sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A Historiografia da Conquista II - Mestiços e Indígenas na América Espanhola

Cena da primeira página do Códice Mendoza, representando a fundação da cidade de Tenochtitlan.

No primeiro texto, vimos como portugueses e, em especial os espanhóis, produziam historiografia sobre o Novo Mundo. Agora, nessa segunda parte, vamos entender como mestiços e indígenas passaram a escrever suas histórias após o contato com os espanhóis.

Os nativos, ao contrário do que alguns historiadores espanhóis acreditavam, tinham consciência de seu passado histórico e sabiam ordená-lo: dividiam seus escritos entre os destinados à realeza e os destinados à população comum; separavam fontes orais de escritas e pictóricas; e cronistas de historiadores. Dos espanhóis, os mestiços e indígenas utilizaram a língua, os gêneros de escrita e a cronologia cristã.

Um dos primeiros autores nativos a mesclar tanto conhecimentos históricos indígenas com europeus foi o nobre asteca Chimalpahín, autor de Relaciones ou Anais. Em seu livro, ele usa tanto a datação do calendário cíclico asteca quanto a datação cristã Anno Domini. Ele cobre períodos anteriores e posteriores à conquista espanhola, reis antigos do México, Listas de arcebispos, etc; consultando para tal os testemunhos de anciãos. Ele também aborda eventos ocorridos na Europa, como o assassinato do Rei Henrique IV da França, em 1610. A escrita de Chimalpahín era em Nahuatl, com o uso de algumas palavras em espanhol.

O mestiço Alva Ixtlixóchitl escrevia tanto em espanhol quanto em Nahuatl. Criticou os excessos espanhóis contra os nativos e elogiou a introdução do Cristianismo na região. Como fontes, usa os códices indígenas e os relatos dos anciãos. Sua história, além de abordar a conquista, também cobre o período antigo do México, como o governo dos olmecas.

O aristocrata mestiço Garcilaso de la Vega e o nativo andino Felipe Guaman Poma de Ayala são os dois maiores exemplos da nova geração de historiadores da América Espanhola (séculos 16 e 17), que passaram a utilizar conhecimentos europeus e nativos para produzir suas obras. Garcilaso, que passou boa parte de sua vida na Europa, escrevia seus trabalhos em forma de prosa e em castelhano. 

Garcilaso usava discursos inventados (afirmava que os nativos tinham se convertido voluntariamente ao Cristianismo) e informações de historiadores espanhóis antigos como Gómara, José de Acosta e Cieza de León. Apesar de criticar as ações espanholas no Peru, Garcilaso tenta conciliar esses dois povos, dizendo que estes tem muito em comum. Da sua origem inca, teve muitas informações orais a sua disposição, bem como materiais escritos. Escreveu Comentários Reais (1609); a Flórida de Inca (1605), relato sobre uma expedição espanhola no que é a atual região da Flórida e a Costa do Golfo; e História Geral do Peru (1617).

Guaman Poma de Ayala, nativo andino de origem humilde, dominava o quíchua e o castelhano. Escreveu Primeira Nova Crônica e bom governo, utilizando informações de historiadores antigos como Las Casas, Acosta e Zárate. Seu livro traz muitos elementos da cultura nativa. O índice de conteúdos e dividido de acordo com o sistema decimal andino;e a narrativa é empregada para explicar as figuras. Seu livro inicia com uma descrição do Peru, depois uma história bíblica sobre os incas; passando para o governo espanhol no Peru, no qual temos críticas ao governo, aos clérigos e aos pecados de nativos e estrangeiros

Em síntese, temos como características da historiografia nativa e mestiça: uso de conhecimentos europeus como a língua espanhola, a cronologia cristã e os gêneros de escrita (anais, crônicas e histórias); uso de conhecimentos indígenas (códices, relatos de anciãos e cronologia como o quipo ou o calendário cíclico) e defesa do ponto de vista do conquistado.


FONTES:

WOOLF, Daniel. Uma História Global da História. Tradução de Caesar Souza. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.


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commons.wikimedia.org

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A Historiografia da Conquista I - Portugueses e Espanhóis entre 1450 e 1800

Conquista de México por Cortes.

 “A maior coisa depois da criação do mundo, tirando a encarnação e a morte de quem o criou, foi o descobrimento das Índias” - Fernando López de Gómara, em História General de las Indias (1552)


Podemos perceber, através dessa frase do padre e historiador espanhol Fernando López de Gómara, como a descoberta das Américas, empreendida por Colombo em 1492, teve um grande impacto na Europa. Novos povos, costumes e crenças eram apresentados à Europa cristã, que rapidamente tentou interpretá-los através de uma ótica clássica, mesmo percebendo, de início, que não seria uma tarefa fácil. A historiografia do primeiro século de ocupação europeia seria dominada por autores ligados ao poder eclesiástico e imperial, surgindo mais tarde escritores mestiços e nativos. Nosso primeiro foco de análises vão ser os escritores portugueses e espanhóis.

Portugueses e Espanhóis

Os pioneiros nos descobrimentos além-mar foram os portugueses, que conquistaram Ceuta, cidade do Norte da África, em 1415. Fernão Lopes é considerado um dos principais cronistas-historiadores de Portugal. Antigo guarda-mor da Torre do Tombo e Tabelião do reino, teve farta fonte documental para a elaboração de seus escritos. Na África, na Ásia e no subcontinente indiano, os historiadores portugueses, assim como os espanhóis, na América, se viram frente a frente com novas formas de contagem de tempo, mitos, lendas e histórias fundadoras. Com dificuldades para analisá-las sob a perspectiva cristã ou sem bases documentais, muitos desses autores se viram utilizando os conhecimentos dos nativos em suas obras.

Nas Américas Andina e Caribenha, áreas de interesse da Coroa Espanhola, existiam os historiadores ligados ao clero e aqueles relacionados à máquina administrativa e militar. As primeiras obras sobre a América foram escritas por autores humanistas que nunca estiveram ou passaram pela região. Pedro Mártir de Anglería, italiano que viveu boa parte de sua vida na Espanha, produziu, com conhecimentos geográficos da Antiguidade, provenientes de Plínio, e a divisão por décadas, de Tito Lívio, a primeira grande obra sobre o descobrimento da América, intitulada Décadas sobre o Novo Mundo. Outros humanistas que se dedicaram a escrever a história do continente, mesmo sem ter contato com este, foram Antonio de Herrera y Tordesillas, Pedro Sarmiento de Gamboa e Francisco López de Gómara. Enquanto alguns historiadores davam uma introdução geral sobre a origem do mundo e dos povos (segundo a Bíblia), outros preferiam dividir seus livros em capítulos sobre Geografia, Economia, Religião e História. Eles saem do marasmo cronológico humanista e abordam outros conhecimentos, como Heródoto fez em suas Histórias.

O primeiro historiador a colocar os pés no Novo Mundo foi Gonzalo Fernández de Oviedo, representante da Coroa. Suas principais obras, Sobre a História natural das Índias e História Geral das Índias, foram as primeiras escritas em espanhol. Abordando história natural e outros aspectos do continente, a história começava a partir do descobrimento de Colombo, em 1492. De sua experiência como romancista, Oviedo evoca a figura de Júlio César em referência ao conquistador espanhol Cortés. Gómara, que como já foi dito, não esteve na América, escreveu a História da Conquista do México e História Geral das Índias, através de relatos de Cortés, a quem serviu como capelão. Cronologicamente, a obra se inicia com as conquistas de Cortés e termina com sua morte, em Sevilha, na Espanha.

