quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Palácios, Palacetes, Castelos e Castelinhos de Manaus

Palácios, palacetes e castelos são construções que fascinam pela imponência, monumentalidade e estética dos estilos arquitetônicos nelas utilizados. Réplicas ou tentativas de réplicas de palácios e castelos existentes na Europa foram construídas em várias partes do mundo. Em Manaus não foi diferente. Seus pequenos palácios, castelos e palacetes, erguidos um pouco antes e durante o auge da economia gomífera, ainda figuram de pé entre nosso patrimônio histórico, embora muitos tenham sido criminosamente demolidos, como foi o caso do Palacete Miranda Corrêa (1969). No presente texto, comemorativo ao mês de aniversário da cidade, apresento essas construções manauaras, suas histórias e estilos arquitetônicos.

Palacete da Família Nery. Foto: César Pinheiro

Fincado entre a Avenida Joaquim Nabuco e a rua dos Andradas, no Centro, está o antigo Palacete da Família Nery, construído em 1899 a mando de Silvério José Nery (1858-1934), então Deputado Federal e futuro Governador do Estado do Amazonas no período de 1900 a 1904. Sobre seu estilo arquitetônico, escreveu o memorialista Luiz de Miranda Corrêa que o prédio “nos parece suave e imponente em seu neoclássico tranquilo, com frontão triangular decorado um tanto à maneira shereaton”, e quesem dúvida, é a mansão manauense mais castiçamente neoclássica, com janelas e portas francesas, seu pátio com varandas, seus gradis forjados ao gosto de Paris da época” (CORRÊA, 1969, p. 41). Foi projetado pelo arquiteto e engenheiro italiano Filinto Santoro (1878-1927), com experiência em construções no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Nele foi hospedado, em 1906, o Presidente Afonso Pena, que veio a Manaus para o lançamento da pedra fundamental da Alfândega.

Depois de mais de quatro décadas servindo de residência da família Nery, o palacete abrigou, posteriormente, diferentes repartições públicas: “Fomento Agrícola Federal, a Delegacia do Ministério da Agricultura e, provisoriamente, a Câmara Municipal de Manaus” (INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DO AMAZONAS, 1985, p. 53). Entre as décadas de 1980 e 2000 abrigou o Hotel Bela-Vista, sendo essa a última utilização plena do espaço, entregue ao abandono até 2015 como estacionamento. O palacete começou a ser restaurado em 2015, abrigando atualmente um salão de festas.

Palacete Mello Rezende. Foto: Terra Nova/Manaus Sorriso.

Não muito distante do Palacete Nery, o Palacete Mello Rezende, na rua Coronel Sérgio Pessoa, na Praça dos Remédios, é um raro exemplo de construção da qual existe registro de seu embrião estrutural. Uma fotografia de 1893 da Praça dos Remédios mostra a construção com apenas um piso, com as janelas ogivais, características das arquiteturas Gótica e Árabe. O segundo andar possivelmente foi construído depois de 1900, tendo sido acrescidos gradis de ferro em estilo Art Nouveau. Seu interior é ricamente decorado com pinturas alegóricas à mitologia greco-romana feitas no forro. Como o próprio nome indica, foi residência da família do advogado Simplício Coelho de Mello Rezende (1873-1932).

A segunda casa depois da árvore, em direção ao Rio Negro. 1893. FOTO: George Huebner/Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Salles.

Ele foi uma das várias construções atingidas durante o famoso Bombardeio de Manaus, ocorrido em 08 de outubro de 1910. Nele foram hospedados, em 1927, Dom Pedro de Orleans e Bragança (1875-1940), a Pricensa Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz (1875-1951) e a Princesa Isabel de Orleans e Bragança (1911-2003), durante visita realizada em Manaus, último destino da rota de excursões da Família Imperial Brasileira pelo Norte do país.

Palacete Mourisco. FOTO: Hyago Sena.

O Palacete Mourisco, entre as ruas Simon Bolívar e Ferreira Pena, na Praça da Saudade, é um raro exemplar de arquitetura com influência árabe em Manaus, influência essa vista em suas janelas e acrotérios ogivais. Datado de 1908, foi residência de Carlos de Figueiredo, Presidente e sócio majoritário do Banco Amazonense, popularmente conhecido como Banco do Tostão. Nele também residiu o dramaturgo paraense Benjamin Lima (1885-1948).Em suas dependências foi instalado, em 1944, no governo de Álvaro Botelho Maia (1893-1969), o Departamento de Educação e Cultura. Antes, na década de 1930, foi o Juizado Federal. Décadas mais tarde também abrigou a Reitoria da Universidade do Amazonas. O historiador e artista plástico Otoni Moreira Mesquita informa que nele também funcionou a “Secretaria de Segurança Pública” (MESQUITA, 2006, p. 269).

