas não admitiam uma mulher como pessoa. Mulheres e Victor Hugo estavam no mesmo carregamento, como o parnasianismo parecia constar da mesma lista de panacéias contra a gonorreia ".

(SOUZA, Márcio. Breve história da Amazônia. São Paulo: Marco Zero, 1994. p. 138 - 139)

Com o fim dessa economia, a negociação de mulheres também entrou em decadência. Em Belém, o governo mapeou as áreas de atuação (para que ficasse bem delimitado o lugar das "famílias" e das "mulheres da vida") dessas profissionais, que passaram a atuar de forma mais intensa nos subúrbios. Em Manaus ocorreu o mesmo. A nível de informação, durante a década de 30 e com mais intensidade durante a Segunda Guerra, muitos bordéis saíram do Centro da cidade para bairros como Educandos e Santa Luzia; e outros em processo de formação.

O ciclo da borracha, que mais parece uma novela do que um período econômico, tem diferentes "finais". Se, por mais de trinta anos a borracha garantiu libras esterlinas para o Brasil e financiou a construção de cidades na Amazônia, ela também deixou um passado obscuro, marcado pela vida degradante do seringueiro e a prostituição da mulher. Hoje, os descendentes das tradicionais famílias que foram protagonistas desse período, preferem esquece-lo.



CRÉDITO DA IMAGEM: Belém Antiga



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pesquisadora afirma ter achado tumba de Vlad, o Empalador, príncipe que inspirou o Conde Drácula


Erika Stella, estudante de doutorado da Universidade de Tallinn, afirma ter descoberto a mítica tumba do Conde Drácula, na igreja de Santa Maria la Nova de Nápoles, na Itália. Lá, ela teria encontrado os restos de Vlad Tepes, mais conhecido como Vlad III, o Empalador, enterrados embaixo de uma lápide do século XV. Príncipe de Valáquia, atual território do sul da Romênia, entre 1456 e 1462, esse personagem ficou mundialmente famoso pela crueldade com que combateu o expansionismo otomano e pelas punições severas que aplicava a inimigos e traidores.

Após sua morte em 1476, os rumores sobre o paradeiro de seus restos se multiplicaram entre aqueles que afirmavam que o conde havia morrido em batalha, capturado por seus inimigos, e os que, contrariamente, defendiam que ele foi resgatado por sua filha para passar os últimos dias de sua vida na região de Nápoles.



Rodeado de mistério, Vlad III é a figura na qual o escritor Bram Stoker (1847-1912) se baseou para criar o personagem aterrorizante de Drácula, protagonista de seu romance homônimo. Por sete anos, o escritor irlandês estudou os vários mitos sobre vampiros que nasceram na Europa Oriental, e se interessou, especialmente, pela história de Vlad Tepes.




A equipe de pesquisadores que trabalha junto com Erika Stella na igreja de Santa Maria la Nova de Nápoles observou com curiosidade que a lápide encontrada está repleta de símbolos da Transilvânia. “As esculturas sob o relevo demonstram um simbolismo evidente. Os dragões fazem referência a Drácula e as duas esfinges opostas representam a cidade de Tebas, também conhecida como Tepes. O nome do conde Drácula está escrito nestes símbolos”, apontaram os especialistas. Mas enquanto tramitam as autorizações oficiais para que possam abrir o túmulo e, finalmente, resolver o mistério, não restará outra opção senão esperar.


FONTE: http://noticias.seuhistory.com/

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O autoritarismo no Japão

Soldados do Exército Imperial japonês.

O Império do Japão, depois de conflitos como a Guerra Sino-Japonesa, a Guerra Russo-Japonesa e a Primeira Guerra Mundial, viveu alguns anos de paz. A estabilidade social, porém, voltaria a ser abalada: A Grande Depressão de 1929 atingiu em cheio a economia do Japão. 

Internamente, forças reacionárias e militaristas controlavam, aos poucos, todos os setores da administração. Militares e elementos ligados a eles, de tendências expansionistas, dominavam a política e a economia do país. Golpes e assassinatos se tornaram frequentes no país. Estadistas moderados como Inukai, Takahashi e outros, foram brutalmente eliminados pelos extremistas.