No século 17, os historiadores da América Espanhola estavam relutantes em utilizar fontes orais vindas dos nativos. Isso se deve ao fato de que as obras eram patrocinadas por particulares e pela Igreja – os primeiros interessados em informações de fácil acesso e entendimento, e o segundo em inserir os nativos na cultura cristã. Com o surgimento de uma nova vertente do Cristianismo, o Protestantismo, a Igreja Católica se viu incumbida de absorver o passado desses povos para a religião considerada a correta, o Catolicismo. Os historiadores ligados à Igreja, escreviam sobre a história do continente sob a ótica de suas ordens religiosas: Dominicana, Jesuíta e Franciscana.

Os historiadores clericais que se destacam são Bartolomé de Las Casas, José de Acosta e Bernardino de Sahagún. Las Casas se destacou por sua defesa aos nativos, muitas vezes vistos com inferioridade por outros autores e, desde sempre, massacrados pelos conquistadores. Seu livro História das Índias, dividido em décadas, vem com um prólogo explicando o que é História, a lembrança a historiadores clássicos e a motivação para a escrita. Analisava os indígenas americanos em comparação a gregos e romanos. José de Acosta, Jesuíta, escreveu a História Natural e Moral das Índias, na qual articulava, como se pensa na teoria moderna, que os nativos descendiam da Ásia. Acosta, ao narrar a História dos nativos, afirma que isso é importante para facilitar o processo de evangelização. Dividia os povos bárbaros em Civilizados, Semicivilizados e Selvagens. Sahagún foi um proeminente conhecedor das línguas nativas, bem como um destaque entre os demais historiadores, pois sua principal obra História geral das Coisas da Nova Espanha, foi produzida através de muitas informações orais de seus alunos indígenas, que aprenderam latim com ele. É uma grande enciclopédia, com diversos assuntos sobre a região. Foi um escritor bilíngue, escrevendo em Nahuatl, língua geral dos povos da Mesoamérica, e espanhol, a língua do Império.

Em síntese, podemos ter como características dos historiadores do Novo Mundo: Divergências entre autores espanhóis, geralmente em relação ao uso de fontes e de conhecimentos indígenas; A visão de mundo era providencialista, sendo que esses autores viam a Espanha como a realizadora da missão de cristianizar os novos territórios; As línguas europeias e indígenas se hibridizaram, isto é, passaram a trocar influências; Autores da Antiguidade eram evocados, tinham o estilo literário copiado; Por mais que tenha ocorrido algumas tentativas diferentes, o passado nativo era visto sob a ótica da cultura europeia; Uso de conhecimentos indígenas para a produção de livros; Obras controladas politicamente e escritas com objetivos de informação; Autores ligados ao Clero, particulares e Monarquia.


FONTES:

WOOLF, Daniel. Uma História global da História. Tradução de Caesar Souza - Petrópolis, RJ, Vozes, 2014.


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Library of Congress - www.loc.gov

domingo, 24 de janeiro de 2016

A escrita da História II: Crônicas e Histórias

Primeira página da Crônica de Hainaut, 1448.


Autores: Godofredo de Monmouth, Guilherme de Malmesbury, Mateus Paris, Jocelin de Brakelonde, Godofredo de Villehardouin e Jean de Froissart.


Como vimos no primeiro texto, na Crônica anglo-saxônica, os anais foram evoluindo, tornando-se mais elaborados e detalhados, até chegar ao ponto de serem considerados crônicas. Mais uma vez, precisamos recorrer à etimologia para saber a função desse gênero historiográfico: Crônica vem do latim chronica, derivado do grego chrónos, que significa tempo. Os eventos apresentados em uma crônica estão ordenados através de uma cronologia, isto é, com uma data fixa para o início e o fim.

As crônicas se proliferam em vários reinos da Europa, que passam a patrocinar escritores e utilizá-las para a construção de uma identidade nacional. Além de exaltar reinos, elas também falavam sobre reis, heróis nacionais e fatos importantes. Como já existia uma ideia de “patriotismo”, as crônicas passaram a ser escritas nas línguas de cada país. Os autores dessa época, séculos 12 e 13, tinham conhecimento das obras de autores clássicos como Tito Lívio, Eusébio, Salústio, Cícero e, claro, utilizavam também passagens das Sagradas Escrituras.

Podemos ter como exemplos de cronistas e suas obras os ingleses Godofredo de Monmouth, Guilherme de Malmesbury, Mateus Paris e Jocelin de Brakelonde. As crônicas, como relatos, podem ser fantasiosas, principalmente quando estas tratam de fatos anteriores ao autor. Os trabalhos de Godofredo mesclam fatos históricos como feitos de reis e genealogias com mitos e lendas do povo bretão, como a figura de gigantes ou de outros seres fantásticos. O objetivo dessa crônica é exaltar a Britânia e seu povo. Não existe uma preocupação com a veracidade do que é relatado, mas sim com os efeitos que os relatos produzirão.

Guilherme de Malmesbury é mais cuidadoso no tratamento do que escreve. Ele afirma que, ou foi testemunha ocular ou teve informações de fontes confiáveis. Indo mais além que seu antecessor, Guilherme transita entre a crônica e a história propriamente dita, pois este, em parte, abandona a cronologia episódica e tenta organizar diferentes fatos em um único conjunto. A descrição física de personagens nos lembra o estilo de Suetônio. Críticas, mesmo que leves, são feitas a homens poderosos.

Mateus Paris é provocativo, informal, tecendo críticas ácidas tanto a reis, comerciantes, membros do clero e até ao Papa. Sua crônica é menos extensa que a de outros autores, cobrindo duas décadas de história contemporânea inglesa. Possui trabalhos sobre história secular e eclesiástica. No campo religioso, se destaca a crônica da abadia de St. Albans. Como se trata de sua abadia, logicamente a escrita é restrita a fatos locais e assuntos da instituição religiosa. O autor critica tanto abades mortos como os que assumiriam seus postos; descreve aquisições da abadia; doações etc.

A crônica da abadia de St. Edmund, escrita por Jocelin de Brakelonde, engloba o final do século 12 até o início do século 13, com o reinado de João. Apesar de ser uma crônica, a obra de Jocelin tem os elementos de uma produção historiográfica: ela tem um início, meio e fim bem desenvolvidos, no caso o governo do rei, as confusões políticas e religiosas; a renovação da abadia e a coroação de um novo monarca. Como todas as obras locais e episcopais, ela trata das relações administrativas da abadia, da vida de abades e, claro, sua evolução.

Finalmente chegamos à história propriamente dita. Seus representantes são os franceses Godofredo de Villehardouin e Jean Froissart. Agora, como gênero, a história é produzida com uma narrativa extensa, temas coerentes e ordenados e escrita estilizada. Villehardouin, em sua obra A conquista de Constantinopla, aborda, de forma privilegiada (este foi um nobre e militar) a 4° Cruzada. Como militar, perde em qualidade para outros autores, pois não descreve táticas de combate, entregando ao providencialismo as vitórias e as derrotas. Registra baixas de cavaleiros nobres, elevações de patente, honrarias e pilhagens à cidade de Constantinopla. Escreveu em prosa, utilizando o francês como língua. Seu interesse religioso é pequeno, tanto que sua obra inicia com os preparativos para a Cruzada, e não com a origem do mundo segundo a Bíblia, como era recorrente em outros autores.