Há mais de 20 anos foi cedido ao Tribunal de Justiça do Amazonas, que nele instalou a ESMAM (Escola Superior de Magistratura do Amazonas), construindo, nos anos 2000, um anexo no mesmo estilo da construção original, para melhor abrigar os alunos da escola de Magistratura. O TJAM devolveu o prédio à Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas (SEC-AM) em 2015. Passados 3 anos, sem funcionalidade desde então, já começa a dar fortes sinais de desgaste.

Palacete Afonso de Carvalho. FOTO: José Martins Rocha.

No mesmo logradouro, Praça da Saudade, entre as ruas Ramos Ferreira e Ferreira Pena, fica o Palacete Afonso de Carvalho, construído entre 1907 e 1908 para ser residência do Coronel da Guarda Nacional Raimundo Afonso de Carvalho, que assumiu o Governo do Estado quando da renúncia de Constantino Nery em 1907. Nele foi instalado, em 1922, a Casa Doutor Fajardo, hospital infantil. O nome é uma homenagem ao médico fluminense Francisco de Paula Fajardo Júnior (1864-1906). Posteriormente funcionou como Faculdade de Engenharia da antiga Universidade do Amazonas, Junta de Alistamento Militar e escritório.

Palacete Guabiraba. FOTO: Google Maps.

Escondido e esquecido na rua Leonardo Malcher, poucos notam o Palacete Guabiraba, antiga propriedade de Pedro Guabiraba, Promotor Público e Chefe de Polícia. Foi por muitas décadas sede da Imprensa Oficial. Seu estilo arquitetônico é o neogótico, evidenciado pelas pontas de lança na crista do telhado.

Palacete Provincial. FOTO: Gisele Rocha/Viajei Bonito.

Na Praça Heliodoro Balbi, popularmente conhecida como da Polícia, o Palacete Provincial domina a paisagem. Originalmente Palacete Garcia, propriedade do Capitão da Guarda Nacional Custódio Pires Garcia, foi adquirido pela Província por volta de 1867-68 para abrigar repartições públicas, tendo sido concluído em 1874. Abrigou, de acordo com o historiador Roberto Mendonça, “o Liceu, a Biblioteca Pública, a Assembleia Provincial e a Repartição de Obras Públicas. A mais destacada, pelo longo tempo de ocupação, capaz de cunhar-lhe novo epíteto, foi a Polícia Militar” (MENDONÇA, 2000, n. p.). O prédio passou por reformas em 1880, 1884 e em 1898-1900, esta última lhe dando as características atuais.

Palacete Garcia. Gravura de 1870. FONTE: Acervo de Roberto Mendonça.

O palacete, então Quartel da Polícia Militar do Amazonas, recebeu reparos na primeira administração estadual de Gilberto Mestrinho (1959-1963) e, décadas mais tarde, em 1972, no governo de João Walter de Andrade (1971-1975). No governo de Henoch da Silva Reis (1975-1979), diz Roberto Mendonça, quando do desabamento de parte do reboco frontal do prédio, tentou-se demoli-lo. No entanto, “a divulgação do edito governamental […] incitou manifestações da comunidade, tanto dos organismos técnicos, quanto dos próprios manauenses habituados com o quartel da Praça da Polícia” (MENDONÇA, 2000, n. p.). O prédio passou a ser protegido no governo de José Bernardino Lindoso (1979-1982), quando foi integrado parte do Conjunto Arquitetônico Ambiental da Praça Heliodoro Balbi pela Comissão Permanente de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico, decisão homologada pelo Decreto N° 4.817 de 06/12/1980. Novas reformas foram feitas entre 1985 e 1993. Nos anos 2000 o Quartel da Polícia Militar estava em péssimas condições, com janelas e portas quebradas, infiltrações e o risco constante de desabamento. Em 2007 foi fechado para restauro, sendo entregue em 2009, junto a Praça da Polícia, como Centro Cultural Palacete Provincial, abrigando 5 museus.

Palacete Bretislau de Castro. FOTO: SEC/O El Dorado é aqui.