O expansionismo ficou evidente na questão da Manchúria. Em 1931, ocorreu uma explosão na ferrovia Sul-Manchuriana, próximo à Mukden. Tratava-se de uma sabotagem. A ferrovia pertencia aos japoneses, e estes acusaram os chineses pela explosão. Estava armado o pretexto para a invasão e anexação japonesa da Manchúria. Os militares atacaram Mukden e a ocuparam. A seguir, promoveram ataques a várias outras cidades manchus.

Japoneses e chineses se enfrentaram em 1937. Os japoneses, militarmente superiores, rapidamente conquistaram Pequim. Seito e Shangai se renderam; Nankin, capital da República do Centro, foi violada e dominadas as importantes cidades de Cantão, Bushô, Kankou e etc. O Japão começava a ficar mal visto pela Liga das Nações, formada pela Grã-Bretanha, Estados Unidos e França, pois ambos apoiavam a China.

Assim como na Primeira Guerra Mundial, o mundo voltaria a ficar dividido. De um lado, Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido, os Aliados e a democracia; do outro, Alemanha, Itália e Império do Japão, o Eixo e os regimes autoritários. O Japão fez aliança com a Alemanha em 1936 e com a Itália em 1940.

O Japão estava decidido a fazer guerra e expandir seus domínios: na madrugada de 8 de dezembro de 1941, aviões japoneses atacaram, sem aviso prévio, a base naval americana de Pearl Harbour. O Japão declarava guerra aos Estados Unidos e à Grã-Bretanha.

A seguir, as forças japonesas desembarcaram na península da Malaia, Filipinas, etc, tomaram Hong Kong e dominaram o sul do Pacífico. Em janeiro de 1942 ocupavam Manila e, logo depois, Singapura e Rangun. Dominando o sul do Pacífico, chegaram à Austrália. Os Aliados, então, começaram a reagir. A marinha japonesa foi a primeira ser abalada, nas batalhas do Mar de Coral, Midway e Guadalcanal. As ilhas Marshall e Truck foram conquistadas pelos Aliados, em seguida, a ilha de Saipan e a cidade de Manila. Iwô e Okinawa foram conquistadas após duras batalhas. O Japão estava cercado.

Em agosto de 1945 acabava a Era Imperialista japonesa: os Estados Unidos lançaram a primeira bomba atômica em Hiroshima e, a seguir, uma em Nagasaki. O Japão foi derrotado, pela primeira vez na sua história, depois de anos de transformações. Vale salientar que, o país cometeu, assim como outros países, graves crimes antes e durante a Segunda Guerra Mundial. O exemplo mais triste é o Massacre de Nanquim, no qual o sadismo dos militares japoneses tirou várias vidas. Que sejam vistos os dois lados da moeda.



FONTES: SAITO, Nádia. Autoritarismo no Japão, 1929 - 1940: fascismo ou militarismo?. Disponível em: http://www.snh2011.anpuh.org/resources/anais/14/1308194328_ARQUIVO_anpuh2011autoritarismofascismomilitarismo.pdf . Acesso em: 18/06/2014.

YAMASHIRO, José. Pequena história do Japão. São Paulo: Editora Herder, 1964.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://tokdehistoria.com.br/







domingo, 15 de junho de 2014

História do bairro Nossa Senhora Aparecida - Manaus

Vista aérea do bairro em 1950.

Aparecida é um bairro tradicional de Manaus, localizado na zona Sul. Faz limite com os bairros Centro, Presidente Vargas, São Raimundo e Glória. É um lugar onde antigos hábitos sobrevivem em meio às transformações de uma grande cidade. O bairro de Aparecida só veio a adotar este nome com a chegada dos padres Redentoristas, em 1943. Antes disso, ele recebeu os seguintes nomes:

Cornetas - o som das cornetas que os soldados do 3° Batalhão de Artilharia da Polícia Militar tocavam em seus exercícios diários num prédio antigo situado na então Praça da República, hoje Praça D. Pedro II, chegava até ao bairro, fazendo com que a ele fosse dado esse nome por algum tempo.

