sábado, 28 de dezembro de 2013

As Bandeiras

Domingos Jorge Velho, um bandeirante paulista. Pintura de 1903.

 
Enquanto a economia das capitanias do Nordeste era baseada na agricultura para exportação,especialmente a cana-de-açúcar,a economia da região de São Vicente era baseada no consumo local.Os paulistas utilizavam em suas lavouras escravos indígenas.A presença de negros era pequena.Como a produção não destinava-se a exportação,os colonos paulistas não tinham recursos para comprar escravos africanos,que eram bastante caros.

Durante os séculos 17 e 18,grupos de paulistas organizaram diversas expedições de captura de índios,ataque a quilombos e a busca por metais preciosos.Os índios e os negros capturados eram vendidos para os engenhos do Nordeste e empregados na lavoura paulista.Como essas bandeiras eram contratadas e pagas por fazendeiros ou pela administração colonial,elas ficaram conhecidas como bandeiras de contrato.A que mais se destacou foi a de Domingos Jorge Velho,que venceu a resistência dos índios cariris e janduís e destruiu o quilombo dos Palmares,no final do século 17.Os bandeirantes atacaram missões jesuíticas no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul,capturando vários índios,muitos já aculturados e de melhor "domesticação".

O período de ouro das bandeiras de apresamento indígena foi durante o domínio holandês em Pernambuco e em Angola,na África.Os senhores de engenho da Bahia passaram a ter dificuldades em obter escravos para seus engenhos e,com isso,passaram a recorrer aos índios capturados pelos bandeirantes,impulsionando cada vez mais as bandeiras.

No entanto,a segunda metade do século XVII marcou o declínio do bandeirismo de apresamento. Em 1648, com a reconquista de Angola, o abastecimento de escravos africanos foi normalizado. A expulsão dos holandeses do Nordeste, restabelecendo o tráfico negreiro, e a crise da economia açucareira provocaram o declínio das bandeiras de caça ao índio.

As mais importantes bandeiras foram as destinadas a procura de metais preciosos,incentivadas pela metrópole devido ao declínio da economia açucareira nordestina da segunda metade do século 17.Graças a essas expedições,foi descoberto ouro em Minas Gerais e,posteriormente em Mato Grosso e Goiás.Iniciava-se um novo ciclo econômico do Brasil Colônia.Em 1693,Antônio Rodrigues de Arzão descobriu ouro em Cataguases,atual Minas Gerais; em 1698,Antônio Dias Oliveira descobriu ouro em Vila Rica,atual Ouro Preto; e,em 1700,Borba Gato encontrou ouro em Sabará.

A descoberta do ouro atraiu portugueses,estrangeiros e colonos de outras regiões para as minas.Esses forasteiros entraram em conflito com os paulistas,que os apelidaram de "emboabas" (Veja - Guerra dos Emboabas).Os emboabas venceram o conflito e expulsaram os primeiros povoadores da região.

Depois desse conflito,os bandeirantes paulistas passaram a procurar metais preciosos em outras regiões do interior,como Mato Grosso e Goiás.Em 1719,Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro em Cuiabá e,em 1722,Bartolomeu Bueno Filho achou riquezas em Goiás.

As bandeiras contribuíram para a ocupação e o povoamento do interior do Brasil,fundando povoados,vilas e iniciando um dos mais importantes ciclos econômicos do Brasil.Por outro lado,as ações bandeirantes contribuíram para o extermínio de várias tribos e para a escravidão.Um outro ponto do bandeirismo foi a consolidação da presença portuguesa além do Tratado de Tordesilhas,modificando consideravelmente as fronteiras da colônia.


 
CRÉDITO DA IMAGEM: http://pt.wikipedia.org





  

 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Contradições da Primeira República: Elites Orgulhosas e Trabalhadores Miseráveis

 Café do Rio, 1911.

A vida política, econômica e social na Primeira República, não mudou em nada da vivida nos tempos de Dom Pedro II. Os barões do Império tornaram-se ministros da República.A Ordem excluía muitos e o progresso era para poucos.

A agricultura era a atividade predominante. Os principais produtos da época eram o café e a borracha. Cerca de 70% da população economicamente ativa estava empregada no campo. Homens, mulheres e crianças, brasileiros e imigrantes, trabalhavam pesado e viviam em um mundo de miséria e sofrimento. Além de não consumir o que produziam, esses trabalhadores não possuíam benefícios sociais.

 Trabalhadores em lavoura de café, início do século 20.

Em contraste com essa situação, existia, desde os anos finais do império, uma elite que procurava imitar cada vez mais os costumes europeus, especialmente os franceses. Nos salões, cafés e teatros, grandes comerciantes, proprietários e políticos, acompanhados de suas famílias, mostravam hábitos e moda europeus. A elite brasileira renegava à si mesma, tanto que,alguns membros da aristocracia se passavam por estrangeiros. Viajantes, tanto nacionais como estrangeiros, relataram alguns aspectos de cidades da República. Sobre Manaus, Euclides da Cunha escreveu

"Felizmente a gente é boa. Em que pese o cosmopolitismo desta Manaus, onde em cada esquina range o português emperrado ou rosna rispidamente o inglês e canta o italiano,a nossa gente ainda os suplanta com as suas belas qualidades nativas de coração e, certo, uma das minhas impressões de sulista está no perceber que o Brasil ainda chega até cá."