O Palacete Bretislau de Castro está localizado na rua José Clemente, nas proximidades do Palácio da Justiça e atrás da Santa Casa de Misericórdia. Construído em meados de 1900, foi residência da família do engenheiro baiano Bretislau Manoel de Castro Júnior (1872-1941) que, de acordo com o historiador, geógrafo e professor Agnello Bittencourt, ocupou os seguintes cargos na capital: “Diretor dos Serviços Federais […]; Fiscal do Governo junto à Empresa Manaus Tramways & Cia; Provedor da Santa Casa de Misericórdia […]; e Deputado Estadual, no Congresso Legislativo” (BITTENCOURT, 1973, p. 147). A família Bretislau de Castro residiu no imóvel até 1961, quando este foi desapropriado pela União, que nele instalou a Delegacia Federal de Saúde do Amazonas, onde também passou a funcionar o Conselho Regional de Medicina. Na década de 1970 tornou-se sede da SUCAM, Superintendência de Campanhas da Saúde Pública. Transferida a SUCAM para o bairro da Glória, no início da década de 1980, o prédio ficou abandonado até 2002, quando o Governo Federal o cedeu ao Governo do Estado do Amazonas, este último instalando no antigo palacete a Academia Amazonense de Medicina. Após 8 longos anos de restauro, foi entregue ao público como Museu Casa Eduardo Ribeiro, Palacete Bretislau de Castro, Academia Amazonense de Medicina e Museu Virtual da Memória da Medicina. Luiz de Miranda Corrêa o descreveu como um “casarão português com certos maneirismos franceses, escadarias de mármore italiano, grades e beirais enfeitados com flôres de lis” (CORRÊA, 1969, p. 41).

Palácio da Justiça. FOTO: Manaus Ágil.

Por mais de um século o Judiciário Amazonense esteve sediado no Palácio da Justiça, na Avenida Eduardo Ribeiro, atrás do Teatro Amazonas. O prédio foi construído entre 1894 e 1900, nos governos de Eduardo Gonçalves Ribeiro (1862-1900), Fileto Pires Ferreira (1866-1917) e José Cardoso Ramalho Júnior (1866-1952), sendo ao lado do referido teatro um dos marcos do embelezamento daquela área da cidade. Para a sua construção foi firmado contrato com a empresa inglesa Moers & Moreton. O contrato foi rescindido em 1897, cabendo o prosseguimento das obras, a partir de 1898, ao empreiteiro José Gomes da Rocha. De acordo com a historiadora Etelvina Norma Garcia, “o projeto arquitetônico da fachada foi executado com pequenas alterações que não interferiram na composição do edifício em cinco blocos – três em avanço e dois em recuo, com janelas e portas em arco pleno no andar térreo e janelas com verga reta no piso superior” (GARCIA, 2002, p. 67). Seu interior é ricamente decorado, o mais decorado de todos os palácios e palacetes da cidade, uma composição barroca em contraste com uma fachada sóbria. Para Otoni Mesquita, “o Palácio da Justiça é, talvez, o prédio mais imponente e elegante da arquitetura eclética de Manaus e nem mesmo sua desvantajosa localização em relação ao Teatro Amazonas é capaz de ofuscar sua beleza e elegância” (MESQUITA, 2006, p. 235).

Assim como os demais prédios históricos de destaque da capital, foi Tombado pelo Estado do Amazonas, conforme ficou estabelecido pelo Decreto Estadual N° 5.218 de 03/10/1980. Entre 2001 e 2002 o Palácio da Justiça passou por um processo de restauração, sendo entregue em março de 2002. Quatro anos mais tarde, em 2006, foi transformado em Centro Cultural Palácio da Justiça, espaço destinado à visitação guiada, exposições de arte etc. Mais recentemente passou a abrigar o Museu do Crime de Manaus.

Palácio Rio Negro. FONTE: Manaus Day Night.

O Palácio Rio Negro, na Avenida Sete de Setembro, foi construído em lugar privilegiado, à margem do Igarapé de Manaus. Antes de ser conhecido como Palácio Rio Negro, foi residência de Karl Waldemar Scholz, comerciante alemão proprietário da Scholz & Cia, de importação e exportação de gêneros variados, com sede em Manaus e filial em Belém, no Pará, além de ter sido Cônsul da Áustria, Presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA) e membro da diretoria da mesma. O prédio foi construído entre 1903 e 1911. Por volta de 1911-12, quando o cenário do sistema de produção gomífera da Amazônia já apresentava sinais de enfraquecimento, Waldemar Scholz toma um empréstimo de 400 contos réis do seringalista Luiz Gomes da Silva, dando sua residência como garantia. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e a suspensão da navegação entre Hamburgo, na Alemanha, e Manaus, o comerciante não consegue saldar suas dívidas, e o palacete vai à venda. Luiz Gomes da Silva, credor de Scholz, adquire a construção, alugando-a ao Governador Pedro de Alcântara Bacellar (1835-1927), que decide comprá-la para nela instalar a Residência dos Governadores do Estado do Amazonas. Sobre suas características arquitetônicas, escreveu Otoni Mesquita