No século 14, Jean de Froissart reviveu um gênero existente na Europa desde os tempos de Carlos Magno: a escrita de cavalaria. Froissart é o ponto máximo da história da guerra do século 14. Como fonte recorre aos arautos do passado, que registravam cenas de batalhas; e ao livro de seu predecessor, Jean le Bel. Incorpora em sua narrativa, considerada organizada, outras histórias, geralmente romances arturianos. A Crônica engloba ética e normas de combate, cenas de guerra e cercos a cidades, os conflitos entre Inglaterra e França e revoltas populares em cidades como Paris, Londres e Ghent. Escreveu o livro em francês. Sua obra, uma encomenda, mostra elementos de exaltação ao heroísmo burguês, retratada pela cena dos “burgueses de Calais”; mas ao mesmo tempo também mostra uma certa preocupação com elementos populares de algumas cidades. O que Froissart preserva é a ordem “natural” das coisas, a defesa da Cristandade e da nobreza.



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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

3 anos de História Inteligente

Clio, musa grega da História. Pierre Mignard, século XVII.

É, amigos e amigas, leitores e leitoras do História Inteligente, hoje, 18 de janeiro de 2015, meu blog completa 3 anos de fundação e de atividades ininterruptas. Me lembro do dia em que o criei, numa sexta-feira ensolarada: Nesse dia, não tive aula, e, como já possuía um número denso de artigos escritos à mão, desde o ensino fundamental, decidi que era hora de divulgá-los, expandir meu poder de alcance e, claro, ajudar pessoas com meu conhecimento. A ideia foi um blog, e o nome, uma sugestão da minha mãe, foi HISTÓRIA INTELIGENTE.

Não imaginava que, em pouco tempo, meu blog ficaria tão conhecido e meus escritos tão valorizados. Ao longo desses três anos fiz parcerias importantes, algumas delas figurando com artigos aqui publicados: o Presidente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, Antônio José Loureiro; os historiadores Aguinaldo Nascimento Figueiredo, Coronel Roberto Mendonça, Elza Souza, Ed Lincon, Eylan Lins e Otoni Moreira Mesquita.

Foi através do História Inteligente que publiquei meus primeiros artigos em um jornal local de grande circulação, o Jornal do Comércio, representado pela figura do jornalista Evaldo Ferreira, que leu meus artigos e me convidou para publicá-los. Conheci historiadores e pesquisadores de outras regiões, que me consultavam quando estavam interessados na história da cidade de Manaus, um dos meus focos de pesquisa.

Além de divulgar conhecimento, também adquiri outros, através de comentários e críticas construtivas de amigos e leitores. Contando com este texto que aqui escrevo, foram publicados, no total, 400 textos no blog. Eles foram, de acordo com anos: 157 em 2013; 180 em 2014; 52 em 2015; e, até o momento, 11 em 2016. Enquanto tiver forças para escrever, estarei vivo, em cada linha e em cada parágrafo. Inspiração e temas não irão faltar, pois o homem, imprevisível do jeito que é, não para de alterar, sem aviso prévio, o mundo que habita.

Amigos e amigas, leitores e leitoras, de Norte a Sul do país, obrigado por estarem comigo nesses três anos de HISTÓRIA INTELIGENTE. A participação de vocês é essencial para a continuidade deste. Nos vemos em outros artigos...



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A Escrita da História I: Anais

Primeira página da Crônica de Peterborough, integrante da Crônica anglo-saxônica, um conjunto de Anais sobre a História dos anglo-saxões.

Na atual fase do curso de História, na matéria Historiografia Geral II, estamos estudando as Historiografias do Ocidente Medieval, que cobre o início da produção historiográfica a partir da queda do Império Romano do Ocidente até a segunda metade do século 15. Antes de nos aprofundarmos nas obras e nos perfis historiográficos de autores como Godofredo de Monmouth (1100-1155), Guilherme de Malmesbury (1080-1143) e Godofredo de Villehardouin (1150/1160-1212), é preciso entender as diferentes formas que os historiadores do medievo tinham de registrar a história: Anais, crônicas e história. Vou começar pelos Anais, gênero bastante utilizado desde a Antiguidade Clássica.

Esse e os outros conceitos nós começamos a analisar através de sua etimologia. Anais, do latim annales, originado de annus, significa ano. Temos aí uma forma de registro feita ano por ano, de forma objetiva, sobre fatos importantes (podem ser locais, nacionais e universais) como uma colheita, uma batalha, evento astronômico ou a morte de alguma pessoa ilustre. Não existe uma preocupação com o estilo literário, nem com a retórica. Os Anais surgem, assim como os estudos cronológicos da Idade Média, da necessidade de se estabelecer uma data para a Páscoa, o pontapé inicial das festividades cristãs.

Em um dos primeiros textos utilizados nessa matéria, o historiador John Burrow afirma que podemos perceber, na Crônica anglo-saxônica, como a escrita vai perdendo seu caráter puramente analítico, pragmático, e se torna mais extensa, desenvolvida e com algum grau de preocupação estilística. Se os calendários antigos se desenvolveram e deram origem aos Anais, os Anais se desenvolvem e tornam-se crônicas.

Mas, claro, apesar das diferenças, a escrita de um texto histórico poderia mesclar mais de um gênero. Um autor pode iniciar um relato histórico, bem desenvolvido, com estilo literário etc. Ao longo de seu texto, ele pode nos apresentar passagens analíticas, objetivas. Se isso acontece atualmente, imaginem há 1000 anos, quando muitas vezes os autores os faziam se distinção de gênero. O gramático romano Aulo Gélio, citando o gramático Vérrio Flaco, através de sua obra Noites Áticas, nos apresenta uma distinção entre os Anais e a História: ele diz que, pela etimologia, a História (investigar, averiguar) é um registro de fatos presenciados pelos próprios autores, enquanto que os Anais são registros de fatos anteriores, organizados ano a ano.

Apenas em nível de informação, a Crônica anglo-saxônica, que começou a ser escrita no final século IX, é um conjunto de anais que cobrem o período de 1 d. C até a segunda metade do século 12. As informações são apresentadas por ano, sendo que, ao longo deles, percebemos a mudança na abordagem, que começa a se tornar realmente uma crônica. Entendemos, com isso, a explicação de Vérrio Flaco.



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domingo, 17 de janeiro de 2016

A Tapeçaria de Bayeux: O registro bordado da conquista Normanda da Inglaterra

Um trecho da extensa Tapeçaria de Bayeux, retratando a Batalha de Hastings, travada em 14 de outubro 1066.

Além de nos deixarem anais, crônicas e histórias, das quais falarei em outro texto, os historiadores da Idade Média também produziram outras formas de registro histórico. A Tapeçaria de Bayeux é um deles. A peça, de 70 metros de comprimento por meio metro de altura, está atualmente em exposição na cidade francesa de Bayeux, local de sua confecção. Foi confeccionada provavelmente entre 1070 e 1080.

A produção da Tapeçaria foi ordenada pelo bispo Odo de Bayeux, irmão de Guilherme, o Conquistador, primeiro rei normando da Inglaterra (1066-1087). Nessa época, final do século 11 d.C., começava a surgir em alguns reinos ocidentais um sentimento de nacionalidade, que fez com que pessoas abastadas e nobres passassem a encomendar obras para fazer com que os feitos de grandes homens e nações não fossem esquecidos. Essa parece ser uma máxima que acompanha a produção historiográfica desde a Antiguidade.