Carta a Afonso Arinos, Manaus, 12/01/1905. In: Euclides da Cunha e seus amigos. FILHO, Francisco Venâncio.1938. p.143.


O Rio de Janeiro, então capital da República, passou por um processo de remodelagem e modernização. A reforma urbana do Rio de Janeiro foi levado a cabo pelo prefeito Francisco Pereira Passos a partir de 1903, sob incentivo do presidente Rodrigues Alves. A inspiração para esse projeto foi a Paris remodelada do Barão de Haussmann. Nesse período inúmeros moradores do Centro receberam ordens de despejo, e seus cortiços foram postos abaixo para a construção de avenidas, praças e novos edifícios. O Rio de Janeiro Tornou-se a "capital do progresso contraditório", assim como ocorria em várias capitais do país:

"A avenida Central foi aberta em 1905. A varíola desapareceu da cidade com a vacinação em massa obrigatória. O cais do porto foi remodelado e reequipado."O Rio civiliza-se",diziam então muitos,encantados com o cenário parisiense montado no centro da cidade (...).Estava feita a reforma que transformara o Rio de Janeiro na capital do progresso. (...)

Por trás do cenário francês da avenida Central,estava o Brasil de verdade,onde pouca coisa mudara com a proclamação da República. Por trás da barulheira e da agitação com as obras de reformulação da capital estava a rotina de um país que substituíra o açúcar pelo café na pauta de exportação, que deixara de ter escravos para ter ex-escravos, imigrantes e trabalhadores nacionais trabalhando no pesado e onde os barões do império viraram ministros da República. Por trás do discurso do progresso estava a preocupação com a ordem, uma ordem que excluía muitos da cidadania plena e que hierarquizava a sociedade como um todo. (...)"

NEVES, Margarida de Souza; HEIZER, Alda. A ordem é o progresso: o Brasil de 1870 a 1910.São Paulo, Atual, 1991. p.65-67.

Cortiço no Centro do Rio.

A Proclamação da República não representou nenhuma mudança na vida da população ,tanto em aspectos políticos, econômicos e sociais. Grande parte das massas permaneceu excluída da participação eleitoral. A modernização e o progresso só atingiram as camadas mais abastadas da sociedade, enquanto grande parte vivia na miséria e no sofrimento. A economia continuava centrada na agricultura. Toda essa conjuntura de fatores fez eclodir inúmeras revoltas pelo país, evidenciando assim o descaso do governo em relação aos direitos políticos e a grande parte da população.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://www.arquitetonico.ufsc.br
                                      http://bardoceara.blogspot.com.br
 



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Surgimento do Parlamento Inglês

O Palácio de Westminster - também conhecido como Casas do Parlamento (Houses of Parliament, em inglês) é a sede do parlamento britânico.

Segundo Mário Lúcio Quintão Soares,o sistema Parlamentarista

“é uma forma de regime representativo dentro do qual a direção dos negócios públicos pertence ao parlamento e ao chefe do Estado, por intermédio de um gabinete responsável perante a representação nacional” (SOARES, 2001p. 510)

Filho mais novo do Rei Henrique II,o príncipe João nasceu quando seu pai já havia realizado a partilha de sua herança.Sem posses,ficou conhecido como João Sem-Terra.Porém,o resultado da sucessão real acabou levando-o ao trono da Inglaterra,após a morte de seu irmão,Ricardo Coração de Leão.

No reinado de João (1199-1216),a nobreza aproveitou para reverter a situação política em vigor que,àquela altura,era favorável ao poder monárquico.Estando envolvido em uma série de conflitos com a França e com necessidades de recursos,o rei João criou novos tributos sobre os nobres ingleses,como o objetivo de tentar custear a montagem de seus exércitos.No entanto,entre 1214 e 1215,condes e barões da Inglaterra se rebelaram contra o rei,dando limites ao seu poder político.

No ano de 1215,reunidos no Grande conselho,os nobres e o clero impuseram a João Sem-Terra a Magna Carta,limitando seu poder.Pela Carta,o rei ficava proibido de criar impostos sem o consentimento do Grande Conselho; nenhuma pessoa livre podia ser presa ou punida se o julgamento de seus iguais perante a lei; todos os ingleses tinham garantida a livre proteção contra as arbitrariedades do poder político; caso o rei violasse a Carta,perderia terras e bens.A Magna Carta deve ser considerada o fundamento das liberdades inglesas,que ampliariam nos séculos seguintes.Em sua versão original,a Magna Carta estabelecia uma assembleia com 25 barões que fiscalizaria as ações do monarca.Em suas edições posteriores,as atribuições dessa assembleia foram omitidas.No entanto,ao longo do século 13,tornaram-se frequentes as convocações de nobres e clérigos pelos monarcas,a fim de discutir os assuntos do reino.Assim nascia o Parlamento Inglês.

A partir do reinado de Eduardo I (1239-1307),nenhuma lei poderia ser decretada sem antes passar pelo Parlamento.Em torno de 1330,o Parlamento foi dividido em duas casa: a Câmara Alta,ou Câmara dos Lordes,formada por representantes do alto clero e da alta nobreza e a Câmara Baixa,ou Câmara dos Comuns,formada por representantes dos condados e das cidades.

Com a Magna Carta,o Parlamento transformou-se em um eficiente meio de controlar os condados (áreas administradas pelos condes que dividiam a Inglaterra do ponto de vista territorial).