A planta baixa do edifício seria simétrica se não houvesse o corpo da extrema direita, que parece ter sido um acréscimo e que, até 1945, mantinha-se com apenas um pavimento. O equilíbrio da fachada é suavemente perturbado pela existência de um torreão na lateral esquerda do prédio, que deveria compor com o pavimento da extrema direita antes de sua ampliação, quando se quebrou um pouco com a harmonia da fachada. O prédio tem dois andares e três corpos, sendo a fachada tratada com uma variação de elementos decorativos que produz um rico movimento entre os cheios e vazios. As paredes do primeiro pavimento são tratadas com bossagem ou rusticação interrompida, enquanto que as do segundo pavimento, com bossagem contínua. O acesso ao primeiro pavimento é feito através de uma escada – com duas entradas e guarda-corpo com balaustrada que apoiam duas esculturas em ferro fundido sobre pedestais da ordem dórica – que leva a um pequeno pórtico com quatro colunas dóricas sobre pedestais. A porta principal é recortada em arco pleno e apresenta uma bandeira decorada com círculos. Os corpos laterais apresentam janela de púlpito em arco pleno e com balaustrada. Cada corpo lateral do pavimento térreo é reforçado por quatro cunhais em forma de pilastras dóricas. No segundo pavimento, os três corpos são unidos por um terraço cercado com balaustradas, interrompidas por pedestais que sustentam colunas com fustes acanelados e capitéis compósitos. As três portas que se abrem para o terraço possuem vergas retas, coroadas com ornamentados frontões curvos. O entablamento do prédio ostenta alguns elementos ornamentais, frequentes nas construções ecléticas; no entanto, o seu uso é comedido. Sobre a cimalha do corpo central, ergue-se a platibanda com balaustrada intercalada por uma cartela contendo a tradicional estrela republicana. Sem dúvida, trata-se de uma fachada eclética, porém, deve-se ressaltar o seu caráter comedido, bem de acordo com o gosto que parece ter sido predominante na cidade. Apesar da variação de elementos decorativos o conjunto apresenta um aspecto que remete aos padrões clássicos” (MESQUITA, 2006, p. 248-249).

O Palácio Rio Negro foi sede do Poder Executivo de 1918 a 1996. Desde 1997 funciona como Centro Cultural Palácio Rio Negro, onde são realizadas exposições de arte, cinema e música. Também está exposto o antigo mobiliário do palácio (mesas, cadeiras e armários feitos com madeira de lei, e estatuetas importadas da França). O Palácio Rio Negro foi Tombado pelo Estado do Amazonas em 03/10/1980.

Palácio Rio Branco. Foto: César Pinheiro

Na Praça Dom Pedro II, na parte inicial da Avenida Sete de Setembro, vizinho do Paço da Liberdade, fica o Palácio Rio Branco, projetado em 1904 pela empresa carioca Irmãos Rossi, com a construção iniciada no ano seguinte. Nele seria instalada a Chefatura de Polícia. No entanto, com a renúncia de Constantino Nery (1859-1926), então governador, em 1907, as obras ficaram paralisadas. As obras foram retomadas em 1937, no Governo de Álvaro Botelho Maia, que o inaugurou em 1938. “O prédio serviu à Secretaria Geral do Estado, à Secretaria de Justiça, à Daspa e ao Museu Numismático, e por último à sede da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas” (JORNAL DO COMÉRCIO, 02/01/2004). Sobre sua arquitetura eclética, diz Otoni Mesquita que

É um edifício de dois pavimentos, tratado com bossagem, e sua fachada é composta por três corpos, sendo o central ligeiramente deslocado à frente, ostentando um pórtico que, na parte superior, apresenta colunas compósitas. Em seu interior, destacam-se o hall de entrada com o seu jogo de colunas, a bela escada em ferro fundido, o salão no pavimento superior, com seu estuque com motivo floral sobre o teto e, nas paredes, oito paisagens amazônicas assinadas por Olímpio de Menezes” (MESQUITA, 2006, p. 265-266).

O prédio foi entregue à Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas em 2007, que o transformou em Centro Cultural Palácio Rio Branco, espaço destinado à preservação da história do Poder Legislativo no Amazonas. Nele os visitantes são guiados pelas salas e gabinetes, conhecem o mobiliário e a arquitetura da época.

Castelinho. FOTO: Tripadvisor.

Localizado na rua Barroso, no Centro, o Castelinho ainda não teve sua história totalmente esmiuçada. Sabe-se que foi residência do médico maranhense Francisco da Costa Fernandes e, posteriormente, de Basílio Torreão Franco de Sá, médico e Superintendente de Manaus entre 1920 e 1923. A partir de 1913 se tornou residência do também médico Theogenes Beltrão. Funcionou, ainda, como Consulado de Portugal e sede da Aliança Francesa. Desde 1999 funciona como Restaurante Castelinho.

O Castelinho é um belo modelo de arquitetura Art Nouveau. São dois pavimentos e um porão, revestido na fachada por uma cobertura que imita pedras. A platibanda é ornamentada com medalhões e motivos florais em alto-relevo. O telhado de ardósia, característico dos palacetes normandos, foi mantido. Sob as janelas, barras de azulejos coloridos. Na parte da fachada da rua Barroso, a sacada principal é feita de ferro trabalhado com motivos florais, no mesmo estilo do portão. A sacada da janela que dá para a rua 24 de Maio é balaustrada.