Cajazeiras - na área do bairro existiam frondosas árvores da família das Anacardiáceas, também chamadas de cajazeiras. Ainda hoje, algumas delas, resistindo aos avanços do "progresso", continuam embelezando as ruas do bairro.

Tocos - Na administração do governador Eduardo Ribeiro (1892 - 1896), deu-se início ao plano de urbanização da cidade, ocasião em que foram derrubadas as árvores do Bairro das Cajazeiras, para que houvesse maior expansão. Após a derrubada restaram os tocos. Em memória a esse fato que tanto entristeceu a sua população, o bairro passou a chamar-se de "dos Tocos".



Igreja N. S. Aparecida.

Os padres americanos Redentoristas chegaram a Manaus no dia 22 de julho de 1943, e ficaram hospedados provisoriamente na Casa dos Capuchinhos, na rua Tapajós, até se mudarem para a sua própria casa, em setembro, já no bairro dos Tocos, futuro bairro de Aparecida.

Os primeiros a chegar foram os reverendos Andrew F. Joerger, de Los Angeles; John Mc Cormick e James Martin, de Detroit; Joseph Buhler, de Nova Orleans; Joseph Elworth, de Saint Louis, e o irmão Cornelius (Clemente Ryan), de Omaha.

Em agosto de 1944 realiza-se a primeira quermesse organizada pelos padres, o que depois se tornaria uma espécie de "tradição" - hoje esquecida - que realizava todos os anos.

Nesse mesmo ano, o comendador Agesislau Araújo doou um terreno para a construção da Igreja, e em 1946 os padres iniciaram as obras do colégio e da nova igreja (provisória). Mais tarde foram feitos os estudos para a construção da basílica cujo projeto é o do artista Moacir Andrade, e cuja construção ficou à cargo da empresa Sociedade de Obras Limitada, de propriedade de Joaquim José da Cunha e imitações de mármore interiores pelo senhor José Gaspar.

Em 1954 é lançada a pedra fundamental da Igreja de N. S. Aparecida, cuja imagem seria trazida de São Paulo pelo Bispo Auxiliar daquela Diocese, em 1958, para a inauguração solene da Igreja. Na Igreja, além da novena à padroeira, também realiza-se a de N. S. do Perpétuo Socorro.


Rua Xavier de Mendonça, com vista para a antiga residência dos padres Redentoristas.

Cada uma das ruas de Aparecida leva o nome de um personagem. São pessoas que, ao logo de décadas ou séculos, foram deixando um enorme legado histórico para a região, e são lembrados até hoje pelos mais velhos.

Rua Alexandre Amorim - inicia na ponte Fábio Lucena, estendendo-se até a rua Luiz Antony.

Alexandre de Paula Amorim, nascido em Acro-de-Vez - Portugal em 15 de outubro de 1831, estabeleceu-se em Manaus como comerciante, criando a firma Amorim & Cia. Foi cônsul de Portugal durante vinte anos, vindo a falecer em 20 de junho de 1881.

Rua Dr. Aprígio - Começa no igarapé de São Vicente e termina na rua Alexandre Amorim.

Dr. Aprígio Martins de Menezes, médico nascido em 1844 na Bahia e falecido em Manaus em 1891. Além de médico era poeta e historiador, chegando ao posto de vereador em Manaus.

Rua Carolina das Neves - inicia na rua Xavier de Mendonça e termina na rua Bandeira Branca.

O nome da rua está relacionado a uma antiga moradora portuguesa, enfermeira de ofício e latifundiária, proprietária de vários terrenos naquela área, tendo aqui chegado por volta de 1906, permanecendo um pouco mais de uma década. Esta artéria ficou conhecida por um tempo como beco do Pau-não-cessa.

Rua Bandeira Branca - começa no igarapé de São Vicente e termina na rua Alexandre Amorim.

O nome está associado a um antigo morador português, dono de uma taberna, que tinha por hábito, colocar uma bandeira branca à porta do estabelecimento, dando dessa forma origem ao nome, como ficou conhecida até os dias de hoje. No passado, recebeu o nome de Praça 1° de maio, que acabou não caindo no gosto popular.

Beco da Escola - começa na rua Xavier de Mendonça, passado por trás do Grupo Escolar Cônego Azevedo, saindo por um estreito beco novamente na Xavier.