A Câmara dos Comuns em 1811.


A Câmara dos Lordes em 1811.



CRÉDITO DAS IMAGENS: http://topazio1950.blogs.sapo.pt
                                     http://commons.wikimedia.org







quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

As Leis Sanguinárias da Dinastia Tudor

 A família de Henrique VIII: uma alegoria da sucessão Tudor (detalhe), óleo  sobre  tela,  Lucas de  Heere,  c. 1570-1575.

O período em que a Dinastia Tudor governou a Inglaterra (1485-1603),foi a época das Leis Sanguinárias.Essas leis eram destinadas para a punição de pessoas que se entregaram a mendicância e a vagabundagem por conta dos cercamentos dos campos.Em síntese,os cercamentos foram privatizações de terras dos camponeses por grandes proprietários.Os camponeses ficaram com diminutas parcelas de terra,que eram insuficientes para garantir a sua subsistência.Como melhorar de vida? Na tentativa de conseguirem melhores condições de vida,muitos camponeses foram para as cidades.Bristol,Birmingham, Manchester, Liverpool, Londres e Glasgow eram as principais cidades que tinham fábricas.As fábricas não eram capazes de absorver toda a força de trabalho.Com isso,a maioria dos camponeses se viram entregues a mendigagem e a prática de pequenos delitos.Como medida,foram publicadas (no reinado de Henrique VIII até Isabel I) leis que tinham o objetivo de "disciplinar" essa massa: 
 
Henrique VIII,1530: Os mendigos velhos e incapacitados para o trabalho deverão pedir licença para mendigar.Para os vagabundos jovens e fortes,açoites e reclusão.Serão presos à parte traseira de um carro e se lhes açoitará até que o sangue emane de seu corpo,devolvendo-o em seguida,sob juramento,à sua terra natal ou ao local onde residiram durante os últimos três anos,para que "se ponham a trabalhar".

Que ironia cruel! A Lei do ano 27 de Henrique VIII reforça o estatuto anterior,mas com novas adições,que o tornam ainda mais rigoroso.Em caso de reincidência,deverá açoitar-se novamente o culpado e cortar-lhe metade da orelha; na terceira vez será enforcado como criminoso perigoso e inimigo da sociedade.

Eduardo VI: Um estatuto,ditado no primeiro ano de seu reinado,em 1547,ordena que se alguém se negar a trabalhar,será dado como escravo à pessoa que o denunciar.O dono deverá alimentar seu escravo com pão e água,bebidas e restos de carne que achar conveniente.Tem o direito de obrigá-lo a realizar a realizar qualquer trabalho,por mais repugnante que seja,açoitando-o ou colocando-o a ferros se for necessário.Se o escravo ausenta-se durante duas semanas,será condenado à escravidão por toda a vida,marcando-o a fogo com um S (slave= escravo,em inglês);se foge pela terceira vez,será enforcado como réu de alta traição. [...]

Isabel,1572: Os mendigos sem licença e maiores de quatorze anos serão açoitados sem misericórdia e marcados com um ferro em brasa na orelha esquerda,desde que ninguém queira tomá-los durante dois anos a seu serviço.Em caso de reincidência,desde que sejam maiores de dezoito anos e ninguém queira tomá-los por dois anos a seu serviço,serão enforcados.

MARX,Karl.O Capital.Cidade do México: Fondo de Cultura,livro I,cap. XXIV,1975. p.624 - 7.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://www2.uol.com.br/historiaviva    

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Os Negros no Brasil

Na gravura do século 18,um mercador de escravos é mostrado durante uma contratação.


Capturados na África,os primeiros negros escravizados chegaram em terras brasileiras na primeira metade do século 16,possivelmente em 1532.Na América,o registro mais antigo da presença de africanos escravizados data de 1502,em São Domingos,nas Antilhas.A vinda forçada dos negros para o Brasil se explica por dois fatos: O seu tráfico garantia bons lucros para os envolvidos e necessitava-se de uma boa força de trabalho na nascente economia canavieira.

Durante vários séculos,desde o ciclo da cana-de-açúcar (séculos 16 e 17) até o ciclo do café (séculos 19 e 20),o negro foi a grande força de trabalho que sustentou as atividades econômicas do país.Esteve presente na agroindústria açucareira da região Nordeste,no início do século 16; No ciclo minerador nos séculos 17 e 18 em Minas Gerais e na região Centro-Oeste; No ciclo do algodão nos séculos 17 e 18 no Maranhão e no Ciclo do Café no século 19,na Região Sudeste.A importância da mão-de-obra escrava era tanta que,entre 1820 e 1860,o Brasil recebeu 1.200.000 negros escravizados,mais que o dobro da quantidade recebida por toda a América espanhola no mesmo período.

Gravura representando a captura de negros destinados à escravidão,no Congo.

Os negros eram provenientes de raptos,guerras,ou simplesmente comprados ou trocados por mercadorias.Em seguida,os negros eram transportados da África para o Brasil nos navios negreiros.Nos navios negreiros os escravos eram amontoados,mal-alimentados,sofriam castigos e eram mantidos em completa promiscuidade.Muitos não aguentavam e morriam no decorrer da viagem.Quando chegavam no Brasil,eram vendidos de acordo com o sexo,idade,procedência e etc.