Castelinho da Vila Municipal. FOTO: Otoni Moreira Mesquita.

Dessa lista, talvez o Castelinho da rua São Luís ou Castelinho da Vila Municipal, no bairro Adrianópolis, seja o prédio mais conhecido. Inaugurado em 1906, era propriedade do então Superintendente Municipal Adolpho Guilherme de Miranda Lisboa (1862-1913). Foi batizado de Vila Alcida, em homenagem à filha de Adolpho Lisboa, Alcida Leduc Lisboa. Na década de 1950 a família Furtado, dona de serrarias e outros negócios na capital e no interior, comandada pelo Coronel Auton Furtado, adquiriu o prédio. Na década de 1970, apresentando os primeiros sinais severos de desgaste, foi comprado do Coronel Auton Furtado pelo empresário Mario Carlo Biaggi em 1978, que mandou restaurá-lo e, de acordo com matéria do colunismo social da época, o reinaugurou em 02/06/1979 (JORNAL DO COMÉRCIO, 02/06/1979). O Castelinho da Vila Municipal possui linhas ecléticas e é mais sóbria externamente que o Castelinho da rua Barroso. A artista plástica Pollyanna D’Avila Gonçalves Dias complementa, dizendo que a construção tem fundação e ornamentos em ferro fundido, além de possuir o revestimento em cantaria(GONÇALVES, 2013, p. 52). O piso é feito com acapu e pau amarelo e escadarias são de madeira. Durante a reforma da família Biaggi, foi construída uma piscina na parte de trás, assim como um muro mais alto. Em seu aspecto formal, a construção se parece mais com um chalé campestre. No entanto, os acrotérios em formas de pontas, num total de 9, lhe dão um aspecto apalaçado, lembrando mesmo um pequeno castelo.

Em 1996 a família Biaggi o vendeu para o empresário Getúlio Viana, proprietário da Sapataria Classe, que posteriormente o vendeu para o Grupo Top, do ramo de bebidas. Atualmente nele funciona a Adega Top Castelinho, com todas as características originais preservadas.

Castelo da Cervejaria Amazonense. FOTO: Oliveira Rodrigues.

O Castelo da Cervejaria Amazonense, no bairro de Aparecida, onde era fabricada a cerveja XPTO, guaraná e gelo, pode ser visto de vários cantos da cidade. Às margens do Igarapé de São Raimundo, é um exemplar único de prédio industrial com refinamento arquitetônico. Sua construção, a cargo do mestre de obras português Francisco Cunha, se deu entre 1910 e 1912, tendo o projeto vindo da Alemanha. Seus idealizadores, Luiz Maximino de Miranda Corrêa e Antonino Carlos de Miranda Corrêa, foram os pioneiros do ramo cervejeiro no Amazonas, posição essa atestada pela magnitude do empreendimento, único na região. Luiz de Miranda Corrêa registrou que a fábrica,

Vista de longe, lembra certo tipo de castelo renano, com sua bela tôrre encimada por beirais de chumbo trabalhado. Nessa tôrre foi instalado o primeiro elevador do Amazonas, funcionando até hoje. Anexo à parte principal do prédio, os escritórios, com escadarias de mármore e outras de ferro forjado, imensos terraços, salões com piso em “marquiterie” e forros de estuque pintados, e os salões recepção, outrora cenário de grandes almoços, jantares ou recepções, quando a firma ou a família recepcionavam visitantes ilustres, ou comemoravam datas do calendário familiar. Salões inaugurados pelo presidente Washington Luiz e que recepcionaram Getúlio Vargas em sua primeira visita ao Amazonas” (CORRÊA, 1969, p. 50).

O Castelo da Cervejaria Amazonense foi vendido em 1970 à empresa cearense J. Macedo S/A. Em 1972 a Brahma compra o controle acionário da Cervejaria Amazonense. A partir daí, passaram pelo castelinho a Molson Coors, multinacional cervejeira norte-americana e canadense, em 2000; a Cervejaria Kaiser, brasileira, em 2002; a FEMSA Cerveja Brasil, em 2006; e a Cervejaria Heineken, de 2010 a 2015, quando foi desativada.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias: Vultos do Passado. Rio de Janeiro: Conquista, 1973.

CORRÊA, Luiz de Miranda. Roteiro Histórico e Sentimental da Cidade do Rio Negro. Manaus: Artenova, 1969.

DIAS, Pollyanna D’Avila Gonçalves. A arquitetura Neogótica no Período da Borracha: um estudo tipológico das construções de Manaus. 2013. Dissertação (Mestrado em Letras e Artes). Manaus, Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

GARCIA, Etelvina. O Poder Judiciário da História do Amazonas. Manaus: Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, 2002.

INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DO AMAZONAS. Manaus – Memória Fotográfica. Manaus: Suframa, 1985.

MESQUITA, Otoni Moreira. Manaus: História e Arquitetura – 1852-1910. 3. ed. Manaus: Editora Valer, 2006.

MENDONÇA, Roberto. Quartel da Praça da Polícia. 4° ed. Manaus: SEC, Série Memória, novembro de 2000.


FONTES:

Jornal do Comércio, 02/06/1979.
Jornal do Comércio, 02/01/2004.


CRÉDITO DAS IMAGENS:

César Pinheiro.
Manaus Sorriso.
Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Salles.
Hyago Sena.
Tripadvisor.
José Martins Rocha.
Gisele Rocha.
SEC - AM.
Manaus Ágil.
Manaus Day Night
Roberto Mendonça.
Oliveira Rodrigues.

Vida e Morte dos Igarapés e Balneários de Manaus

Cachoeira do Tarumã. Cartão postal de 1975. FONTE: Acervo pessoal.

A relação do homem com a natureza é ambígua. Ao mesmo tempo em que dela necessita para a manutenção do meio em que vive, também lhe destrói em nome da satisfação material. Foram poluídos ou desapareceram nessa onda de devastação os igarapés e balneários de Manaus, elementos que por muitas décadas fizeram parte do cotidiano de seus habitantes, que neles encontravam um refúgio para o descanso e lazer nos finais de semana.

O igarapé, do tupi ygara (canoa), apé (caminho), como revela sua origem etimológica, foi o caminho do habitante primitivo do que viria a ser a cidade. Em suas igarités, os indígenas de diferentes etnias cortavam esses pequenos cursos d’água que serpenteavam o terreno pelo interior das matas. Posteriormente, deles se apropriaram os espanhóis, ingleses, franceses e portugueses, neles transitando intensamente em busca das drogas do sertão. Já no século XIX, serviu ao regatão, comerciante das águas.

Na planta 'croquis' de Manaus de 1852, feita no governo do presidente da Província do Amazonas João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, além dos limites urbanos, pode-se observar que a pequena cidade era dominada pelos igarapés de São Vicente, da Ribeira, da Bica, do Espírito Santo, do Aterro, da Cachoeirinha, da Cachoeira Grande, de Manaus, da Castelhana e de Monte Cristo, que cortavam seus poucos bairros (Remédios, República, Espírito Santo, Campina e São Vicente) e arrabaldes. Eles determinavam o traçado das ruas, o sentido das construções, abasteciam os moradores de água potável. Em síntese, eram de vital importância para o funcionamento da cidade.

Igarapé da Cachoeira Grande. Gravura de Emmanuel Bocher, 1860. FONTE: Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Salles.

Em visita a Manaus no ano de 1865, o casal viajante Louis e Elizabeth Agassiz não pôde deixar de visitar o Igarapé da Cachoeira Grande, por eles descrito como "uma Niágara em miniatura", em referência à pequena cascata (AGASSIZ, 2000, p. 266). Registraram, ainda, que nos igarapés da cidade se reuniam "[…] os pescadores, as lavadeiras, os banhistas, os homens que pegam tartarugas" (AGASSIZ, 2000, p. 274). Os igarapés eram pontos de encontro e locais de onde se tirava o sustento. Essas características fizeram com que fossem protegidos pelos Códigos de Posturas. Dos cinco artigos do Código de Posturas de 1868, por exemplo, quatro tinham esse fim:

"Art. 1°. - Fica proibido o corte de arvores, varas arbustos maiores de 5 palmos em todos os riachos ou igarapés que ficarem dentro dos limites da cidade e nos seos subúrbios, em uma zona de 60 palmos de largura a partir do leito dos mesmos riachos, ou igarapés. O infractor ocorrerá na pena de 20$000 réis de multa ou 4 dias de prisão.
Art. 2° - Nesta mesma pena incorrerão aquelles que fizerem escavações nesses lugares, revolverem lamas, deitarem lixo, páos, couzas pútridas ou qualquer outra materia que possa alterar a pureza das águas.
Art. 3° - Também fica prohibido o côrte de arvore nas margens dos igarapes, das cachoeiras grande e pequena continuas a esta cidade, maxime aos lugares que servem de logradouros públicos.
O infractor incorrerá na multa de 30$000 réis ou 8 dias de prisão.
Art. 4° - Fica proibido d’ora em diante tirar-se agoa no Igarapé do Aterro para ser vendida a população, e bem assim lavar-se roupa, cavallos e outros quaesquer animaes. O infractor será punido com 5$000 réis ou a 2 dias de prisão
(‘CÓDIGO DE POSTURAS MUNICIPAES DE 1868’, Apud SÁ, 2012, p. 54-55).