Este beco teve ainda outros nomes como: Tapa-Guela, beco do Rego da Maria Pia e beco do Pai-da-Vida.

Beco da Indústria - começa na rua Wilkens de Mattos, terminando na rua Xavier de Mendonça.

Antes de ter este nome, era conhecido por beco do Chora-Vintém. O nome está associado às pequenas e artesanais fabriquetas ali instaladas, como: Curtição de couro, fábrica de cachaça e outras. O seu nome atual é rua J. G. de Araújo Jorge, porém a tradição o tem mantido como beco da Indústria.

Rua Xavier de Mendonça - inicia na escadaria do igarapé de São Vicente e termina na rua Alexandre Amorim. Antes, recebera o nome de rua das Cajazeiras, em decorrência da grande quantidade destas árvores na área, e depois rua dos Tocos.

Francisco Xavier de Mendonça Furtado nasceu em 1700 em Portugal. Era irmão do Marquês de Pombal. Veio ao Amazonas participar da fundação da Capitania de São José do Rio Negro, aqui permanecendo por algum tempo, retornando depois à terra natal.

Rua Wilkens de Mattos - Começa no igarapé de São Vicente, onde está localizado o antigo estaleiro e termina na serraria Matias.

João Wilkens de Mattos nasceu em Belém do Pará em 1822 e faleceu no Rio de Janeiro em 1884. Foi nomeado presidente da Província do Amazonas em outubro de 1868. Foi vereador, diretor-geral dos índios e tenente-coronel. No final do seu mandato, foi nomeado cônsul em Loretto.

Rua Gustavo Sampaio - inicia na rua Xavier de Mendonça e acaba na rua Bandeira Branca.

Esta rua serve de escoamento para a entrada nas outras ruas da Aparecida, sendo uma das tradicionais artérias do bairro.

Rua das Flores - tem seu começo na Bandeira Branca e termina no igarapé de São Vicente.

Provavelmente o nome surgiu, segundo relatos de antigos moradores, com o cultivo de flores por um velho comunitário que ali residia, que abastecia o mercado do bairro. Após a sua morte, em homenagem deram o nome à rua.


Castelo da Cervejaria Miranda Corrêa.

A pedra fundamental da Cervejaria Amazonense foi posta em 1910. A planta veio da Alemanha. Os irmãos engenheiros Antonino e Luiz, fiscalizavam a construção com rigor, acompanhado pelo eficiente mestre de obra português Francisco Cunha. No dia 10 de outubro de 1912, a Cervejaria Amazonense era inaugurada. Fica localizada à margem do rio Negro e ao lado do igarapé do São Raimundo. 

O prédio é uma imponente e bela construção Art Nouveau, dentro do espírito das cervejarias alemães da época e com a riqueza de detalhes de construção industrial familiar. Vista de longe,lembra certo tipo de castelo da Renânia (região do oeste da Alemanha) ou um castelo Alsaciano, com sua bela torre encimada por beirais de chumbo trabalhado.Nessa torre foi instalado o primeiro elevador do Amazonas. As cervejas Amazonense e XPTO, eram famosas em todo o Brasil, sendo que a XPTO ganhou medalha de ouro na Exposição Nacional do Rio de Janeiro.

De acordo com uma matéria publicada no jornal A Crítica, em 2011, sobre o aniversário do bairro

Não se sabe ao certo quantos anos o bairro tem. Entre os moradores, há quem diga que o bairro faz 130, 115 e até 67 anos.

Ainda de acordo com a matéria

Para a historiadora Etelvina Garcia, são datas que se relacionam com o imaginário e as lembranças dos descendentes dos primeiros moradores. “Mas, infelizmente, não existe um documento que comprove, ao certo, a idade do bairro.”

Curioso após ler essa matéria, fiz algumas pesquisas em jornais antigos. Estabeleci uma relação de jornais publicados entre 1890 e 1900. Encontrei apenas uma notícia, de 1898, quando o bairro era conhecido como dos Tocos.