Com figuras riquíssimas da Inglaterra do século 11, animais, modos de vida, cenas de batalha etc, a peça também apresenta, do início ao fim, uma narrativa verbal em latim. O historiador inglês John Burrow, em seu livro Uma História das Histórias - de Heródoto e Tucídides ao século XX (tradução, Brasil, 2013), no dá uma descrição sucinta da Tapeçaria:

"A narrativa começa com o envio do conde Haroldo de Essex para a Normandia, numa embaixada ao duque Guilherme, a mando do rei Eduardo, o Confessor. Haroldo naufraga e é capturado por um magnata local, mas libertado por Guilherme. Eles seguem juntos em campanha, e Haroldo jura, sobre relíquias sagradas, sua fidelidade ao duque. De volta à Inglaterra, Eduardo morre, e Haroldo, ignorando o juramento feito a Guilherme, toma a coroa. Guilherme reúne um Exército, desembarca em Sussex e derrota os saxões numa batalha; Haroldo morre, aparentemente com uma flecha no olho - embora isso tenha sido motivo de discussão. Ao longo do texto há cenas realistas da vida contemporânea: viagens marítimas; construção barcos; caça; carregadores e suas cargas; soldados juntando provisões, preparando refeições, construindo uma fortaleza de madeira e ateando fogo a uma casa da qual emergem uma mulher e uma criança. Nas margens, as aves e os animais dão lugar a pequenos arqueiros disparando e a soldados mutilados, mortos, desprovidos de suas armaduras. É um documento fascinante e humano, comparável, em importância histórica, à Coluna de Trajano, mas mais fácil de examinar" (BURROW, John. Uma História das Histórias - de Heródoto e Tucídides ao século XX. Rio de Janeiro/São Paulo, Record, tradução de Nona Vaz de Castro, 2013).

No total, a tapeçaria está dividia em 9 sessões e possui 58 cenas da Inglaterra no final do século 11. A autoria é desconhecida, mas levando em conta o tamanho e a qualidade do trabalho, único no estilo Românico do Norte europeu, acredita-se que tenha sido elaborado por mais de uma pessoa em alguma oficina de grande porte. Outra grande tapeçaria (11 metros por 4 metros de altura) é a Tapeçaria de Pastrana, feita para celebrar a conquista de Arzila e Tânger em 1471 pela armada de D. Afonso V de Portugal.


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sábado, 16 de janeiro de 2016

A Filosofia Medieval e o Cristianismo - Patrística e Escolástica

Santo Agostinho de Hipona e Santo Tomás de Aquino, as duas principais figuras do pensamento medieval.

A Igreja Católica, desde suas origens mais remotas, sobreviveu à eventos como invasões bárbaras e a queda do Império Romano, em 476 d. C.  Esta conseguiu. em meio às incursões estrangeiras, manter sua unidade política e religiosa, só que agora transformada na instituição mais importante de uma nova era que começara a surgir: a Idade Média (476-1453). O poder da Igreja era tanto que esta, só para termos uma noção, conseguia acabar com discussões entre dinastias de diferentes reinos.

Além de ser uma poderosa instituição política e religiosa, a ICAR também dominava o panorama cultural do medievo. Foram nas Igrejas e mosteiros, graças aos copistas, que obras da antiguidade greco-romana chegaram até nós: Heródoto, Tucídides, Platão e Aristóteles. Além de possuir o conhecimento clássico, a Igreja, obviamente, influenciava a produção cultural através das revelações divinas, expressas nas Sagradas Escrituras.

O pensamento medieval, dominado fortemente pelo Cristianismo, este difundido pela autoridade que emanava dos Estados Papais, estabelecia que a fé era a fonte essencial de verdades para o homem. As produções científicas e filosóficas, em hipótese alguma, poderiam questionar as revelações baseadas na doutrina cristã. A busca pela verdade parecia ter acabada, pois o plano divino seria algo óbvio, restando assim apenas a demonstração racional das verdades da fé. Alguns pensadores da época ignoravam os ensinamentos da filosofia greco-romana, vista por eles como uma fonte de paganismo. Outros, no entanto, conciliavam esse conhecimento com a fé cristã.

A Filosofia da Idade Média pode ser dividida em quatros fases: Primeiro, é necessária uma inspiração. Esta veio através dos escritos dos Apóstolos, difusores dos ensinamentos de Jesus Cristo. As Epístolas de São Paulo, cartas destinadas às comunidades cristãs, e os Evangelhos, escritos sobre a vida de Jesus, seriam a base do início dos questionamentos cristãos dos séculos seguintes; Estando o Cristianismo em processo de reconhecimento como religião oficial do Império Romano, surgem os Apologistas, defensores da doutrina cristã. Entre eles destacam-se Orígenes de Alexandria, Justino, Tertuliano e Atanásio de Alexandria; as duas últimas fases são a Patrística e a Escolástica. A Patrística, que recebe esse nome por ter se originado através dos escritos dos Patriarcas da Igreja, tenta conciliar a fé cristã com a filosofia neoplatônica. O nome mais destacado desse pensamento é Santo Agostinho de Hipona. A Escolástica, representada pela figura de Santo Tomás de Aquino, interpreta o pensamento cristão sob a ótica da filosofia de Aristóteles.

O pensamento patrístico domina a Idade Média entre os séculos I e VII, quando seus Patriarcas criam os moldes do pensamento cristão: liturgia, defesas da fé, costumes e pensamento. Além de criar um "panorama" para os rumos da Igreja Católica, os Patrísticos também eram apologistas, isto é, defendiam a Sagrada Igreja Católica contra os pagãos e os hereges. Os patrísticos tentavam conciliar a fé cristã com razão, principalmente através da Filosofia Neoplatônica, na qual os homens, em uma crise existencial, buscavam um sentido para a vida. Da obra de Santo Agostinho (354-430) retiramos conceitos como a supremacia do espírito sobre o corpo, onde a alma, segundo Agostinho, teria sido criada por Deus para reinar sobre o corpo; predestinação, conceito famoso mais tarde entre os protestantes, segundo o qual a graça divina é destinada à um certo número de pessoas; e a liberdade humana, fruto de nossa vontade, algo que vem antes da razão e que determina a vida.

A Filosofia Escolástica surge no seio das escolas e universidades católicas erguidas durante o reinado de Carlos Magno. Nessas instituições, que ensinavam as artes técnicas e liberais, que podem ser vistas no texto As Universidades Ocidentais, os conhecimentos do mundo greco-romano, guardados por séculos em mosteiros, passaram a ser divulgados, causando uma grande revolução cultural. Vale lembrar que todos os outros conhecimentos, o Direito, as Artes, a Retórica e a História, estavam subordinados à Teologia. Inicialmente, a Filosofia Escolástica trará os ideais do pensamento Neoplatônico, recebendo, no século XIII, influências do pensamento de Aristóteles. Santo Agostinho tinha uma maior predileção pela fé em detrimento da razão, enquanto Santo Tomás de Aquino, principal nome da Escolástica, acredita que a razão é um meio para se explicar as revelações divinas. Da obra de Tomás de Aquino retiramos os princípios básicos, que são: 

-Princípio de contradição: o ser é e não é. Não existe nada que possa ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista.

-Princípio da substância: na existência dos seres podemos distinguir a substância ( a essência propriamente dita) e o acidente (a qualidade não-essencial, acessória do ser).

-Princípio da causa eficiente: todos os seres que captamos pelos sentidos são seres contingentes, isto é, não possuem, em si próprios, a causa eficiente. Portanto, para existir, o ser contingente depende de um outro ser que representa a sua causa eficiente: este outro ser é chamado de ser necessário.

-Princípio da finalidade: todo ser contingente existe em função de uma finalidade, de um objetivo, de uma razão de ser. Enfim, todo ser contingente possui uma causa final.