Os banhos em igarapés eram uma tradição que resistia às proibições que iam surgindo, cada vez mais rígidas. Se por um lado elas eram criadas para manter a integridade desses lugares, por outro, ao qual era dada mais ênfase, eram mecanismos de controle de hábitos considerados impróprios e atrasados. Eram frequentes as denúncias e prisões. Em 1892, Manoel Bento Gama foi preso por estar tomando banho no “Igarapé de Manáos” (AMAZONAS, 31/08/1892). O jornal humorístico A Marreta, em 1912, recebeu a denúncia de que "[…] uma marafona de noma Alzira, vulgo Cegueta", tinha "o habito de a altas horas da noite tomar banho no igarapé (de Educandos) em trajes de Eva acompanhada de diversos rapazes, fazendo uma algazarra tremenda" (A MARRETA, 01/12/1912). Em 1913, moradores da Cachoeirinha, por meio da coluna ‘Queixas do Povo’, do Jornal do Comércio, pediam providências à polícia para solucionar o problema de "um grupo de indivíduos que costuma diariamente tomar banho no igarapé das imediações da Avenida Canaçary", pois essa situação era “um desrespeito às famílias que ali têm residência” (JORNAL DO COMÉRCIO, 14/01/1913).

Igarapé do Espírito Santo. Foto de Albert Frisch, 1865. FONTE: Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Salles.

No final do século XIX e ao longo do século XX, boa parte desses igarapés foi aterrada para dar lugar a vias públicas. Ainda no período imperial, o Igarapé da Ribeira foi aterrado para a construção do Cais da Imperatriz, na entrada da cidade. O Igarapé do Espírito Santo deu lugar à Avenida Eduardo Ribeiro. O Igarapé dos Remédios à Avenida 13 de Maio, posteriormente Avenida Getúlio Vargas, e à Avenida Floriano Peixoto. O Igarapé de São Vicente foi aterrado para ligar o antigo bairro de mesmo nome ao restante da cidade. Dava-se adeus, nas palavras do historiador e artista plástico Otoni Moreira Mesquita, à "Veneza Amazônica", apagando, em nome do progresso, o passado nativo  de Manaus (MESQUITA, 2006, p. 166).

Apesar do aterro desses igarapés, sobreviveram os que se tornariam bastante populares entre os manauaras, dos quais hoje restam, atualmente, apenas fotografias e o saudosismo de tempos mais amenos. Na coluna ‘Onde a Cidade se Diverte’ do Jornal do Comércio, de 30 de julho de 1959, recomendava-se três igarapés e seus respectivos balneários públicos: "Parque 10 de Novembro, Ponte da Bolívia e Tarumã" (JORNAL DO COMÉRCIO, 30/07/1959).

Parque 10 de Novembro. Cartão postal da década de 1950. FONTE: Manaus de Antigamente.

As obras do Balneário do Parque 10 de Novembro tiveram início em 10/11/1938 por ocasião do aniversário de um ano do Estado Novo, na administração municipal de Antônio Botelho Maia (1937-1940), irmão do Interventor Federal Álvaro Botelho Maia. As obras foram continuadas na administração de Paulo de La Cruce Grana Marinho (1940-1942), tendo o Balneário sido inaugurado em 19 de abril de 1943, dia do aniversário do Presidente Getúlio Dornelles Vargas, pelo prefeito Antóvila Mourão Vieira (1942-1944). Ocupando uma área de 50 hectares ao norte da Vila Municipal (Adrianópolis), era recortado pelas águas do Igarapé do Mindu, possuindo uma piscina grande para adultos, uma para crianças, um ‘bar-dancing’, restaurante, quadras de tênis, basquete e vôlei e um playground. Foi por muitas décadas considerado o melhor balneário da região Norte. O que restou dele, nos dias de hoje, está coberto pelo mato, em ruínas, com o igarapé poluído.

Balneário da Ponte da Bolívia. Cartão postal de 1977. FONTE: Manaus de Antigamente.

A Ponte da Bolívia foi construída em 1958 na administração estadual de Plínio Ramos Coelho (1955-1959) sob o Igarapé da Bolívia, na Avenida Torquato Tapajós, AM-010. Esse trecho passou a ser frequentado nos finais de semana, ficando conhecido como Balneário da Ponte da Bolívia. Também foram construídas, assim como no Parque 10 de Novembro, algumas instalações para os frequentadores, embora mais modestas, como um pavilhão e alguns quiosques de madeira e palha. A construção de um aterro sanitário pela Prefeitura em meados da década de 1980 pôs fim, aos poucos, ao igarapé. Em 1994 o Jornal do Comércio publicava, na coluna ‘Linhas Cruzadas’, que "o aterro sanitário do quilômetro 17 da Manaus-Itacoatiara" estava "poluindo tremendamente o Igarapé da Bolívia, aquele que passa por baixo da ponte de mesmo nome" (JORNAL DO COMÉRCIO, 10/06/1994). O chorume dos dejetos penetrava na terra e atingia o igarapé, tornando-o um perigo à saúde pública.