Commercio do Amazonas - sabbado, 19 de novembro de 1898

" No bairro dos Tocos, casa n°2, hábita uma mulher que antehontem à noite trouxe toda a visinhança em completo sobre-salto devido ao grande barulho, acompanhado de tiros de revolver que fizera com um de seus companheiros.

Esta scena prolongou-se até ao amanhecer de hontem, sem que os visinhos podessem conciliar o somno. Asseveram os moradores d'esse bairro que este caso não é a primeira vez que se reproduz, e urgem serias providencias por parte da policia".

Então, parece que até o momento o bairro tenha entre 116 e 130 anos, mas isso só futuras pequisas poderão dizer. De acordo com o Censo 2010, Aparecida tem 6.996 habitantes.



FONTES: BESSA, Roberto. Memorial Aparecida: síntese da história de um bairro. Manaus: Edições Muiraquitã, 2010.

Amazonas. Secretaria de Estado de Comunicação Social. Coordenadoria de Relações Públicas. Aparecida. Manaus, 1985.

CORRÊA, Luiz de Miranda. Roteiro histórico e sentimental da cidade do Rio Negro. Manaus: artenova, 1969.

Jornal Commercio do Amazonas, 1898.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://www.panoramio.com/
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quarta-feira, 11 de junho de 2014

A Igreja e a conquista



A Igreja Católica foi uma das protagonistas durante as Grandes Navegações dos séculos 15 e 16. A principal ordem religiosa desse período foi a dos Jesuítas. Essa instituição conquistou espiritualmente várias regiões do globo. Em meio a essas conquistas, culturas foram subjugadas, deixando uma grande lacuna na história dos povos primitivos dessas regiões. Poucos foram os que se manifestaram contra a violência, como foi o caso do padre Bartolomé de las Casas.


 “Após o início da expansão ultramarina, a Igreja Católica participou ativamente da colonização. As ordens religiosas católicas estiveram presentes em todo o império luso, principalmente a dos jesuítas, criada no bojo da contra-reforma, da expansão marítima e da colonização e, por isso, voltada sobretudo para a educação formal (a dos próprios clérigos e a das elites católicas) e para a catequese, a conversão de pagãos e infiéis. Presentes da América ao Japão, os jesuítas alcançaram feitos extraordinários – como a conversão ao catolicismo, em poucas décadas, de cerca de 150 mil japoneses. Não se pode hoje contar a história das conquistas e colonizações, em qualquer lugar do mundo, sem nela incluir ações, pensamentos e articulações da maior instituição católica, assim como as tentativas de seus clérigos (mais ou menos bem sucedidas, a depender da área), muitas delas violentas, para conformar os mais diversos corpos, mentes e culturas com que entraram em contato a uma mesma e única religião”.
(AMADO, Janaína; FIGUEIREDO, Luiz Carlos. O Brasil no Império português. (adaptado). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p. 9)

CRÉDITO DA IMAGEM: http://portugues.christianpost.com/

domingo, 8 de junho de 2014

Os povos da América Latina: índios, negros e imigrantes europeus


A palavra índio foi usada por Cristóvão Colombo para designar os povos por ele encontrados na América. Na verdade, Colombo imaginava ter chegado às Índias e, por isso, chamou os habitantes das terras americanas de índios. Esses índios eram, na verdade, bastante diferentes entre si. Alguns eram bastante simples e viviam da caça e da pesca, enquanto outros, principalmente os que viviam na região que hoje chamamos de México e Peru, alcançaram um elevado grau de complexidade, construindo pirâmides e templos.

Com a colonização das terras que hoje chamamos de América Latina, os índios foram forçados a trabalhar nas plantações e nas minas de ouro e prata de portugueses e espanhóis. Muitos deles, principalmente os dos territórios onde mais tarde surgiram Argentina, Brasil e Uruguai, por exemplo, foram praticamente dizimados. Já em países como Bolívia, México, Peru e Guatemala, as influências indígenas estão presentes até hoje em grande parte da população.

Mas não eram só índios que trabalhavam nas minas de ouro e prata e nas plantações, principalmente de açúcar, das Américas espanhola e portuguesa. Em alguns países, em virtude da falta de índios - ou porque eram poucos já na época da conquista ou porque haviam sido exterminados - foi necessário trazer escravos da África para realizar o trabalho braçal.