Nègres a Fond de Calle (Negros no Porão de Navio) – Johann Moritz Rugendas – Da obra “Voyage Pittoresque au Brésil” (1835).

Estima-se que a quantidade de escravos que entraram no Brasil varia entre 3,5 e 4 milhões,que é a cifra mais aceitada pelos estudiosos.


Mapa representando a origem e o destino dos escravos.

Dois grupos de escravos se destacaram: os Bantos e os Sudaneses.Os Bantos eram provenientes da Angola,do Congo e de Moçambique,são descritos como mais atrasados culturalmente e de feições mais rudes.dividiam-se em dois subgrupos: angola-congoleses e moçambiques.Tinham como destino Maranhão, Pará, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e São Paulo.Os Sudaneses eram provenientes de regiões próximas ao Golfo da Guiné (África Ocidental),que correspondem nos dias de hoje a países como Guiné,Costa do Marfim,Burkina,Gana,Togo,Benin e Nigéria.Os Sudaneses eram altos e corpulentos e de nível cultural elevado.Tinham como principal destino Salvador.Posteriormente,muitos deles foram levados para trabalhar nas Minas Gerais na extração do ouro.Detalhe,foram de grande importância nessa região, pois,tinham milênios de experiência em mineração,sendo conhecidos como Escravos Britadores.Os Sudaneses estavam divididos em dois grupos: hauçás,mandingas e fulas (islamizados); iorubas,nagôs,jejes e fanti-achantis (não-islamizados).

Além de contribuir para o desenvolvimento econômico do país e na formação étnica da população brasileira,o negro influenciou fortemente na natureza cultural da sociedade brasileira.Na música popular e na dança contribuíram com o maracatu,samba e frevo.Trouxeram instrumentos musicais presentes até os dias de hoje em nossa cultura,como o atabaque,agogô e berimbau.Na alimentação trouxeram temperos e inovações,como o vatapá,a feijoada,o acarajé,o azeite-de-dendê e o pé-de-moleque.Na religião,graças ao sincretismo,conseguiram preservar suas raízes no candomblé e na umbanda.



FONTES: 
COELHO,Marcos de Amorim.Geografia do Brasil. 4.ed. rev.atual.e ampl. São Paulo: Moderna,1996. (Série sinopse).


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://www.klepsidra.net  
                                    http://walterlinhistoria.zip.net 
                                    http://www.revistadehistoria.com.br








  

A França de Luís XIV: Do Palácio de Versalhes à Pobreza

Gravura do Palácio de Versalhes.

O maior representante do luxo e do poder de Luís XIV,é,sem dúvida,o Palácio de Versalhes.O palácio simbolizava o Rei-Sol em cada detalhe,seja em janelas,cômodos,colunas e esculturas.Iniciada em 1661,levou mais de cinquenta anos,empregando cerca de 36000 trabalhadores e 6000 cavalos de carga.O projeto geral foi idealizado pelo arquiteto Louis Le Vau,o mesmo que projetou o Palácio Vaux-le-Vicomte,de Nicolas Fouquet.Jules Hardouin-Mansart,projetou uma magnífica Galeria dos Espelhos,com 67 metros de comprimento,10 metros de largura e 12 metros altura,tem as paredes cobertas de espelhos,que refletem a luz do sol que entra pelas janelas.A decoração do teto,por meio de alegorias pintadas por Le Brun,conta a história de Luís XIV.O Palácio era decorado com tapeçarias,tapetes orientais,pinturas,vasos de mármore e de bronze,poltronas forradas de seda vermelha e branca,candelabros de cristal,muito ouro e prata,e,no Salão de Apolo,um incrível trono de prata de 2,5 metros de altura.Os jardins elaborados por André Le Notre ostentavam fabulosas esculturas de François Girardon e Antoine Coysevox.A Grande bacia de Netuno possuía novecentas fontes.O Palácio impressionava outros nobres da Europa,que chegavam a afirmar que ele era a oitava maravilha do mundo.Os membros da aristocracia,por lei,não podiam trabalhar.Como distrair essas pessoas ociosas ? Luís XIV realizava gastos extravagantes,idealizando bailes,jogos,caçadas,festas,concertos, óperas e peças de teatro para "passarem o tempo".Luís XIV foi um grande Mecenas,patrocinando grandes artistas,como Molière,La Fontaine,Racine,Couperin e lully.


Gravura do século 17 representando camponeses fazendo vinho.