-Princípio do ato e da potência: todo ser contingente possui duas dimensões – o ato e a potência. O ato representa a existência atual do ser, aquilo que está realizado e determinado. A potência representa a capacidade real do ser, aquilo que não se realizou mas pode realizar-se. É a passagem da potência para o ato que explica toda e qualquer mudança (COTRIM, GILBERTO. Fundamentos da Filosofia - História e grandes temas. São Paulo, Saraiva, 2006. p - 117-118).


A existência de Deus, um dos maiores problemas existências dos pensadores cristãos da época, fora debatida por Aquino, que apresentou em sua extensa obra Suma Teológica (1265, 1273) provas da existência dessa divindade. Vou tentar aqui sintetizar os argumentos desse autor: tudo que existe é movido por um ser anterior, e esse ser anterior é movido por outro. Para não ficarmos preso nessa "causa e ação" é necessário admitir que sempre existiu um primeiro ser movente (Deus). Todas as coisas que existem precisam de uma causa, e essas são causas de outras. Uma causa primordial é necessária para a existência das outras. O que existe pode deixar de existir e, um dia, nada existiu. Mas se nada existiu, o agora também não o seria. É preciso que exista algo atemporal, nesse caso, Deus. Colocamos graus de beleza, bondade e poder nas coisas. Um é mais, outro é menos. Se existem graus, existe um perfeito, que o divino. Na natureza existem organismos desprovidos de inteligência, mas que possuem funções cruciais para o ordenamento das coisas. Por trás disso existe um arquiteto, que estabelece suas funções. Esse arquiteto é Deus.


CRÉDITO DAS IMAGENS:

cultura.culturamix.com
cleofas.com.br

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Música e História

Chico Buarque de Holanda e o grupo Quarteto em Cy durante apresentação. Final da década de 1960.

A música sendo uma das primeiras manifestações artísticas culturais da humanidade junta grito, palavra e harmonia, é uma das  mais poderosas formas de comunicação.

O Brasil é um dos celeiros mais criativos do mundo. Diga-se de passagem, há composições que não só contam uma história mas relatam de fato "a história". Muitos estudiosos afirmam que é possível entender a história do Brasil por meio de vários estilos musicais.

Numa das fases mais marcantes da história nacional, o período militar, (1964-1985), a música foi o principal meio para a sociedade perceber o que estava acontecendo e o quanto lhe era cara a liberdade. Poucos são os compositores atuais que fazem o uso do contexto histórico em que vivem tão genialmente como fizera Chico Buarque de Holanda, dentre muitos daquele período, final da década de 60 e início da década de 70, em pleno o auge do regime militar.

Autor de “Construção”, essa canção foi eleita em enquete da Folha de São Paulo como a segunda melhor canção brasileira de todos os tempos ("Águas de março" de Tom Jobim é a melhor, segundo esta enquete) e, por eleição da revista Rolling Stone, "a maior canção brasileira de todos os tempos".

Chico também compôs "Apesar de você" que, juntamente com "Pra não dizer que não falei de flores" de Vandré, se tornou um hino na voz popular contra o regime militar.

Em "Cálice", outra composição de Chico Buarque interpretada poe ele próprio, especulou-se que a letra seria um "recado" para Garrastazu Médici que governou no período de (1969-1974), fato que é desmentido por Chico. Eis um trecho da letra:

"De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade"


Roosewelt Sena, 22, é acadêmico de Licenciatura Plena em História na UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e poeta.










CRÉDITO DA IMAGEM: acervo.estadao.com.br

400 anos da fundação de Belém do Pará

A fundação da cidade de Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará, Teodoro Braga, 1908.

A fundação das primeiras cidades da região amazônica está relacionada à questão de assegurar o domínio da região para as coroas portuguesa e espanhola. O descuido da Espanha, que de acordo com o Tratado de Tordesilhas (1494) era detentora da maior parte da região, começa quando esta passa a dar mais atenção às suas colônias no Caribe, ricas em produção de matérias primas como açúcar e tabaco; e as dos Andes, ricas em Prata e Ouro.

A região amazônica sempre despertou a cobiça internacional. No final século 16, a influência e investida de países como Inglaterra, Irlanda, França e Holanda tornaram-se constantes na região. Os holandeses, em 1599, construíram no Xingu os fortes de Orange e Nassau, com algumas plantações de cana de açúcar e tabaco; Os ingleses se estabeleceram na bacia do Orenoco em 1604; Os irlandeses criam alguns povoados na Ilha dos Porcos, os holandeses às margens dos rios Gurupá e Xingu; Corsários franceses conseguem fundar, em 1612, um forte, Fort Saint Louis, embrião da cidade de São Luís do Maranhão. Todos esses invasores, para facilitar suas ações na região, mantinham relações de cordialidade com os nativos, com os quais conseguiam informações e suprimentos para seus empreendimentos. 

Temendo a total anexação da região por potências estrangeiras, Portugal, sob domínio da Coroa Espanhola, organiza expedições para combater esses invasores. Saindo de São Luís em 25 de dezembro de 1615, Francisco Caldeira de Castelo Branco, capitão-mor da Capitania da Bahia, chega ao rio Pará em 12 de janeiro de 1616, instalando sua guarnição na baía do Guajará. No local, batizado de Feliz Lusitânia, foi construído o Forte do Presépio, símbolo do poder português na região. Ao redor do forte, foi fundada a cidade de Nossa Senhora de Belém do Grão-Pará, atual Belém.



CRÉDITO DA IMAGEM: mdc - Revista de Arquitetura e Urbanismo

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O que diferencia nós, homens, dos animais?


Talvez você, em algum momento, tenha se perguntado: o que nos diferencia dos outros animais? Rapidamente, pensamos em nossa habilidade de raciocinar e questionar o mundo à nossa volta. Um autor que, ao meu ver, responde essa questão de forma primorosa, é o arqueólogo e filólogo australiano Vere Gordon Childe. Tive contato com suas obras ainda no ensino médio, durante as aulas de Filosofia e Sociologia. Agora, no curso de História, analisamos seus escritos sobre História Antiga, nas áreas da Revolução Neolítica e Revolução Urbana. A resposta se encontra abaixo, em algumas páginas do livro A Evolução Cultural do Homem (Rio de Janeiro, Zahar, 1971).

O ser humano pode ajustar-se a um número maior de ambientes do que qualquer outra criatura, multiplicar-se infinitamente mais depressa do que qualquer mamífero superior, e derrotar o urso polar, a lebre, o gavião e o tigre, em seus recursos especiais. Pelo controle do fogo e pela habilidade de fazer roupas e casas, o homem pode viver, e vive e viceja, desde os pólos da Terra até o equador. Nos trens e automóveis que constrói, pode superar a mais rápida lebre ou avestruz. Nos aviões e foguetes pode subir mais alto do que a águia, e, com os telescópios, ver mais longe do que o gavião. Com armas de fogo pode derrubar animais que nenhum tigre ousaria atacar.

Mas fogo, roupas, casas, trens, automóveis, aviões, telescópios e armas de fogo não são parte do corpo do homem. Eles não são herdados no sentido biológico. O conhecimento necessário para sua produção e uso é parte do nosso legado social. Resulta de uma tradição acumulada por muitas gerações e transmitida, não pelo sangue, mas através da linguagem (fala e escrita). A compensação que o homem tem pelos seus dotes corporais relativamente pobres é o cérebro grande e complexo, centro de um extenso e delicado sistema nervoso, que lhe permite desenvolver sua própria cultura.

CHILDE, Gordon. A Evolução Cultural do Homem. Rio de Janeiro, Zahar, 1971, p. 40-41.