Trazidos de várias tribos da África para países como Brasil, Cuba, Haiti e Venezuela, os cativos eram comercializados por espanhóis e portugueses, que obtinham altos lucros com o tráfico. Até hoje, boa parte da população desses países latino-americanos é composta de negros, ainda muito discriminados, tendo, em geral, os piores empregos e recebendo os mais baixos salários.

Depois da abolição da escravatura - que em alguns países da América Latina ocorreu logo após a independência e, em outros (como Cuba e Brasil), somente no final do século 19 - , imigrantes europeus, principalmente italianos, vieram trabalhar em alguns países do continente. Eles começaram a chegar a partir de 1850, quando quase todos os países da América da Latina já eram independentes e não havia mais privilégios para portugueses e espanhóis. Esses imigrantes dirigiram-se, em sua maioria, para a Argentina, o Chile, o Brasil (principalmente para São Paulo e o sul do país) e o Uruguai. Alguns enriqueceram e tornaram-se grande empresários. Outros - a maior parte - transformaram-se em pequenos camponeses ou em operários nas fábricas das cidades.


FONTE: BARBOSA, Alexandre de Freitas. A independência dos países da América Latina. São Paulo: Saraiva, 1997. p. 9-11.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www.unisinos.br/


quinta-feira, 5 de junho de 2014

São Vicente: berço de Manaus

Vista parcial do bairro de São Vicente em 1953.

Ao observar um mapa ou até uma imagem de satélite de Manaus, mesmo quem não é daqui consegue descobrir facilmente onde a cidade nasceu: isso porque toda a massa urbana que se espalha para o Norte em todas as direções parece vir da pequena ponta de terra, às margens do rio Negro. Essa região é hoje conhecida como o centro de Manaus, e é justamente num pequeno pedaço dela que se encontra o berço da capital do Amazonas: o bairro de São Vicente.

É nessa localidade que foi construído o forte de São José do Rio Negro, marco da fundação de Manaus, em 1669. Também ali, ao redor da instalação militar, foram erigidas as primeiras edificações institucionais e religiosas, assim como a primeira praça da cidade, o largo da Trincheira, mais tarde renomeada praça IX de Novembro, numa lembrança à data de adesão da Capitania de São José do Rio Negro à independência, em 1823.

" Embora seja um espaço pequeno geograficamente, o bairro de São Vicente é muito rico, pois ali nasceu a cidade, ali surgiram as sedes de muitas coisas que compõem a vida de uma cidade e a partir dali começou o processo de urbanização de Manaus ", afirma Roger Péres, pesquisador e coordenador de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal do Centro (Semc).

De fato, o bairro veio abrigar a primeira capela da cidade, em homenagem a Nossa Senhora da Conceição: um prédio simples de madeira e palha, construído em 1695 e décadas depois substituído por um edifício de alvenaria que, no entanto, se incendiou em 1858. A capela ficava na rua atualmente conhecida como Visconde de Mauá. Na região foram fincadas ainda as primeiras bases do poder público na cidade. Quando o governador Lobo d, Almada transferiu a sede da capitania de Barcelos para o então Lugar da Barra, em 1791, a sede governamental foi instalada num prédio depois desaparecido, onde hoje fica o museu do porto.

Em São Vicente - nome dado provavelmente em homenagem ao padroeiro de Lisboa - surgiram ainda o Quartel Militar, o hospital militar (na antiga ilha de São Vicente), a cadeia pública, o Tesouro Público e o Éden Teatro, este o principal palco de Manaus até a inauguração do Teatro Amazonas. E também ali, num sobrado que veio a desaparecer, foi assinado o documento que instalou a província do Amazonas, em 1852 - não por acaso, ele ficava na que veio a ser conhecida como rua da Instalação.

Nos dias de hoje, vários prédios resistem ao tempo. O Paço da Liberdade, edifício em estilo neoclássico concluído em 1880, serviu como sede do poder governamental até 1917, e como sede do poder municipal do ano seguinte até 1996 - o que lhe confere status de espaço privilegiado na história da cidade.


Paço Municipal.