Enquanto a aristocracia vivia confortavelmente em Versalhes,a pobreza reinava por completo do "lado de fora do muro".Em meados do século XVII,a expectativa de vida na França era de 21 anos.Os nobres,que viviam em melhores condições,chegavam a atingir entre 44 e 50 anos.As guerras faziam parte da política externa de Luís XIV.Ele acreditava que dessa forma a França iria se manter como potência política e econômica da Europa.No entanto,essas guerras contribuíram para levar o tesouro francês ao esgotamento.Em 1667/68,tem início a Guerra da Devolução: tropas francesas tomam parte dos Países Baixos espanhóis,reivindicada por Luís XIV em nome de sua mulher.Em 1689/97,a França participa da Guerra da Liga de Augsburgo contra Inglaterra,Áustria,Espanha,Suécia,Holanda e Baviera.Esses países pretendiam conter o avanço expansionistas francês.Em 1702/14,Luís XIV lutou para garantir o trono da Espanha ao neto,Filipe V.A Política interna também contribuiu para a péssima situação das camadas mais pobres.Luís XIV era católico fervoroso e não tolerava a presença dos huguenotes (calvinistas franceses),considerando-os estopins de revoltas internas.Após a morte de Colbert,cuja política beneficiava as manufaturas e o comércio,o secretário Louvois convenceu o rei a revogar o Edito de Nantes: Começara a perseguição aos protestantes.O resultado dessa revogação foi um profundo desastre.Cerca de 300 mil huguenotes,que eram donos de manufaturas e comerciantes,fugiram para a Holanda,para a Inglaterra e para a Alemanha,levando seu capital e seus conhecimentos.No final do reinado de Luís XIV a situação era alarmante: A França afundada em dívidas,os camponeses oprimidos pelo aumento de impostos,péssimas colheitas,epidemias e aumento geral dos preços.Luís XIV morreu em 1715,aos 76 anos,de problemas estomacais e gangrena.Luís XIV deixou suas instruções finais e conselhos para Delfim,de quatro anos e meio: " Eu amei demais a guerra; não me imite nisso,nem nos gastos exagerados".Morreu às oito horas e 15 minutos de domingo,1* de setembro.Essa foi a França de Luís XIV,de tempos gloriosos à falência total.


FONTES: NOGUEIRA,Gomes Henrique Fausto; CAPELLARI,Alexandre Marcos.História: Ensino Médio,volume único.São Paulo: Edições SM,2010. (Coleção ser protagonista).

Os Grandes Líderes.Luís XIV.Pierre L. Horn.São Paulo: Nova Cultural,1987.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://multiplosestilos.blogspot.com.br 

Os Grandes Líderes.Luís XIV.Pierre L. Horn.São Paulo: Nova Cultural,1987.







domingo, 15 de dezembro de 2013

A Civilização Cretense

Localização da Ilha de Creta.

Por volta de 3000 a.C., a Ilha de Creta,no Mar Mediterrâneo,já havia sido ocupada pela civilização cretense,uma importante civilização que antecedeu a dos gregos.Também chamados de minoicos,em razão de seu lendário rei Minos,os cretenses se desenvolveram e atingiram seu apogeu cerca de mil anos após terem ocupado essa ilha.A reconstituição da história dessa civilização foi e ainda é difícil,porque faltam documentos escritos.Restaram,no entanto,vestígios de palácios,túmulos,estátuas,vasos e outros objetos.Arqueólogos encontraram placas,que,depois de decifradas,revelaram apenas o nome de sacerdotes e funcionários.Os povoadores de Creta eram provavelmente arianos procedentes da Ásia Menor.Outros levantam hipóteses de que fossem mediterrâneos,por serem baixos e morenos,nada parecidos com arianos e semitas. 

Os gregos transmitiram relatos sobre a história de Creta.Um desses relatos é sobre a lenda do Minotauro: O rei de Creta,Minos,mandou construir um labirinto para prender uma feroz criatura,o Minotauro.Todos os anos,os habitantes de Atenas deveriam enviar sete rapazes e sete moças para o labirinto da criatura.Inconformado com a situação pela qual a cidade passava por todos os anos,um jovem,chamado Teseu,decidiu enfrentar o Minotauro e misturou-se entre os jovens que iriam para o labirinto naquele ano.Chegando em Creta,Teseu conheceu Ariadne,filha de Minos.Os dois apaixonaram-se.A princesa decidiu ajudar o jovem,oferecendo-lhe um novelo de lã para que ele pudesse marcar o caminho de volta e sair do labirinto.Com isso,Teseu entrou no labirinto,matou o Minotauro e libertou a cidade de Atenas do terrível pagamento do tributo.

Teseu combatendo o Minotauro, de Jean-Étienne Ramey, mármore, 1826,Jardins das Tulherias, Paris.


O Palácio de Cnossos

Ruínas do Palácio de Cnossos.

Cnossos foi o maior dos palácios cretenses e,mais tarde,a maior cidade de Creta no período clássico.Escavado sobretudo por Sir Arthur Evans,a sua história é fundamental para conhecer a civilização da Idade do Bronze em terras gregas.Foi aqui que Evans encontrou pela primeira vez aquilo que procurava,provas da linguagem escrita da Idade do Bronze grega.Os arquivos em placas de barro que descobriu permitiram,mais tarde,que estudiosos construíssem uma imagem bastante precisa de muitos aspectos da sociedade e da economia de Creta.Mas a primeira impressão que perdura da cultura principesca de Cnossos é a de ser muito rica,mas quase mais fina do que rica,embora também possua o seu lado sinistro.

Um dos vários afrescos do Palácio.

O Palácio foi construído,cerca de 1900 a.C., sobre uma pequena elevação que cobria os restos de milhares de anos de habitação humana.Além de ser residência da família real,o palácio era o centro administrativo,econômico e religiosos da Ilha de Creta.Por isso,em suas dependências foram construídos armazéns e oficinas,além de santuários e residências para os funcionários.Cnossos foi arruinado por mais de uma vez,e no seu último período florescente,cerca de 1400 a.C.,esteve sob o controle Micênico.Mas mesmo após o colapso da civilização palaciana houve outra Cnossos,uma cidade com cerca de um quilômetro quadrado que cresceu mesmo a norte das ruínas.Nas lendas clássicas gregas,Cnossos era o palácio de Minos,um rei muito mais grandioso do que Agamémnon de Argos.Os cretenses possuíam um cerâmica de grande beleza e elevada qualidade.Nas escavações realizadas foram encontrados um complexo sistema hidráulico,sanitários,uma rede de água e esgoto,composta por um sistema de aquecimento de água.Esses benefícios eram reservados apenas para a família real e os membros da corte cretense.