Igarapé do Tarumã. Gravura de 1847. FONTE: Manaus Sorriso.

O mais marcante, sem dúvidas, foi o Igarapé do Tarumã, afluente do rio Tarumã, localizado entre as zonas Oeste e Leste da cidade, que já aparece em gravuras e fotografias desde a segunda metade do século XIX, chamando a atenção de viajantes e turistas. Também são afluentes os igarapés do Tarumãzinho e da Cachoeira Alta e Baixa, tão famosos quanto o do Tarumã. Ambos, já na década de 1990, estavam impróprios o banho público. A cada diz toneladas de lixo se acumulam nesses cursos d'água.

Também existiam balneários particulares, como o Maringá, criado entre o final da década de 1950 e o início da década de 1960, antigamente localizado no quilômetro 06 da Rodovia AM-010, em frente a entrada da boate Saramandaia. Era propriedade particular do casal de comerciantes Alfredo Raposo e Messody Sabbá Raposo. Esse era um balneário de luxo frequentado por pessoas da alta sociedade manauara da época, amigos íntimos do casal Raposo. No local, uma residência, uma grande piscina, um campo de futebol e muitos pés de goiaba e caju. Encerrou suas atividades na década de 1980, quando foi adquirido pela extinta PORTOBRÁS (Empresa de Portos do Brasil). O mais refinado deles foi o Balneário do Bosque Clube, instalado na antiga Estrada de Flores, este cortado pelo Igarapé dos Franceses. Era, no início do século passado, ponto de encontro da colônia inglesa de Manaus, sempre a fazer, nos finais de semana, seus famosos ‘picnics’. O memorialista Luiz de Miranda Corrêa, em seu 'Roteiro Histórico e Sentimental da Cidade do Rio Negro', cita os banhos "Tucunaré, Casablanca e Bancrévea" (CORRÊA, 1969, p. 88).

Maruja Ceballos Gomes, candidata do Balneário Maringá. Foto de 1960. FONTE: Jornal do Comércio, 19/11/1960.

A futura degradação dos igarapés e balneários de Manaus já se anunciava desde a década de 1960. A destruição da Cidade Flutuante, favela fluvial existente na orla da cidade desde a década de 1920, feita com pouco planejamento, fez com que inúmeras famílias passassem a ocupar os leitos dos igarapés da cidade, erguendo habitações irregulares. No fim desse período e ao longo da década de 1970, com a intensificação da industrialização, mediante a instalação da Zona Franca, bem como o crescimento desordenado da cidade, recebendo milhares de imigrantes, os igarapés tornaram-se os locais de despejo dos esgotos residencial e industrial. Os danos foram tamanhos que, em 1981, o Presidente da Associação Amazonense de Proteção Ambiental, Francisco Braga, afirmou categoricamente que “todos os igarapés de Manaus estão sendo poluídos pelos esgotos residenciais e industriais” (JORNAL DO COMÉRCIO, 05/11/1981).

Há mais de 20 anos o cenário desses espaços que um dia fizeram a alegria dos manauaras é desolador. As gerações mais novas foram privadas desse divertimento, tendo como referenciais mais próximos as fotografias, os cartões-postais e os relatos dos mais velhos. Faltou consciência dos que passaram a ocupar suas margens, faltou planejamento dos administradores públicos no tocante à habitação. Ambos são problemas históricos que acompanham nossa sociedade. Caso não ocorram mudanças, corre-se o risco de que a degradação chegue ao Rio Negro e aos rios do interior do Amazonas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

AGASSIZ, Jean Louis Rodolph. Viagem ao Brasil 1865-1866. Trad. de Edgar Süssekind de Mendonça. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2000.

CORRÊA, Luiz de Miranda. Roteiro Histórico e Sentimental da Cidade do Rio Negro. Manaus: Artenova, 1969.

MESQUITA, Otoni Moreira. Manaus, História e Arquitetura (1852-1910), 3° ed, Manaus: Editora Valer, Prefeitura de Manaus e Uninorte, 2006.

SÁ, Jorge Franco de. Manaus: higiene, meio ambiente e segurança do trabalho na época áurea da borracha. Manaus: Edua, 2012.

FONTES:

Amazonas, 31/08/1892.
A Marreta, 01/12/1912.
Jornal do Comércio, 14/01/1913.
Jornal do Comércio, 30/07/1959.
Jornal do Comércio, 10/06/1994.
Jornal do Comércio, 05/11/1981.

CRÉDITO DAS IMAGENS:

Manaus de Antigamente.
Manaus Sorriso.
Brasiliana Fotográfica/Instituto Moreira Salles.
Jornal do Comércio.