Em frente a ele está a praça Dom Pedro II, que tornou o antigo largo do Pelourinho no primeiro jardim público da cidade, destacado pelos ricos coreto e chafariz, ambos em ferro fundido, trazidos da Inglaterra para Manaus no final do século 19.

Na mesma época, foi inaugurado o hotel Cassina. Em seu período de glória, o local chegou a receber artistas que vinham se apresentar no Teatro Amazonas; anos mais tarde, em decadência, o empreendimento daria lugar ao Cabaré Chinelo, prostíbulo que se tornou lenda no imaginário coletivo de Manaus.

O que restou do Hotel Cassina nos dias de hoje.

As instalações portuárias vindas da Europa também chegaram primeiro a São Vicente, com a instalação do trapiche Isabel, no início do século 20. "Foram as primeiras instalações de porte mais importante que a cidade recebeu. Esse armazém em ferro fundido é um dos mais antigos do porto de Manaus,e é uma relíquia arquitetônica", aponta Roger Péres. No local se encontram ainda a loja maçônica pioneira da cidade, Esperança e Porvir, e a sede do Instituto Geográfico e Histórico de Manaus (IGHA), além de duas casas de taipa consideradas as mais antigas construções residenciais de Manaus.

Rua Bernardo Ramos, a mais antiga de Manaus.

O prédio do Iapetec, considerado o primeiro "arranha-céu" de Manaus, foi construído em São Vicente no final dos anos 1940 e inaugurado na década de 1950. Com a saída das secretarias municipais e estaduais da região central, o bairro passou a sofrer com a prostituição e a criminalidade. Atualmente, com a restauração do Paço Municipal e o PAC cidades históricas, que irá revitalizar o hotel Cassina e o antigo prédio da Câmara Municipal, o bairro poderá ter de volta todo o esplendo do passado.



FONTE: Adaptação do texto - SÃO VICENTE: onde tudo começou. Revista Manaus presente. Prefeitura de Manaus, 2013.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://clubedabaladeira.blogspot.com.br/
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terça-feira, 3 de junho de 2014

O comércio nas antigas sociedades africanas

Produtos africanos.

As sociedades africanas desenvolveram formas de sobrevivência de acordo com a região onde viviam. Os grupos que não tinham acesso a um tipo de produto (ouro, pimenta, etc), praticavam escambo com outros. Por exemplo, as populações costeiras e ribeirinhas trocavam peixe seco por grãos cultivados nas regiões de savanas; os produtores de tubérculos das áreas de floresta comerciavam com os pastores dos planaltos. Na África central eram trocados búzios por sal, tecidos de ráfia por barras de ferro ou cruzetas de cobre. Na África ocidental, ouro, cauris, noz-de-cola, marfim e escravos eram trocados por sal, tecidos, grãos, contas. Os diferentes grupos trocavam seus produtos por meio do comércio de curta ou longa distância, havendo uma complementaridade entre as produções típicas de cada lugar.

As alianças mais sólidas entre os grupos eram feitas pelos casamentos, que uniam membros de linhagens diferentes e criavam novas solidariedades. O comércio era outra forma importante das sociedades se relacionarem, trocando não só mercadorias como idéias e comportamentos. O comércio é atividade das mais presentes na história de várias regiões da África, e por meio dele as sociedades mantinham contato umas com as outras. Os produtos eram negociados por pessoas vindas de longe, com costumes e crenças diferentes que algumas vezes eram incorporados, misturando-se às tradições locais. O exemplo mais marcante desse tipo de situação foi a influência muçulmana exercida em todo o Sael a partir das caravanas e comerciantes das rotas do Saara.

Era com o comércio a longa distância que se conseguiam os maiores lucros, pois nele se trocavam mercadorias caras, de luxo, raras, que apenas os mais poderosos podiam pagar. Esse tipo de atividade exigia um grande investimento, pois era preciso comprar as mercadorias a ser negociadas; providenciar o transporte e a segurança das cargas; esperar o melhor momento para negociar. Em compensação, a margem de lucro era suficientemente grande para sustentar um grupo de comerciantes ricos, próximos aos círculos dos poderes centrais das sociedades nas quais viviam.