Os cornos de pedra do touro,ou Cornos da Consagração,são um dos símbolos religiosos minóicos mais comuns.

Afresco das Mulheres Pugilistas.Muitos dos temas dos afrescos do palácio são desportivos ou de ar livre: eram mais frequentemente decorativos do que religiosos.


Economia

Os cretenses cultivavam cereais,vinhas e oliveiras.Eram habilidosos com trabalhos em metais e cerâmica.Seus vasos de cerâmica e bronze eram vendidos em todo o Mediterrâneo oriental.Considerados fundadores do primeiro império marítimo,construíam navios de até 20 metros de comprimento.Seus mercadores vendiam vasos com azeite e vinho,artigos de bronze e estofos.Compravam minérios,marfim e perfume.Tinha o monopólio do comércio no Mar Egeu.Os faraós lhes deram exclusividade no transporte do cedro do Líbano para o Egito.Trocavam produtos ou pagavam com grossos discos ou placas de bronze de até 30 quilos.

Religião Cretense

Estátua representando a Deusa-Mãe.

A principal divindade cretense era a Deusa-Mãe ou a Grande-Mãe,protetora da terra e da fertilidade,representada por uma pomba e uma serpente.Não havia templos.Celebravam cultos em lugares elevados,cavernas e capelas dos palácios.Havia festas religiosas com danças e torneios,em que destacavam-se acrobatas que se exibiam sobre touros (tauromaquia).


A Invasão de Creta

Sala do trono no Palácio de Cnossos.

Por volta de 1450 a.C., uma série de catástrofes naturais atingiu a Ilha de Creta,destruindo seus portos e tornando suas cidades vulneráveis.Valendo-se da fragilidade de seus vizinhos,os aqueus,principal povo micênico,invadiram Creta e tomaram o Palácio de Cnossos.A partir de então,o intercâmbio entre essas duas culturas tornou-se mais intenso,dando origem a chamada civilização Creto-Micênica,considerada por muitos estudiosos a ancestral direta da antiga civilização grega.



FONTES: ARRUDA,A.José Jobson de; PILETTI,Nelson.Toda a História.História geral e História do Brasil.São Paulo: Ática,1994.

PELLEGRINI,Marco; DIAS,Adriana Machado; GRINBERG,Keila.Novo olhar - História.São Paulo: FTD,2010. - (Coleção novo olhar). 

Atlas of the Greek World. Vol.1. England: Andromeda Oxford Limited. Edições del Padro,1996. Tradução de: Ana Berhan da Costa.


CRÉDITO DAS IMAGENS: http://www.historiazine.com
                                     http://pt.wikibooks.org
                                     http://commons.wikimedia.org
                                     http://umpouquinhodecadalugar.com













quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

África: Visões e Reações

              (Iluminura medieval do livro "L'histoire naturelle", datada do século XV) 

Na Antiguidade,a África era chamada de Etiópia e os africanos de etíopes (do grego,terra dos homens de pele negra).A história da África permaneceu desconhecida durante vários séculos.Até meados do século XV,os únicos territórios conhecidos pelos europeus ficavam localizados acima do Deserto do Saara,nos limites do Mediterrâneo.

Durante a Idade Média,as representações da África e dos africanos feitas pelo homem europeu foram influenciadas pelo cristianismo e pela bíblia.Nas cerimônias religiosas,por exemplo, a figura do diabo era negra,igual a um etíope.Os anjos e santos,no entanto,eram brancos.

A visão preconceituosa dos navegantes europeus iria perdurar nos séculos seguintes.Os perigos do "Mar Tenebroso" (Oceano Atlântico),tema que já foi abordado aqui no blog,e a região abaixo da linha do Equador,alimentavam o imaginário dos europeus sobre os africanos.Monstros,terras inóspitas,seres humanos deformados,imoralidades,regiões e hábitos demoníacos,seriam constantemente descritos pelos viajantes,aventureiros e missionários.

O encontro entre europeus e africanos foi um grande choque cultural.Um dos estranhamentos foi o dos africanos com a cor da pele e os modos europeus:

" Estes negros,tanto machos como fêmeas,vinham ver-me como uma maravilha,e parecia-lhes coisa extraordinária ver um cristão em tal lugar, nunca dantes visto: e não menos se espantavam do meu trajo e da minha brancura; o - qual trajo era à espanhola,com um jubão de damasco preto e uma capinha de gris; reparavam para o pano de lã,que eles não tem,e reparavam para o jubão,e muito pasmavam; alguns tocavam-me nas mãos e nos braços. [e] com cuspo esfregavam-me,para ver se a minha brancura era tinta ou carne; e,vendo que era carne branca,ficavam-se em admiração.Eu ia a estes mercados para ver coisas novas,e também para ver se lá ia alguém que tivesse ouro em quantidade para vender: mas de tudo se achava pouco [...]. "

CADAMOSTO,Luís de.Viagens de Luís de Cadamosto e de Pedro de Sintra. 2.ed.Lisboa. Academia Portuguesa de História.1988. p.141.