Como podemos ver, o homem não nasce com a força de animais de grande porte como o urso ou o tigre, a habilidade de voar e a visão aguçada da águia e do falcão, nem da velocidade da lebre e do avestruz. Mas, maior que tudo isso, o homem possui um cérebro desenvolvido, que permitiu que, ao longo de sua caminhada, dominasse, através da observação e da experiência, técnicas de sobrevivência e de domínio, capazes de lhe garantir a supremacia em quase qualquer ambiente ou parte do globo.



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A Unificação do Alto e Baixo Egito

Paleta de ardósia do rei Narmer (Menés I).

As tribos nômades que se estabeleceram às margens do Nilo, e que deram origem à civilização egípcia, passaram a agrupar-se em divisões administrativas conhecidas por Nomos, governadas por um Nomarca. Apesar de compartilharem a mesma língua e técnicas de sobrevivência, essas tribos criaram regras distintas, adoração a diferentes deuses etc. Por volta de 3000 a. C. esses nomos começaram a se fundir, dividindo o território egípcio em Reino do Sul, com capital em Hieracômpolis, cujo símbolo de poder era o hedjet, a coroa branca; e Reino do Norte, tendo como símbolo de poder a deshret, coroa vermelha, e com centro no Delta Ocidental. O melhor registro sobre a unificação dos dois reinos é a Paleta de ardósia do rei Narmer, uma placa cerimonial que apresenta o nome do rei gravado nas duas faces e inserido no desenho de um palácio; sob a proteção da deusa Hátor ou Bat. Em uma face, Narmer (Menés I) está usando a coroa vermelha, na outra, utiliza a cora branca. Essa Paleta representa a unificação do Egito, através da vitória do Sul sobre o Norte. A unificação ocorreu entre 3100 - 3200 a.C.

Segundo o historiador Ciro Flamarion S. Cardoso, a partir do faraó Menés I, podemos dividir a história do Egito Antigo em 8 épocas distintas:
  • Dinástico Primitivo: 2920 a 2575 – dinastias I a III;
  • Império Antigo: 2575 a 2134 – dinastias IV a VIII;
  • Primeiro Período Intermediário: 2134 a 2040 – dinastias IX a XI;
  • Império Médio: 2040 a 1640 – dinastias XI a XIV;
  • Segundo Período Intermediário: 1640 a 1550 – dinastias XV a XVII;
  • Império Novo: 1550 a 1070 – dinastias XVIII a XX;
  • Terceiro Período Intermediário: 1070 a 712 – dinastias XXI a XXIV;
  • Época Tardia: 712 a 332 – dinastias XXV a XXX. (Fonte: História Livre)

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antigoegito.org

domingo, 10 de janeiro de 2016

Grandes acervos - As Bibliotecas Conservadora e Marxista

Russel Kirk (1918-1994).

Na internet, encontramos ótimos acervos de diferentes formas de pensamento. O Portal Conservador (portalconservador.com) possui a maior biblioteca virtual de matriz conservadora em Língua Portuguesa. De acordo com o próprio portal "nem todos os autores são ditos conservadores; mas se aqui marcam presença, é em virtude pela qual se constitui como autor obrigatório nos anos de estudo a fio que marcam a mentalidade conservadora inspirada por nosso patrono, Russel Kirk e pela Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo". De forma simplificada, o acervo Conservador é composto por obras utilizadas por Russel Kirk em seus estudos e postulados do pensamento conservador.

O acervo é composto de autores clássicos do mundo cristão, os Doutores da Igreja, Santo Agostinho, Santo Anselmo e Santo Tomás de Aquino, além de conter obras gerais sobre História do Cristianismo, Teologia Católica e escritos dos Santos. Na área econômica, temos obras de Adam Smith, Jesus Huerta de Soto, Friedrich Hayek e Economia Geral. Os historiadores aparecem em peso. São eles: Hannah Arendt, Marc Bloch, Jacques Le Goff, Bóris Fausto, Michel de Certeau, Peter Burke, Paul Veyne e História Geral. Do Mundo Antigo temos Cícero, Aristóteles, Hesíodo, Homero e Platão. Em literatura estão disponíveis livros de Aldous Huxley, Clives Staples Lewis, William Shakespeare, Luís de Camões, Nelson Rodrigues e Fiodor Dostoievski.

Existem, claro, muitos outros autores. O acervo também guarda obras essenciais de Direito, Filosofia, História da Inquisição e da Idade Média. Alguns livros encontram-se traduzidos para o português, outros, no entanto, estão em inglês, francês e espanhol. O Portal Conservador está no Facebook, Twitter e no Youtube.

Karl Marx (1818-1883).

Na versão portuguesa do site Marxists Internet Archives - Arquivos Marxistas da Internet (www.marxists.org/portuguese), estão disponíveis para download livros, comentários e entrevistas de 201 autores do pensamento marxista. Militantes brasileiros famosos como Jorge Amado, Florestan Fernandes e Carlos Lamarca fazem parte do acervo. 

No campo histórico temos Eric Hobsbawm, Jacob Gorender, Pierre Bruoué, Edgard Carone, Jorge Abelardo Ramos e Edward Palmer Thompson. Entre os filósofos, Louis Althusser, Ludwing Fauerbach, Georg Hegel, Immanuel Kant, Friedrich Nietzsche F. Engels e Jean-Paul Sartre. Na economia, estão os nomes consagrados de Karl Marx e Max Weber. Figuras políticas também estão no acervo; Salvador Allende, João Amazonas, Ernesto Che Guevara, Yasser Arafat, Nikita Khrushchev, Kin II Sung etc.

O Arquivos Marxistas da Internet está no Facebook em forma de grupo público. A maior parte do acervo encontra-se em português, traduzidos por algumas universidades federais ou pessoas particulares.


Endereços - Portal Conservador (http://portalconservador.com/biblioteca/) e Arquivos Marxistas da Internet (www.marxists.org/portugues/biblioteca.htm).


CRÉDITO DAS IMAGENS:

acton.org
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sábado, 9 de janeiro de 2016

Documento Histórico - História da Paróquia São Lázaro

São Lázaro de Betânia.

Quando comecei minhas pesquisas sobre a História do bairro, em 2011, tive acesso ao arquivo da Paróquia que, aliás, encontra-se muito bem preservado. Entre vários documentos, encontrei um bem interessante. Um texto, com o título História da Paróquia São Lázaro, de autor desconhecido, cobre, em 6 páginas, a evolução da paróquia do ano de 1956 até 1991.

Não se sabe o nome do autor, mas provavelmente pode ser uma ou mais pessoas ligadas à instituição Católica. Em linguagem simples, temos, no início do texto, uma apresentação sobre as origens do bairro, com a chegada dos primeiros moradores em 1956, e, de forma abrupta, passamos para a “História Paroquial” da comunidade. O autor (es) descreve detalhadamente os nomes dos primeiros moradores, datas e etapas de construção da Igreja no bairro e a relação da comunidade com outras que começavam a surgir nas imediações

Reproduzo o documento na íntegra, sem fazer maiores alterações, apenas algumas correções ortográficas:


HISTÓRIA DA PARÓQUIA SÃO LÁZARO


No ano de 1956, um pequeno grupo de pessoas, formando um povoado de mais ou menos dez casas de madeira e taipa, que viviam com um pequeno salário da venda de capim para casas de colchão, criaram a comunidade do Barro Vermelho, tendo à frente: Dona Maria Andrade (conhecida como D. Mariquinha); Dona Nair; Dona Antônia; Sr. José; Sr. Evilázio; Dona Raimunda; Sr. Hermógenes (de 70 anos, ainda morador do bairro), e outros.