Já o comércio a curta distância se articulava à vida da aldeia, das cidades próximas, das províncias, envolvendo também regiões vizinhas. O excedente de um grupo era trocado pelo outro, assim a dieta alimentar podia ser variada. Também se trocavam tecidos por contas, potes bolsas de couro, sal por conchas, ouro por cativos. Os dias de feiram se alternavam nos mercados da região, podendo haver uma circulação dos mesmos comerciantes entre as várias feiras. Nelas, as mulheres negociavam os produtos que plantavam.

Além do comércio feito a pé, em algumas áreas de savana podiam ser usados burros, que no entanto não resistiam às doenças das zonas mais úmidas de florestas, nas quais os cursos dos rios eram os melhores meios para transportar as cargas. Estas iam de mercado a mercado, nos quais alguns produtos ficavam e outros era adquiridos, entrando e saindo de canoas, subindo e descendo das costas de carregadores. Assim, não só aldeias vizinhas, mas também as mais distantes trocavam seus produtos. De mão em mão, esses produtos podiam percorrer grandes distâncias, cujo exemplo extremo é o caso das contas indianas e cacos de porcelana chinesa encontrados em escavações na região dos zimbabués.

Se nem todos os povos africanos estavam envolvidos com o comércio a longa distância, como os que estavam presentes nas cidades do Sael, nas cidades da costa oriental e na costa atlântica a partir do século XV, quase todos mantinham algum tipo de troca com seus vizinhos mais ou menos próximos. Rotas fluviais e terrestres existiam nas bacias dos rios mais importantes e nas regiões entre eles. A vitalidade do comércio dentro do continente africano, de curta, média e longa distância, põe por terra a ideia de sociedades isoladas umas das outras, vivendo voltadas apenas para sim mesmas.


FONTE: SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2008. p. 42 - 43.

CRÉDITO DA IMAGEM:  http://osdescobridoresbiju.blogspot.com.br/



domingo, 1 de junho de 2014

Relato sobre a terrível Peste Negra

Papa Clemente VI. Pintura do século 18.

O Papa Clemente VI relatou, em 1349, as proporções "globais" da Peste Negra. Dada a gravidade da epidemia, o Papa, para escapar da morte, teve que deixar Avignon, no sul da França, até então sede do papado, e se isolar em um lugar distante e montanhoso por quase um ano. Este é um relato integral, importante documento histórico para a compreender como se via, no século XIV, uma doença que parecia anunciar o fim dos tempos...


" No ano do senhor 1349 houve em quase toda a superfície do globo uma tal mortalidade como raramente se terá conhecido outra. Com efeito, os vivos mal chegam para enterrar os mortos ou evitavam-nos com horror. Um terror tão grande se apoderou de toda a gente, que, mal uma chaga ou inchaço aparecia em alguém..., a vítima ficava privada de toda a assistência ou mesmo abandonada pelos seus parentes... não é de admirar, pois quando numa casa alguém era atingido pelo mal e morria, muitas vezes todos os outros habitantes eram contaminados e morriam... mais, coisa temerosa de ouvir, os cães, os gatos, os galos, as galinhas e todos os outros animais domésticos sofriam a mesma sorte. Assim, os sãos fugiam pelo medo; e muitos morriam por incúria... Outros, logo que atacados pelo mal..., eram transportados, sem a menor discriminação, para a fossa: assim um grande número foram enterrados vivos. A este mal acrescentou-se outro: correu o ruído de que certos criminosos, particularmente judeus, deitavam nos rios e fontes venenos que faziam engrossar a peste. Por isso, tanto cristãos como judeus inocentes... foram queimados, mortos..., quando é certo que tudo aquilo (a peste) provinha da constelação ou da vingança divina "...

(Vitae Paparum Avenionensirun; Clemente VI Prima Vita)

A Constelação sobre a qual fala Clemente é o alinhamento entre Saturno, Júpiter e Marte. Doutores franceses da época, afirmavam que a má confluência desses planetas era a causa da doença.



FONTE: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, s.d. p. 174.

SCHILLING, Voltaire. A grande peste. Revista Aventuras na História. 01/07/2003.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://en.wikipedia.org/