O continente africano, para os europeus, não passava de um mundo em estado bruto de formas, de doenças endêmicas e, particularmente para a visão mercantilista, um mundo atrasado economicamente.Essas visões de África foram construídas por interpretações e descrições cheias de preconceitos.O imaginário que os estrangeiros tinham,servia para dar imagens negativas dos africanos,consolidando a crença de que aquele era um continente monstruoso e destituído de civilização.Atualmente,a África ainda é vista dessa forma,um continente cheio de epidemias e outras mazelas.Talvez, daqui a alguns séculos,a importância desse continente seja reconhecida.



CRÉDITO DA IMAGEM: http://cocada-preta.blogspot.com.br
       

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Trabalho


O trabalho constitui-se em uma necessidade natural do ser humano,necessidade essa que perpetuará para toda a eternidade.Nos primórdios da humanidade,trabalhava-se para produzir o que se consumia: roupas,alimentos,moradia e etc.O homem fabricava instrumentos com a finalidade de melhorar os processos de trabalho.Cada geração recebe os instrumentos das gerações anteriores.Os usam,modificam e melhoram.São as condições históricas que dão validade e o limite do trabalho.

Trabalho é a atividade desenvolvida pelo homem,sob determinadas formas,para produzir a riqueza.São as condições históricas que lhe dão validade e estabelecem seu limite.

A história do trabalho começa quando o homem busca os meios de satisfazer suas necessidades - a produção da vida material.Essa busca se reproduz historicamente em toda a ação humana para que o homem possa continuar sobrevivendo.Na medida em que a satisfação é atingida,ampliam-se as necessidades a outros homens e criam-se relações sociais que determinam a condição histórica de trabalho.O trabalho fica então subordinado a determinadas formas sociais historicamente limitadas e as correspondentes organizações técnicas,o que caracteriza o chamado modo de produção.Em síntese,o modo de produção dominante que convive com outros modos de produção subordinados,determina a execução dos processos de trabalho,que são produto das relações sociais.Assim,toda sociedade é um momento histórico e só pode ser apreendida como parte daquele processo.

Escravismo,feudalismo e capitalismo são formas sociais em que tecem as relações que dominam o processo de trabalho,a forma concreta do processo histórico,sob determinadas condições,que criam essas relações fundamentais.O processo histórico é compreendido,portanto,pela forma como os homens produzem os meios materiais,a riqueza.

OLIVEIRA,C. R. de. História do trabalho.São Paulo: Ática,1998, p.5. 


Existem duas formas de trabalho: Trabalho intelectual e Trabalho manual.O trabalho intelectual necessita especialmente do empenho mental.O Trabalho manual é aquele que exige principalmente o esforço físico e a habilidade com as mãos.Essa divisão do trabalho entre intelectual e manual servia para coordenar o esforço conjunto de milhares de trabalhadores nas obras de irrigação e construção de estradas,por exemplo.O serviço deles ficava mais organizado.O problema é que as pessoas especializadas no trabalho intelectual,no trabalho de pensar e de orientar o trabalho das outras pessoas,começaram a ter muito poder em suas mãos.O poder de dizer aos outros homens o que era certo e o que era errado,e o que deveriam ou não deveriam fazer.O poder de mandar nas outras pessoas.

Preste atenção em algo muito importante: antes,as pessoas que coordenavam os trabalhos eram escolhidas por toda a comunidade.Eram os que se mostravam mais capazes para o trabalho.Gozavam da confiança das pessoas.Não tinham nenhuma vantagem por exercer essa função.Mas,ao longo dos séculos,as sociedades e as obras cresceram muito e se tornaram mais complexas.O conhecimento deixou de ser compartilhado pela comunidade.Só algumas famílias tinham o direito de coordenar o trabalho comunitário.

Claro que os trabalhadores manuais podiam raciocinar.Mas foram perdendo o direito de usar seu raciocínio,foram perdendo o direito de escolher as pessoas que exerciam as tarefas intelectuais.A divisão do trabalho,a especialização por tarefas era boa para desenvolver a economia,mas também fez com que a comunidade se dividisse.As pessoas foram se isolando umas das outras.E os que tinham o poder de pensar e decidir,passaram esse poder a seus filhos.As decisões deixaram de ser tomadas pela comunidade e se tornaram um privilégio exclusivo de uma minoria de pessoas especializadas em pensar e ordenar.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://trabalhouv9.blogspot.com.br


domingo, 8 de dezembro de 2013

A Participação das Mulheres na Primeira Guerra Mundial

Mulheres trabalhando em uma indústria bélica.

Por Patrícia Ramos Braick e Miriam Becho Mota, em História: das cavernas ao terceiro milênio - do avanço imperialista no século 19 aos dias atuais.

Durante a Primeira Guerra Mundial, as mulheres que viviam nos países envolvidos no conflito, sofreram as consequências. Enquanto os homens deslocavam-se em grande quantidade para os campos de batalha, mulheres de classe média e alta passaram a trabalhar fora de casa.