Com a chegada de Carlos Viana, jovem idealista, fortificam-se os passos da caminhada da Igreja no bairro; e no dia 03 de maio de 1958, Pe. Paulino Lammeier celebra a primeira missa num tronco de marizeiro (onde hoje é o Seminário Cristo Sacerdote). Neste lugar fizeram uma capelinha coberta de palha, e depois construíram uma outra pequena e de madeira. No dia 09 de maio deste ano foram criados o grupo Apostolado da Oração, a Congregação Mariana e o grupo Filhas de Maria; e no dia 09 de novembro, funda-se o Clube da Boa Ação. No dia 11 de fevereiro de 1959, realizou-se a primeira Procissão de São Lázaro. Neste mesmo ano, no dia 31 de maio, inaugurou-se a 3° capela de São Lázaro, esta sendo maior que a anterior. A partir de 1960, a Igreja promovia concursos e arraiais para a animação da comunidade.

Em março de 1964, a pedido de D. João de Souza e Lima, vem as Irmãs do Colégio Santa Dorotéia: Irmã Maria do Carmo Peixoto; Irmã Souza; Irmã Rodrigues; Irmã Montenegro; Irmã Jovita (Peixotinho); e Irmã Macário; que vinham nos fins de semana com as meninas do colégio e catequizavam aos domingos no grupo escolar Antóvila Mourão Vieira; e com elas havia uma jovem catequista chamada Helena, moradora da comunidade. Elas vinham com Pe. Alcides, para celebrar a missa. Para melhor trabalhar, Irmã Peixoto, com a ajuda do SESI, das alunas e do grupo de jovens local, fez um levantamento das crianças da comunidade. Nesta época foi construída uma nova capela, em alvenaria; e deram início à construção de um barracão, feito em mutirão nos fins de semana e à noite, sendo todo o material doado. Nele era feito o trabalho prático do curso de pedreiro do SENAI, que realizava-se em São Lázaro. Sua inauguração foi no dia 01° de janeiro de 1966, com missa celebrada por D. João, e denominou-se Centro Social Educativo São Lázaro, onde formou-se um clube de mães, dava-se aulas e se faziam recreações. (Este barracão, hoje é a Igreja de São Lázaro). São Lázaro foi o primeiro serviço de mutirão e de trabalhos comunitários.

Em 1967, também em mutirão, construíram uma casa para acolher as irmãs nos fins de semana, e onde funcionava um pequeno ambulatório, para facilitar o trabalho das irmãs. Em 1968, Irmã Maria, Irmã Rodrigues e Irmã Gobites iniciam trabalhos de catequese no Crespo, iniciando assim a comunidade Bom Pastor. Lá, ficavam debaixo de uma figueira, conseguindo logo depois uma casa de madeira, onde celebravam com os padres salesianos, aos domingos após a catequese; celebravam também casamentos e batizados. Em dezembro de 1971, as irmãs Dorotéias foram morar na Betânia, e Pe. João Carlos Stefani assumiu as duas comunidades – São Lázaro e Betânia – que faziam parte da Paróquia Santa Luzia. Este ficou aí até o início de 1974.

Após dois anos de trabalho na comunidade Bom Pastor, chega o movimento industrial, e é desapropriada a casa. Nesta época veio como vigário Pe. José Montecone, que logo comprou um outro terreno e construiu uma capela ampla, inaugurada no dia 01° de janeiro de 1972, com celebração de missa – e neste mesmo ano, no dia 11 de abril, festejou-se o padroeiro Bom Pastor e a 1° Eucaristia de 25 crianças, além de alguns adultos. Por motivo de mal entendido foi demolida a capela e construída no lugar a escola Dorval Porto; logo foi conseguido um outro terreno e construída uma capela, inaugurada no dia 01° de julho de 1973. Nela havia missas aos domingos, confissão, batizados, assistência aos enfermos. Por um pequeno período, junto ao Pe. José, deu assistência ao Pe. José Fumagalle; depois, Pe. Dalbem, enquanto esperava-se um novo sacerdote; mas a comunidade ia crescendo como Igreja.

Neste mesmo ano, 1973, sentiu-se a necessidade de formar uma nova comunidade, na Lagoa Verde: Um senhor chamado Raimundo F. Da Costa falou com as irmãs Dorotéias, e estas começaram a incentivar nos círculos bíblicos da comunidade. Uma jovem chamada Clarinha rezava o terço na parte alta do bairro. Juntaram-se todos e construíram um salão, onde Pe. José Montecone celebrava missas. Com o tempo, a comunidade da Lagoa Verde foi crescendo e organizaram sua primeira Diretoria, a qual falou com D. João e ele comprou um galpão de madeira, que depois foi ampliado e transformado em um centro social, que mais tarde foi vendido, e logo comprado um outro, onde até hoje está a Igreja Cristo Rei. Dom Milton* gostou muito do local, e hospedou-se por três dias como visita pastoral.

No início de 1974, assumiu como vigário auxiliar, Pe. Durvalino Condicelle, que criou o grupo de jovens (OJAC), e organizou a diretoria como membros de Pastoral na comunidade Bom Pastor. Em 1976, Pe. Franco Picolly assumiu as comunidades e procurou dinamizar as pastorais existentes – em São Lázaro, implantou o dízimo e a Pastoral Familiar com o Grupo de Casais Amigos e incentivou a participar do CLC (Curso de Liderança Cristã) e do Congresso de Leigos do Amazonas. Organizou o catecumenato para o Batismo e a Crisma, reativou o Apostolado da Oração e criou o Conselho Comunitário de Pastoral; e no Bom Pastor, reforçou a Catequese com cursos, formando novos catequistas. Em fevereiro de 1977, para a comunidade Bom Pastor, vem Pe. Sabino Mariga, que dá continuação aos trabalhos já iniciados, e ainda fez um levantamento das famílias, visitando cada uma e falando sobre o dízimo, que com o auxílio de Frei Laurindo, pároco de Santa Rita, foi criado o Dízimo Paroquial nas duas comunidades. Pe. Sabino, auxiliado por seu sucessor, Pe. Carillo, deu início à ampliação da igreja, inaugurando no dia 09 de dezembro de 1979, com presença de Dom Milton Corrêa Pereira, Pe. Sabino e Pe. Carillo, que no ato recebeu o cargo de vigário destas comunidades – São Lázaro, Bom Pastor e Cristo Rei. Em 1980, Pe. Franco e Pe. Mário o auxiliaram nas comunidades; e o último doou para a comunidade Bom Pastor um belíssimo sacrário de metal como recordação da Igreja Mãe, Santa Luzia.

No dia 14 de outubro de 1980, D. Milton celebrou missa na Igreja São Lázaro, com presença das comunidades Bom Pastor e Cristo Rei, com a finalidade de apresentar Pe. Bernardino Micce, e advertir o povo de suas responsabilidades como Paróquia. No dia 04 de novembro houve reunião geral com as comunidades e neste mesmo dia, Pe. Bernardino celebrou sua 1° missa e continuou como pároco até 16 de agosto de 1981. No dia 19 de agosto do mesmo ano, D. Milton e D. Bêda concelebraram e apresentaram Pe. Ernesto Rodrigues à Paróquia, o qual celebrou sua primeira missa no dia 23 de agosto, mostrando suas perspectivas, e dar continuidade nas obras já idealizadas. Ele iniciou as construções de casas paroquiais em São Lázaro e Bom Pastor, e construiu novos altares nas mesmas; celebrou sua última missa no dia 11 de novembro de 1982. No dia 12 de novembro Frei Ricardo celebrou sua primeira missa. Ele criou vários grupos de Legião de Maria na Paróquia, tanto de adultos como juvenis; reviu os grupos existentes. Em 1984, para ajudá-lo, veio Pe. Elimar, celebrando sua primeira missa no dia 05 de fevereiro na comunidade Bom Pastor, e que muito colaborou na catequese desta comunidade, promovendo cursos, que depois se estendeu na Paróquia; ajudou muito a comunidade Cristo Rei; ficou aí até julho de 198, sendo um verdadeiro missionário.

Com a vinda de Pe. Edimar, Frei Ricardo teve mais tempo disponível e, em maio de 1984, fez visitas a algumas famílias e juntos começaram a fazer círculos bíblicos e cultos dominicais, com o objetivo de organizar as CEB'S, conscientizando de seu valor, com a ajuda de José Moura, que em 18 de outubro convidou Sr. Alexandre para ajudá-lo nos encontros; e este, depois, tomou à frente o trabalho. Em dezembro do mesmo ano, fizeram a novena Natal em Família, com agradável receptividade, e estes encontros decidiram o local para a construção da casa comunitária. Em abril de 1985, realizou-se o 1° curso para pais e padrinhos para o batismo de 11 crianças. No dia 08 de maio, reuniram-se para escolher uma comissão administrativa para iniciar a construção da casa – também escolheram São Joaquim como padroeiro, pois tudo iniciou na Rua São Joaquim. Neste mesmo ano, do dia 26 de julho, dia de São Joaquim, houve celebração Eucarística no local da casa, com participação de 72 pessoas. No dia 11 de agosto teve início a construção e concluíram-na com doações e muitas promoções.

No final de novembro de 1985, a comunidade Bom Pastor junto do Frei Ricardo, organizou a novena Natal em Família na área do Igarapé do Quarenta, e as famílias mostraram-se interessadas em reunir-se como Igreja; e deram início a uma nova CEB, pela qual ficou responsável a Sr° Albanízia, membro do grupo Casais Amigos, da comunidade Bom Pastor; logo reuniram-se para decidir o padroeiro, sendo escolhido Menino Jesus, por estar perto do Natal. Nos encontros, a maioria dos presentes eram crianças. Para construir a capelinha, conseguiram muitas doações, e vários grupos foram formados: Catequese, Grupo de Jovens, Congregação Mariana; e havia missas ou cultos dominicais.

Em 1986, iniciou-se os trabalhos de Catequese em São Joaquim, feitos nas casas de algumas famílias, e formou-se um grupo de jovens, ajudados por pessoas das comunidades São Lázaro e Bom Pastor. Neste mesmo ano, um jovem da Paróquia, Gélio Oliveira Barbosa, entrou para o Seminário São José, da Arquidiocese, e dá muito impulso aos jovens da comunidade. Em 1987, Frei Ricardo nomeou uma Diretoria na comunidade Menino Jesus, a qual organizou a primeira Festa do padroeiro e depois disto organizou o Dízimo na comunidade. Frei Ricardo, ainda, promoveu o Planejamento Natural da Família; organizou cultos ecumênicos, cursos de noivas, cursos bíblicos e outros. Ele ficou na Paróquia até 30 de junho de 1987.

No dia 13 de março de 1988, chegam as Irmãs da Divina Providência, para trabalhar na Paróquia, estabelecendo-se na casa da comunidade Bom Pastor, que, com a saída de Frei Ricardo, tomam à frente da Paróquia. Em celebração Eucarística, no dia 03 de julho, Dom Clóvis Frainer apresentou Pe. Danival como pároco, e Irmã Nelcy como coordenadora Paroquial – e ainda Frei Plácido, Pe. Pier Paulo e Pe. Carillo, que celebrarão missas e atenderão os enfermos. Inicialmente foi organizado o Conselho Paroquial, para organizar uma Pastoral de conjunto. No dia 05 de julho, reuniu-se pela primeira vez a coordenação paroquial de catequese. No dia 06 de julho, fundou-se a Pastoral Operária na Paróquia. No dia 11 de julho iniciaram os encontros paroquiais de liturgia. No dia 15 de julho reuniu-se pela primeira vez a Pastoral do Dízimo da Paróquia. No dia 16 de julho reuniram-se os agentes da Pastoral do Batismo para se conhecer e reorganizar-se. No dia 17 de julho houve assembléia paroquial com todos os agentes de pastoral para estudar o objetivo e as diretrizes da Igreja de Manaus, para haver realmente uma Pastoral de conjunto na Paróquia; Neste encontro esteve presente Frei Xavier. Ainda, foram feitas assembleias comunitárias para uma melhor caminhada. No dia 03 de agosto, houve encontro dos Ministros da Eucaristia dos Enfermos e marcado um encontro para reciclagem de estudos. Em agosto, houve curso bíblico na paróquia, promovido pela Coordenação Paroquial da Pastoral de Juventude. Foi criado, em setembro, um grupo vocacional paroquial. Foram promovidos cursos, e em todas as comunidades, seus tradicionais arraiais e outras promoções. Foi criada a Pastoral da Criança. Houve retiro para alguns grupos: Catequese, Casais Amigos e Crismados. Em 1989, a partir de março, iniciou a Escola Catequética mensal para os catequistas. Também foi trocado o telhado da Igreja de São Lázaro. Neste mesmo ano, houve cursos da Pastoral Operária, de CEB'S, de Noivos e outros; e ainda, feitas assembleias de avaliação da II APA e preparação da III APA. Neste ano a Paróquia teve ajuda de seis seminaristas do Seminário Diocesano São José; e a alegria de mais um jovem, Luiz Mauro Alencar, sendo admitido no Seminário.

Neste ano de 1989, no dia 1° de julho, começou a construção do Seminário de Filosofia Cristo Sacerdote no terreno da Comunidade Paroquial. Dom Clóvis é o grande idealizador da obra e construiu para que os jovens tivessem um lugar adequado e decente, onde pudessem viver a vida fraterna, de estudos, de trabalhos e oração, e pudessem também servir às paróquias vizinhas. As obras foram concluídas em 15 de fevereiro de 1990 com a presença de D. Clóvis, os padres do Conselho Presbiteral, os Vigários Episcopais e todos os seminaristas dos Seminários Diocesanos.

No ano de 1990, no dia 11 de fevereiro, tomou posse o novo pároco, Pe. Mauro Cleto, que assumiu toda a Paróquia de São Lázaro e mais o Seminário Cristo Sacerdote. A pastoral Paroquial já estava em andamento, o pároco só continuou dando incentivos às pastorais, mas reprogramando para o ano de 1991, toda a estrutura pastoral paroquial.


*Milton Corrêa Pereira (Cametá, PA, 18 de novembro de 1919 – Manaus, AM, 23 de maio de 1984). Recebeu a ordenação presbiteral no dia 29 de junho de 1943, em Belém. Foi nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Belém do Pará pelo Papa João XXIII, no dia 23 de agosto de 1962. Exerceu a função de 1962 a 1967. Em 4 de agosto de 1967, o Papa Paulo VI o nomeou bispo da Diocese de Garanhuns, no Pernambuco. Em 25 de abril de 1973 recebe a função de Arcebispo Coadjutor de Manaus. Foi Administrador Apostólico da arquidiocese entre 21 de abril de 1980 e 5 de março de 1981, quando foi nomeado pelo Papa João Paulo II para ser Arcebispo Metropolitano de Manaus. Faleceu em 23 de maio de 1984.