No campo as mulheres ficaram responsáveis pela produção agrícola e pela criação de animais. As que viviam nas cidades foram trabalhar com transportes, dirigindo ônibus e caminhões, e também nas indústrias, entre elas a bélica. Muitas mulheres também dirigiram-se para os campos de batalha para trabalhar como enfermeiras, cozinheiras,motoristas de ambulâncias e etc. Mesmo que a Guerra tenha trazido angústia e sofrimento, ela propiciou muitas conquistas que contribuíram para a emancipação feminina. Em vários países, por exemplo, elas puderam se consolidar como profissionais e adquiriram a independência financeira.

Muitas mulheres conseguiram garantir melhores condições de trabalho e conquistaram um direito muito importante: Estudar em universidades. Melhor do que isso, foi a conquista da legalização do voto feminino em vários países, logo após a Guerra.

Também ocorreram mudanças expressivas no comportamento feminino.As mulheres alcançaram a liberdade de poder saírem sozinhas e dirigir automóveis, passaram a usar roupas mais confortáveis e aderiram ao uso de cosméticos.      

O mundo moderno do século XX exigia coisas práticas como esse tipo de roupa.



CRÉDITO DAS IMAGENS

http://is2fashion.blogspot.com.br
http://www.teoriacriativa.com



 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A Incrível Cidade de Cartago

                                                                  Ruínas de Cartago

Cartago foi,inicialmente,uma colônia fenícia situada no Norte da África.Ao longo dos séculos seguintes,transformou-se em uma das principais potências da Antiguidade,chegando a disputar com Roma o controle do Mar Mediterrâneo.Era considerada por gregos e romanos como a cidade mais rica do Mediterrâneo.Dessas disputas originaram-se três Guerras Púnicas,após as quais Cartago foi completamente destruída,no século 2 a.C.Abaixo,uma descrição minuciosa da cidade em seus tempos de glória:

Fundada por volta do século 8 a.C., Cartago transformou-se,ao longo dos séculos seguintes,em uma das principais potências comerciais e militares do Mediterrâneo.No final do século 5 a.C., já controlava uma área que se estendia da costa norte da África até o sul da península Ibérica.Por essa época,era considerada por gregos e romanos como a cidade mais rica do mundo Mediterrâneo .

Em seu período de esplendor,Cartago contava com uma população de 400 mil habitantes.Uma muralha de 40 quilômetros cercava a cidade,protegendo-a de invasores.Nos seus pontos mais estratégicos,a muralha chegava a ter 12 metros de altura e 9 metros de espessura.

A cidade reunia edifícios de até seis andares e uma grande quantidade de templos.Seus cultos religiosos incluíam sacrifícios em homenagem aos deuses fenícios Baal - Hamon e Tanit.

Cartago contava também com um sofisticado complexo portuário.Construído em forma circular,o porto recebia os navios mercantes em seu lado externo.Já sua parte interna era destinada ao abrigo da frota militar.Além de ter capacidade para guardar cerca de 220 navios de guerra - uma das maiores frotas da época -,o porto contava ainda com uma torre de controle que,do alto,assegurava uma ampla visão do Mediterrâneo.Nenhum navio estrangeiro podia seguir com suas mercadorias para o oeste de Cartago.Embarcações que ameaçassem furar o bloqueio eram afundadas.Os navios estrangeiros viam-se,portanto,obrigados a atracar em Cartago e transferir suas mercadorias para as embarcações cartaginesas,que as revendiam nos portos do Mediterrâneo ocidental.

Em Cartago era possível encontrar produtos vindos de diversos lugares,como estanho da Bretanha,prata e ferro da península Ibérica,ouro e marfim de diferentes lugares da África.Entre as principais mercadorias vendidas pelos cartagineses estavam metais,tecidos e produtos agrícolas,além de escravos.No século 4 a.C. a cidade passou a cunhar sua própria moeda,usada nas transações comerciais.

Em certas regiões da África,os cartagineses trocavam produtos manufaturados por ouro.Com algumas dessas populações estabeleceram a prática do "comércio mudo": ao desembarcar,descarregavam suas mercadorias na praia e retornavam aos navios,de onde emitiam sinais de fumaça para chamar os nativos.Quando estes chegavam,depositavam na areia a quantidade de ouro que julgavam adequada ao pagamento e também se retiravam.Os cartagineses retornavam a praia e,caso entendessem que a quantidade de ouro era justa,a recolhiam e iam embora.Se julgavam-na insuficiente,voltavam ao navio,aguardando que os nativos aumentassem a oferta.Enquanto a negociação não fosse finalizada,nem os cartagineses tocavam no ouro nem os nativos na mercadoria.

Além da frota naval,Cartago contava com um exército poderoso.Até o século 5 a.C., a base desse exército eram os próprios cartagineses.A partir de então,suas tropas passaram a ser formadas basicamente por soldados mercenários recrutados entre as populações fenícias do norte da África e europeus oriundos de regiões da atual Espanha,Itália,Grécia e França,entre outros lugares.

Apesar de seu poderio,Cartago foi completamente destruída no século 2 a.C. após travar três guerras contra o exército romano.Com a vitória,Roma consolidou-se como a principal força econômica e militar do Mediterrâneo.

WARMINGTON,B.H. O período cartaginês.História Geral da África.São Paulo: Ática/Unesco,1983.p. 449-2.v.II.


O que sobrou da poderosa Cartago é conhecido atualmente como Sítio Arqueológico de Cartago,localizado na Tunísia.É tombado como Patrimônio Mundial da Unesco desde 1979.


CRÉDITO DA IMAGEM: http://commons.wikimedia.org